Funeral

1162 Words
Emi Satoki — O que? — perguntei em choque. — Sim, Hiro está vindo para o funeral — mamãe comentou do outro lado da linha. — d***a! Pensei que ele jamais voltaria ao Japão — comento. — Sabe como o moleque era apegado ao seu avô — Ela disse e conseguia a imaginar revirando os olhos. — Aiko disse mais alguma coisa? — perguntei curiosa. Estou com um m*l pressentimento. — Nada demais — respondeu. — Não me diga que ele ainda desconfia de nós — disse impaciente. — Provavelmente — ela disse parecendo distraída — querida eu tenho que desligar. — Eu mato esse desgraçado. Olha aqui eu não fiquei anos esperando esse velho bater as botas, para no último segundo do terceiro tempo me aparecer mais uma pessoa para disputar a grana — bravejei elevando o tom de voz. Pensei que o primo Hiro tinha aberto mão de TUDO que essa família significava. Espero que não tenha mudado de opinião sobre o dinheiro. Já que obviamente mudou sobre “nunca mais pisar no Japão”. Sua última frase antes de ir embora e uma piada. — Você acha que eu estou feliz com isso? Daichi está no comando da empresa dês do incidente e cuida da minha conta bancaria como se fosse dele — Mamãe respondeu em igual indignação. — Não estou ligando para quem fica no cargo de CEO daquela m***a. Eu quero saber da herança. Quando vão ler o testamento? — perguntei buscando na minha bolsa a nota que recebi me notificando da morte. — No dia seguinte ao funeral — ela comunicou. — Ótimo! O quanto antes melhor. Quero estar de volta a Nova York antes da Fashion Week— disse. — Senhora! — escuto alguém me chamar e levanto o olhar encontrando a aeromoça — Poderia colocar o sinto? — ela disse educadamente apontando um sinal luminoso indicando exatamente isso. Bufei colocando o sinto. Esses empregados não tem mais respeito. Ela não viu que estou no telefone? — Poderia desligar o aparelho celular também— a moça pediu, novamente indicando um sinal luminoso. Este que tinha um ícone de celular com um X sobre ele. — Vou ter que desligar. Nos falamos quando eu chegar — falei a mamãe. — Boa viajem, querida — Ela respondeu antes que eu finalizasse a ligação. Apontei o telefone para a aeromoça como se dissesse “satisfeita?” e a mesma desapareceu entre os corredores com fileiras de assentos. Não acredito que estou na classe econômica. Sendo quem sou, isso é uma vergonha. Anime-se Emi. Logo você terá o dinheiro da herança, com isso vou poder me manter tranquila mais algum tempo em Nova York. O suficiente para ser contratada por uma agencia melhor. E com o meu talento em breve vou conseguir um ensaio ou propaganda disputada. Meu sonho de me tornar uma modelo famosa e morar em Hollywood estava apenas começando, com uma boa quantia em banco poderia até buscar novas oportunidades na Califórnia. A HT modas se mostrou uma grande perda de tempo. Sempre me davam as mesmas desculpas “não a muitas campanhas para Orientais”, “Os estilistas preferem pessoas menos, asiáticas” ou “Não há muitos produtos j*******s no mercado americano”. Como se só pudesse participar de algo que pedisse especificamente por j*******s. Além disso jamais esquecerei o vexame que me fizeram passar ao me indicar para uma campanha Chinesa. d***a! Os chineses odeiam os j*******s, esse povo não intende nada de história? Americanos. Só olham para o próprio umbigo. Gina Satoki Viro-me para Ken logo após encerrar a chamada com Emi. Ele devora um pote de Lamen como se comesse a anos. O que está muito distante da realidade. Afinal se tem algo que esse garoto não para de fazer é comer. — Não coma desse jeito, vai parecer um porco — verbalizei incomodada. As pessoas vão pensar o que de mim com um filho obeso que come como um condenado como ele. — Me deixe mulher — ele disse com a boca cheia de ovo cozido. Nojento! — Sou sua mãe tenha mais respeito — disse mais raivosa e notei o mesmo se encolher. Estava com zero paciência. Simplesmente não consigo acreditar que o i****a do Daichi cancelou meu cartão da empresa. Quem ele pensa que é? Eu tenho mais direito aos lucros daquele lugar do que ele. Eu sou a primogênita. Eu devia ocupar o lugar de CEO, mas o velho moribundo tinha que nomeá-lo, não é mesmo. O primeiro filho homem. Espero que não tenha sido maluco de fazer o mesmo no testamento. Bebo o saquê mais forte. O álcool nem tem mais efeito sobre mim. Não estava nem um pouco triste com a perda. Que aquele velho retorne no corpo de uma barata. O Karma será justo e eu mesma o esmagarei por tudo que ele fez em vida. Acho que nem cem vidas de barata pagam tudo. Mesmo assim se tiver a oportunidade Kami me deixe ser quem vai esmaga-lo. — A onee chan está vindo para o funeral? — Ken perguntou. — Claro, duvido que qualquer m****o da família falte — disse. — Está dizendo que o Hiro também vem? — ele perguntou. — Você não ouviu nada do que disse no telefone? — perguntei indignada. Oh garoto lerdo. — Não estava prestando atenção— Ken disse distraidamente voltando a comer como um ex-presidiário. — A comida não vai fugir — disse tirando os hashi da sua mão— Sim, Hiro está vindo — disse por fim. — Pensei que ele nunca mais voltaria ao Japão depois do que você fez — ele disse. Explodi em fúria. — Acho bom guardar está língua. Por que o garoto não tem ideia de nada. Ken se está história chegar aos ouvidos do moleque enquanto ele estiver aqui. Pode apostar que acabarei você, depois disso só vai poder comer com um canudinho — disse furiosa segurando seu pulso com mais força que o necessário. Kami como fui ter uma anta como filho. Hiro não pode nem sonhar que estou envolvida naquela história, imagina saber que fui a grande causadora de seu sofrimento. Não, jamais. Essa história já é passado e é lá que deve ficar. Enterrada. Afinal sou sua tia. Sou a mais velha. Claro que vou presar pela integridade desta família, sempre. O nome Satoki jamais poderá ser jogado na lama. Espero que a volta dele não se torne um problema. Não quero ter que tomar medidas drásticas numa situação como esta. Ainda mais agora que perdi grande parte do meu poder. Preciso desta herança. Afinal dinheiro é poder e ninguém mais protegera está família como eu. Sabem o que dizem, uma mãe faz qualquer coisa por sua prole. Glossário Kami – Deus ou deuses para o xintoísmo. Hashi — pauzinhos ou palitinhos são as varetas utilizadas como talheres no japão. Onee Chan— irmã mais velha. Karma — "lei de conservação da força".
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