Você tem um... filhote!?

2622 Words
Estando de braços cruzados e um semblante não muito bom no rosto, SeokJin ouvia atentamente o marido ler as bulas dos medicamentos que estavam guardados na velha e antiga caixa de primeiro socorros. Suspirando fundo, Jin olhou ao seu relógio de pulso e viu que eram por volta de cinco para as seis horas da manhã. Deixando seu olhar pousar sobre o novo morador da casa, Seok perguntou: — Em menos de uma semana você já conseguiu ficar doente? Revirando os olhos, Taehyung bufou; queria mandar tudo e todos tomarem no cu, mas se fizesse isso, com certeza morria de febre de quarenta e dois graus por não conseguir se cuidar sozinho. — Sim, fiquei, tem algo contra? — Ele retrucou, debochado. — Vai ficar acamado. — Melhor do que trabalhar à força nesse fim de mundo. — disse, sem paciência. — E pelo amor, pede para ele ler mais rápido, daqui a pouco eu mofo aqui. — Não seja tão dramático. — NamJoon revirou os olhos, arrumando o óculos redondo sobre seu nariz. — Não é você que está doente. — Tudo bem, ele está certo, me dá isso aqui, NamJoon. — Jin tirou o papel da mão do mais novo, então com poucos segundos já tinha lido tudo. — Você irá ter que tomar esse remédio de cinco em cinco horas. — avisou. — Começando agora... — Que gosto? — Quê? — Que gosto tem isso? — Não sei, nunca tomei. — Hum... — Taehyung cerrou os olhos para o maior. — Vai, toma. — Deu a colher para o Kim, esse que bebeu o medicamento e logo fez uma careta pelo gosto amargo. — Irei chamar o Hoseok para ficar de olho em você. — Aí, aquele i****a não. — Que tal o Jungkook? Ele pode ser uma criança, mas é bem esperto. — NamJoon opinou, ingênuo. — Aquele pirralho? Ele me odeia, pode ser aquele ômega estranho mesmo. — Taehyung tomou sua decisão, ficando de bruços sobre a cama e depois jogando uma manta simples que estava quase ao seu lado em cima de seu corpo. — Tudo bem. — Deu de ombros. Jin já havia se acostumado com os insultos daquele mauricinho. — Vamos, Nam. — Sim... err... tchau. Melhoras. — NamJoon desejou. Revirando os olhos, Taehyung nem respondeu. O Kim queria muito ir embora, não que soubesse que alguém estava sentindo sua falta, apesar, tinha a plena consciência que ninguém estava ligando por viajado em direção ao fim do mundo. — p***a de vida. — murmurou antes de espirrar. Os minutos passaram e tudo havia ficado no mais completo silêncio. Bufando, o Kim sentia dores na cabeça e isso resultava-se em não conseguir dormir e muito menos fechar os olhos. Ouvindo a portar de entrada ser aberta e depois fechada, Taehyung olhou de soslaio e percebeu que era o ômega ruivo. — Bom dia. — sussurrou. — Jin-hyung me disse que estava doente. — O intruso sentou-se no pé da cama do loiro. — Tem uma cadeira bem ali. — Apontou. — Quero ter o meu espaço. — Ah, me desculpe. — Hoseok sorriu sem graça, abaixando o olhar e indo sentar onde foi indicado. — Hum... — Está doendo? — Não interessa. — O Jung se encolheu. — Tá bem... — Desviou o olhar para o quarto do Kim. Ele era bem decorado, principalmente com uns bonequinhos estranhos por toda parte. Um silêncio reinou no local, um silêncio chato e constrangedor. Taehyung não queria puxar assunto e Hoseok sabia que se tentasse falar alguma coisa, iria ser xingado, então preferiu ficar quieto. Dez minutos passaram e tudo estava do mesmo jeito que antes. Mexendo e se remexendo na cama, o Kim não conseguia pegar no sono. "Mas que p***a!", ele pensava em fúria. Só queria dormir e nem mesmo isso conseguia. — Perdeu o cu na minha cara? Arregalando os olhos, Hoseok rapidamente negou, apesar, tinha se perdido na fofura daquele ômega e******o loiro. A pontinha de seu nariz avermelhada, suas bochechas fartas da mesma cor e o cabelo bagunçado de Taehyung deixavam todos encantados, claro, se ele fosse menos bruto, a maioria diria — sem nem mesmo saber — que ele era um amor de pessoa. — Não consegue dormir? — Hoseok perguntou em um tom baixinho. — Se houvesse privacidade, se eu não estivesse com dor de cabeça, garganta e outros milhares de coisas, sim! Eu conseguiria dormir! E principalmente, se todos me deixassem em paz. E por qual motivo tenho que ver essa sua cara todo o santo dia!? — praticamente gritou em um fio de voz. Estava irritado, muito irritado. — Eu te ajudo. — Levantou-se. — Você o quê? — Ficou desentendido. — Eu te ajudo a dormir. — Dispenso. — disse prontamente, porém não adiantou nada, já que aquele ruivo sem sal foi ao seu guarda-roupa e tirou de lá um cobertor, que de certa maneira era mais quente que a manta que o cobria. — Sai para lá. — rosnou. — Primeiro, para você conseguir dormir mesmo estando doente, tem que se aquecer. — Hoseok disse, tirando aquele tecido fino de cima do Kim, pondo o cobertor. — Na verdade, por que estava usando um lençol? Jin-hyung deveria saber que ficaria com frio. — Eu já disse, ele me odeia. Hoseok nem discordava mais dessa afirmação. — Pronto, ficou aquecido? — Sim, já pode ir embora. — Taehyung mandou. — Senta. — Hoseok pediu. — Quê? — Senta na cama. — Não. — Vai, por favor. — Para quê? — É rápido. — Para quê? — Repetiu a pergunta. — Vem aqui. — O Jung subiu na cama no loiro e sentou no colo do mesmo com uma perna de cada lado. — Vai, levanta. — O q-que pensa que está fazendo? — Taehyung olhou surpreso ao outro, mas logo sentiu seus braços sendo puxados para frente. — Hey, eu não quero sentar! Hoseok não tinha força o suficiente para fazer Taehyung ficar na posição que queria, mas não valia nada tentar. Bufando, o Kim revirou os olhos e se deu por vencido, assim sem ajuda, sentou no colchão. — O que foi? — Ambos os rostos estavam próximos demais. — O que quer? — O Kim sussurrou. — Fica nessa posição, tá bom? — O outro ômega assentiu em desdém. Saindo do colo do mais novo, o Jung foi para atrás do mesmo e sentou ali contra a cabeceira da enorme cama, assim esticando sua perna e dando umas batidinhas em sua coxa. — Deita aqui. — Taehyung riu sarcástico. — Vem. — O ômega ruivo chamou. — Não, nem morto irei fazer isso. — Hoseok fez um biquinho. — Não. — O loiro apontou o dedo para o menor. — E não. — Não seja tão boboca. — Boboca, sério? — O Jung assentiu. — Sai daí. — Não. — Desta vez foi Hoseok quem disse. — Sai daí, ômega. — Quando o Kim menos esperou, seus ombros foram puxados para trás, o fazendo encostar a bochecha na coxa do ruivo, e ela era tão... tão macia. — Me solta. — Hoseok nem o segurava. — Tenta dormir. — Não. — Confia em mim, vai. — Sorriu pequeno, — Ninguém vai ver que você está sendo ajudado por mim, e muito menos dormindo. — disse o Jung, levando sua mão aos fios loiros do ômega, deixando um carinho fraco ali. — Para. — sussurrou. — Não quero sentir isso. — Hum? — Arqueou uma sobrancelha. — Eu nunca recebi isso e não será agora que irei receber... — O Kim afastou a mão do Jung de seu cabelo. — Aigoo... — resmungou em um muxoxo. — Taehyung-ssi? — O que foi? — Você precisa se abrir, não está mais sozinho. — Estou e sempre irei estar. — Não, só você acha isso. — Isso é a verdade e eu prefiro continuar com ela. — Taehyung sentiu novamente a mão de Hoseok acariciar seus cabelos. — Eu já mandei parar, caçamba. — E eu pedi para você descansar. Bufando, Taehyung fechou os olhos. Não queria discutir, porque tinha certeza que tudo que havia falado era verdade, e nunca, mas nunca iria mudar. O loiro era um ômega solitário — seu lobo era solitário; ele tinha se tornado solitário no decorrer dos anos. Os poucos segundos que tinham passado, Taehyung havia dormido; foi como o outro ômega pensou, aquela tática sempre funcionava. Olhando em volta, Hoseok ainda acariciava os fios do Kim. Mas falando sério, o Jung estava em tédio, porém o mais novo precisava dormir. (...) Uma hora e meia havia passado e Hoseok também tinha adormecido. Abrindo seus olhos lentamente, Taehyung sentia seu corpo mais leve. Aquele sono o fez muito, mas muito bem. Bocejando, o loiro nem se atreveu a levantar, aquela posição estava boa demais. Levando seu olhar um pouco mais para cima, o Kim suspirou quando viu aquele ômega ruivo dormindo. "Ele é fofo", Taehyung pensou o observando. "Suas bochechas pareciam duas maçãs, o cabelo sobre os olhos lhe deixavam charmoso, seu nariz arrebitadinho ficava comb-..." — O que aconteceu aqui? — O quê!? — O Kim rapidamente sentou, acordando Hoseok. — Hum... — O Jung coçou seus olhos. — Oi, Jin-hyung, aconteceu algo? — Você tem visitas. — disse SeokJin, de braços cruzados. — Sério? — Bocejou. — Sim, melhor você ir, vai ficar feliz de ver quem é. — Depois. — disse baixinho, aparentemente sonolento. — Hoseok. — O ômega mais velho suspirou. — Tem uma bolinha de cabelos pretos te esperando lá embaixo, todo feliz por finalmente voltar para a casa, vai ficar aí mesmo? Arregalando os olhos, um sorriso alegre e sincero apareceu nos lábios do Jung. Ficando confuso, Taehyung passou a mão por seus cabelos loiros e olhou ao outro ômega que apressadamente se levantava da cama. — Onde vai? — O Kim perguntou, talvez triste por não receber tanto calor humano quanto outrora. — E-Eu já volto! — E assim Hoseok correu em direção quarto afora. — O que aconteceu? — Melhor você próprio ver. — Acha mesmo que irei levantar? — O loiro debochou, rolando os olhos.  — Fica curioso então. — Jin deu as costas e também saiu daquele dormitório. Murmurando alguma coisa, Taehyung calçou sua pantufa e foi atrás de onde Hoseok e SeokJin haviam ido. Seus passos eram lentos e pesados, então antes mesmo que pudesse chegar na sala, já conseguia ouvir algumas coisas. — Amorzinho, estava com tanta saudades! "Hoseok namora?", esta foi a primeira coisa que o Kim pensou. — Você cresceu tanto! Tá tão grandinho. — Papai, eu s-só fiquei fora por duas semanas. "O quê!?", apressando os passos, em segundos Taehyung chegou a sala e arregalou os olhos, mas ainda ninguém tinha percebido sua presença. — Mas eu fiquei com muita, mas muita saudades! — O encheu de beijinhos e logo viu o menino rir baixo. — Eu não irei mais viajar, não é? Vou ficar com o s-senhor, certo? — Amorzinho, papai não pode prometer nada, hu? Mas eu sempre vou estar aqui. — T-Tá bem. — O pequeno filhote abraçou o pai novamente. — Estava com saudades, cadê o J-Jungkookie? — O bebê de apenas cinco aninhos perguntou animado. — Não sei, acho que cuidando dos porquinhos. — disse. — O-Oh... — Os olhos de Jung Jimin rapidamente se arregalaram; havia ficado surpreso, tal coisa que deixou Hoseok preocupado. — O que foi, hu? Hey, Jiminie, está tudo bem? — Hoseok perguntou. — P-Papai. — Calabreou uns passos para trás. — Filho, você está bem? Está me deixando preocupado. — A-Appa. — O quê? — NamJoon se intrometeu; conhecia bem o sujeito que engravidou Hoseok e depois fugiu. Pode ter certeza, o Kim odiava com todas as forças aquele alfa. — Appa! — O pequeno Jung sorriu. — Hoseok. — Jin deu um passo à frente. — Papai, o appa! — F-Filho. Quando menos percebeu, Hoseok viu Jimin correr em direção ao único loiro daquela sala, este que arregalou os olhos no momento em que aquele filhote estranho abraçou sua perna. Toda sala tinha sido preenchida pelo silêncio, claro, tirando o choro alegre e baixinho do garotinho. — O que é isso? — Taehyung perguntou olhando desesperado aos mais velhos daquela sala. — D-Desencosta. — mandou, tentando tirar o menino de sua perna. — Appa, p-pensei que nunca mais voltaria. — O tal de 'Jimin' falou. — Estou feliz. Todos estavam sem reação, nenhum deles pensou que aquilo poderia acontecer, principalmente Taehyung, apesar, odiava crianças. Suspirando fundo, o Kim viu que não teria o que fazer. Tomando coragem, Tae se joelhou e abraçou adequadamente aquele pirralho estranho. — Tá, tá, tá, para de chorar, fica quieto. — pediu, sendo o mais educado possível. — E-Eu sempre disse q-que você não nos a-abandonou. — Taehyung olhou a Hoseok, esse que tinha seus olhos lacrimejados. — Bebê. — O Jung se aproximou do filho. — Eu... ele... ele não é seu o appa. — É s-sim. — disse. — Filho, eu sei que ele se parece. — sussurrou. — Mas confia em mim, ele não é. — Puxou o menino para si. — Ele não é, porque o seu appa mesmo foi embora, meu amor. — N-Não, é ele. — O pequeno Jung pulou novamente em cima do Kim. — Taehyung, me desculpe, é sério. — Hoseok tentou pegar o menino, mas o mesmo se agarrou mais ao outro ômega. — Jimin, por favor. — É e-ele. — Filhote, ouve o seu pai. — Jin disse. — F-Fala para ele que e-eu estou c-certo. — Taehyung, vá para a sala e faça o menino se acalmar. — O Kim arregalou os olhos. — O quê? Eu? Eu não! — Vá. — Eu não sei fazer isso. — Todos aprendem. — Hoseok, vem, vamos a cozinha. — Jin puxou o menor, que parecia muito assustado para lhe seguir. Andando a sala, Taehyung não soube o que fazer, na verdade, nunca pensou que seguraria uma criança no colo. Sentando-se no sofá, o loiro deu tapinhas fracos nas costas do filhote, mas seu choro não cessava. — Hey. — Chamou o outro. — Olha para mim. — A-Appa. — Jimin obedeceu. Seus olhos tinham ficado enchadinhos e seu nariz estava vermelho, assim como suas bochechas gordinhas. — Me ouve, hu? Eu não sou seu appa, sou um ômega, então... — Taehyung bateu a palma de sua mão em sua própria testa. — Não dá para eu ter engravidado aquele cara barra... seu pai. — M-Mas voc-... — Tá, eu sei que você disse que eu me pareço com ele, mas não sou ele, não mesmo. — V-Você ama o meu pai? — O filhote fungou, deixando sua cabeça tombar um pouco para o lado. — Não, não amo. — M-Ma-... — Não existe "mas", não sou seu appa e muito menos ficaria com seu... pai. — Para Taehyung era estranho saber que Hoseok tinha um filho; apesar, quantos anos ele tinha, vinte e dois? Ficando quieto, Jimin ainda assimilava tudo que aquele loiro havia dito. "Como assim ele não é meu appa?", o Jung se perguntava, até porque ele se parecia tanto, mas tanto! — Filho... — Os dois viram o Jung entrar na sala. — Você... vamos para o quarto, tá bem? — P-Papai... — Mais tarde conversamos sobre o que aconteceu aqui. — sussurrou. — Vamos, tá bom? Temos que arrumar suas malas... desculpe mais uma vez por isso, Taehyung-ssi. Vendo os Jung subirem para o segundo piso, o Kim tinha ficado mais confuso que antes, então preferiu ficar em silêncio e esperar alguém lhe contar o que estava acontecendo. Uma explicação seria muito válida naquele momento.
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