Capítulo 3

1255 Words
P.O.V Natalie Respirei fundo sentindo suas mãos macias tocarem meus ombros, relaxei apreciando a sua massagem, eu realmente necessitava daquilo. - Mel precisa de disciplina.. - voltei a ficar tensa diante das palavras da Claire. - Você nunca quis bater naquela menina, nem colocá-la de castigo por achar que ela já tinha uma vida sofrida mas isso acabou a tornando rebelde e.. - É da minha filha que você está falando, não se esqueça disso. - a interrompi grosseiramente já sentindo meu sangue esquentar. Eu sabia que havia errado na criação da Melissa, mas a Claire não tinha direito algum de me dizer aquilo, mesmo que estivéssemos juntas há mais de dez anos. - Natalie... - encarei o Oliver que estava parado num canto da sala, ele se aproximou e sentou-se no sofá ao meu lado, me afastei do contato da Claire para que ela entendesse que talvez fosse melhor se retirar dali e assim ela o fez. - Eu não queria causar nenhum tipo de conflito entre vocês. - Por que estava lá? - perguntei curiosa ignorando suas palavras. - Por que estava no túmulo da Olívia? - É que eu estava passando por ali e.. - Você não sabe mentir Oliver. - murmurei baixinho, não para recriminá-lo, mas porque eu realmente queria saber a verdade. - Pode me contar, seja lá o que for. - Eu não durmo há quinze anos. - ele engoliu a seco desviando seu olhar para as suas mãos sobre o seu colo. - Eu fico tendo os mesmo pesadelos com eles, o espelho não me deixa esquecer isso.. - olhei para as marcas em metade do seu rosto, já não eram tão feias quanto antes mas depois das queimaduras o seu rosto acabou ficando um pouco deformado. - Eu perdi a minha família em um piscar de olhos, eu perdi a minha melhor amiga. - Está tudo bem. - murmurei baixinho tentando não chorar ao ver suas lágrimas banharem suas bochechas. - Eu também sinto falta deles. - Eu sabia que ela estaria lá. - ele ergueu seus olhos avermelhados permitindo que eu enxergasse a culpa em sua face. - Eu voltei para Hope Garden há uns meses, e estava observando a Mel, eu sabia que ela estaria lá. - Por que procurou a minha filha? - perguntei entredentes tentando conter a minha raiva. - Por que a envolveu nisso? - Porque você não iria me ouvir. - me levantei do sofá consternada. - Eu acho que ela ainda está viva, Natalie! - Quinze anos Oliver! - gritei exasperada. - A Olívia foi levada há quinze anos! - ele se levantou do sofá receoso. - Ela não vai voltar.. - Eu farei agora algo que eu deveria ter feito por todo este tempo. - ele murmurou se aproximando lentamente de mim, mesmo confusa aceitei segurar a sua mão. Mantendo seus olhos fixos em mim ele me puxou para sentarmos novamente no sofá e logo em seguida eu pude sentir seus braços me envolverem em um abraço apertado. Eu não o queria e a princípio me senti desconfortável, mas ele ainda tinha o mesmo cheiro de anos atrás, ainda era o mesmo abraço que eu ganhava sempre que comprava seus bolinhos favoritos ou estava triste por ficar deitada na cama de hospital o dia todo. Ele ainda era o homem que me levou até a Olívia no altar. Ele ainda era o meu melhor amigo. Deitei minha cabeça em seu ombro e me permiti chorar juntamente com ele. - Ninguém superou.. - ele sussurou após beijar minha testa. - Por isso precisamos fazer isso. - E-Eu não posso.. - murmurei em um fio de voz sentindo a minha garganta travar. - A Melissa.. - Está grávida. - ele completou baixinho. - A levaremos junto. - Mas.. - Ela estará segura conosco. - ele pontuou antes mesmo que eu pudesse argumentar. - Eu mesmo a protegerei com a minha vida. - eu não tinha dúvidas de que ele faria aquilo outra vez, mas mesmo assim era muito arriscado. - O que me diz? - Oliver, eu sequer sei como faremos isso, não há motivos suficientes para desenterrar esta história tanto tempo depois e eu não sou mais capaz de lutar como antes.. - murmurei tristemente. Um suspiro longo escapou dos meus lábios, me afastei um pouco para encará-lo nos olhos. Depois daquele acidente de carro havia pinos de titânio no lugar dos ossos em algumas partes do meu corpo, eu constantemente sentia dores de cabeça e havia aceitado que ficar com a papelada da delegacia de Hope Garden era o melhor a se fazer, tanto por mim quanto pela Melissa. - Por isso você precisa dos seus braços e das suas pernas. - ele sorriu animado pela primeira vez me fazendo deixar um sorriso escapar. Sequei minhas lágrimas entendendo bem a que ele se referia. - Faremos mesmo isso? - perguntei incerta. Inevitavelmente uma pequena chama de esperança começava a se acender em meu coração. - Sim, faremos. - ele afirmou confiante. - Vamos buscar a Valerie e o Jonh. - ignorei a sensação de angústia que dominou meu coração ao imaginar como a Valerie estava depois de todos esses anos. Me levantei do sofá determinada, respirei fundo ajeitando meus cabelos e caminhei até o pé da escada. - Melissa, vamos viajar! - gritei e em poucos segundos a minha pequena loira descabelada e com o rosto vermelho evidenciando que havia chorado apareceu no topo da escada ao lado da Katie. - Eu pensei que ia ficar de castigo pelo resto da vida ou algo assim.. - a ouvi murmurar baixinho. - Você ficará de castigo quando retornarmos. - comuniquei firme sem olhá-la nos olhos. - Para onde iremos? - ela perguntou enquanto descia as escadas. - Vamos descobrir o que aconteceu com a sua mãe. - e o sorriso que nasceu em seus lábios me deu a certeza que eu precisava para continuar com aquilo. Por anos eu guardei todo o meu sofrimento na intenção de protegê-la, mas talvez tudo que eu precisasse fazer era ser honesta sobre tudo, talvez assim ela não teria se afastado tanto e tomado decisões inconsequentes. - Mãe, você tá falando sério? - assenti com a cabeça. - E para onde iremos? Como faremos? Será nós três? - Talvez quatro. - Oliver pronunciou se levantando do sofá. - Iremos atrás da Valerie. - Não! - Melissa falou incrédula, sendo pega de surpresa recebi um abraço rápido e a observei abraçar o Oliver. - Não consigo acreditar que nós vamos fazer isso. - Integrar-se ou morrer.. - O que? - minha filha perguntou confusa, dei-lhe um sorriso nostálgico me lembrando com perfeição do exato momento em que ouvi aquilo. - Vamos pegar a estrada, eu terei muito tempo para te contar sobre isso. - passei a mão por seus cabelos e a trouxe para perto de mim lhe dando um beijo na testa. - Katie vai com a gente.. - Eu não engoli o fato de que está grávida então não exagere.. - resmunguei baixinho para que a amiga da minha filha não ouvisse. - A menos que ela seja a outra mãe dessa criança, o que eu sei que não é. - seus olhos arregalaram-se em desespero. - Ou é? - Não mãe. - a sua falta de convicção era notável, desviei dos seus olhos para encarar a morena sentada no meio da escada que tremia de nervoso. Eu descobriria a verdade cedo ou tarde, nem que para isso usasse minhas habilidades de interrogar.
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