Dias antes
Hiro Satoki
Mudei-me para Corea do Sul em busca de paz. Que era o que mais me fazia falta no japão. Nos ultimos dias apesar de solitário tinha sim atingido esse objetivo. Podia sim ter feito medicina em Tokyo, seria até mais facil, afinal graças as gordas doações da minha familia, todos nós temos uma vaga garantida na universidade de Tokyo, dês de sempre, mas assim não teria a desculpa perfeita para me livrar da minha problemática família. Mesmo assim ela está aqui agora. Minha irmã mais velha, Aiko. A mulher de estatura pequena a minha frente neste momento. Aiko está muito parecida ao que me lembro dela. O rosto delicado com a expressão amigavel e simpatica. Ainda que seus cabelos negros tenham perdido significantemente tamanho para se acomodar em um corte de cabelo moderno.
— O que faz aqui, Aiko? — Perguntei nervosamente. Estou ciente que ela não vijaria até aqui se algo sério não a motivasse. Ainda mais, sabendo que a resposta seria negativa.
— Nós precisamos conversar — ela disse me dando um olhar significativo e não tive outra opção. Aquilo confirmava meu pensamento anterior de que apenas algo realmente relevante a traria aqui.
— Vamos diga logo o que você quer — disse impaciente encarando-a enquanto caminhávamos em direção ao meu apartamento. O luar iluminando o caminho a nossa frente.
— Nossa, que lugar legal — ela disse admirando a lua — Como vão indo as coisas? — ela questionou-me em uma clara tentativa de desviar o assunto.
—Bem! Agora pare de enrolar e me conte logo o que a traz aqui — disse direto. Já que preferia não compartilhar detalhes da minha vida com ela.
— Sabe que pode me contar qualquer coisa, não é maninho — ela disse tentando me transmitir confiansa.Sabia que esta é a forma dela de adquirir informações.
— Duvido que tenha viajado do Japão até aqui apenas para me lembrar disso— tentei encurtar a conversa. É provavel que ela esteja apenas fazendo isso para anenizar o impacto da bomba que vai jogar.
— Vim busca-lo. Temos que voltar para casa — Aiko disse assumindo uma postura séria.
—Está é minha casa agora— disse suspirando exausto, cansei de explicar isto a ela — Ele veio com você? — Não pude evitar perguntar. Afinal estava evitando pensar nisso. Ainda que não consiga. Obviamente, ela não viria até aqui sozinha. Deve ser isso o motivo dela estar pisando em ovos nesta conversa.
—Não, estou sozinha. Não se preocupe — ela ressaltou, numa tentativa de me acalmar. Porém, não parecia ser uma mentira. O que significa que existem apenas duas coisas que atrariam até aqui sozinha.
— O problema tem algo a ver com ele? — perguntei querendo garantir que a segunda opção não era uma possibilidade.
— Diz respeito a todos nós, mas principalmente a você — ela disse encarando me com suplica. Existia um ponto que Aiko estava evitando tocar diretamente.
— Sabe que não quero ter nada a ver com aquela família — a lembrei.
— Nossa família, Hiro. Não pode mudar isso — Aiko insistiu demonstrando certa irritação.
—Diga-me de uma vez o que aconteceu — Disse encarando-a e cruzando os braços sobre o peito imaginando o pior.
Aiko suspirou pesadamente e encarrou tudo ao nosso redor, evitando contato visual comigo. Provavelmente para que assim não conseguisse ler o que seus olhos diziam. Ela sempre foi muito transparente e nesse momento parecia escolher suas palavras com cautela. Porém não podia evitar me dizer a verdade. Sabia que caso contrário, eu não iria com ela.
— O vovô se foi. Nossos tios estão voltando para Tokyo. Devemos estar todos juntos nesse momento — Aiko deixou uma lagrima solitária percorrer seu rosto. Não precisava dizer mais nada para que eu compreendesse completamente a situação. Ela também foi direta como sabia que seria melhor para mim. Ficar enrolando não mudava os fatos.
Desnorteado busco respirar fundo. Sentia o peso no peito. Devia estar preparado para isso, mas não estava. Vasculhei em sua face em busca de qualquer sinal de que era uma mentira, uma desculpa para me levar de volta para casa. Porém era inegável que Aiko jamais faria algo assim. Nunca seria tão baixa. Ela dizia a verdade e sofria tanto quanto eu com ela. Talvez não tanto quanto eu. Ela jamais foi tão próxima do nosso avô.
Diferente de mim, que encontrava nos braços do idoso o conforto e amor que não recebia de mais ninguém. Que encontrava em seu sorriso o apoio e forças para continuar, para enfrentar meus problemas. O vovô havia sido mais pai para mim do que meu próprio pai.
Mesmo ciente de sua doença, todos estávamos acostumados com ela. Ele lutou contra o câncer por tantos anos. Acho que perdemos o medo da sua morte. A rotina fez com que nos acomodassemos. Simplesmente não posso acreditar que não consegui me despedir dele. Por que não me avisaram antes. Ele deve ter ido a emergencia. Quanto tempo demorrou? Ninguém pensou em me ligar ou sei lá? Aiko deixou claro que ele já partiu. Estarei indo apenas para as tradições funerarias.Não havia motivação pior para retornar, mas duvido que outra coisa me convencesse a fazer as malas.
Era o fim do semestre, perderia algumas provas, mas o reitor me liberaria ao saber do motivo. Talvez conseguisse faze-las quando retornasse. No entanto uma coisa não saia da minha cabeça. A garota. Senti-a i****a apenas por pensar nela em um momento como aquele.
Porém, algo aconteceu quando a vi a primeira vez. Naquela cerimonia desnecessária com as amigas. Sorrindo em pura alegria. Nunca tinha acreditado em amor à primeira vista, mas confesso que fraquejei. Se existir a possibilidade? Se ao partir acabe com está chance?
Park é com um lírio branco, cheio de pureza e inocência. Ainda que não fosse do meu feitio queria me aproximar dela. Sentia que estávamos caminhando. Progredindo lentamente em direção a algo. No entanto agora. Estou partindo, sem previsão de retorno.