Capítulo 4

1433 Words
P.O.V Melissa Nossos dedos permaneciam entrelaçados, sua cabeça repousava em meu ombro e o único barulho que podiamos ouvir era da minha mãe e o tio Oliver conversando enquanto colocavam as malas na minivan. - Não foi o melhor jeito de contar que está grávida. - ouvi o seu sussurro baixinho. - Não existe melhor jeito para essas coisas.. - desci os meus olhos até as nossas mãos unidas, ficamos daquela mesma forma quando a Katie perdeu o seu pai. - Obrigada por estar aqui comigo. - Eu sempre estarei ao seu lado, Mel.. - Katie ergueu sua cabeça para me olhar nos olhos e por um instante eu esqueci todas as minhas preocupações ao ver aquele sorriso. - E ao lado do bebê. - Não diga isso em voz alta. - cochichei baixinho olhando rapidamente para o lado de fora do carro encontrando minha mãe parada a distância conversando com minha tia Claire. - Quero que durante essa viagem minha mãe esqueça que eu estou grávida. - Pelo jeito que você come por dois, ela não se esquecerá facilmente. - franzi o cenho completamente ofendida com aquela acusação verdadeira, mas que não deixava de ser ofensiva. - Espero que você não esqueça o filtro nessa viagem, eu tenho hormônios loucos que me fariam te matar por qualquer motivo bobo. - ajeitei os óculos sorrindo contente por tê-la intimidado. Sempre existiu essa linha tênue entre eu e a Katie, somos bem próximas e íntimas, mas sinto como se ela sempre estivesse escondendo uma parte de si ou me privando de conhecê-la totalmente, talvez por medo de que eu descubra algo que não goste. Encarei a morena que mexia em seu celular concentrada me perguntando que defeito um ser humano tão incrível como aquele poderia ter. Por isso somos melhores amigas. - Eu vou lá fora ver a minha mãe. - avisei antes de abrir a porta do carro e sair. Caminhei até onde minha mãe estava observando que elas estavam praticamente gritando uma com a outra. - Mamãe? - a chamei incerta enquanto entrava no meio delas. - Para o carro Melissa. - ela murmurou entredentes, e foi só ai que eu reparei que sua pele branquinha estava completamente vermelha e com marcas notáveis de dedo. - Ela bateu em você? - questionei me virando para encarar minha tia que no mesmo instante se calou. - Minha filha, por favor.. - Eu não sou sua filha! - cuspi aquelas palavras dando um passo para trás encostando-me no corpo da minha mãe na tentativa de protegê-la. Não que ela precisasse da minha proteção, mas eu sabia que ela nunca faria nada em relação a Claire por simplesmente achar que estava em divida com ela. Aquilo nunca foi uma relação de amor, era uma dependência tóxica envolvida por carência e culpa. - Você pode morar conosco e achar que a minha mãe ama você, mas ela não ama, no fundo você sabe que ela só se cansou de te dispensar tanto e ela estava cansada demais para cuidar de mim sozinha e achou que eu precisava de você.. - ela arregalou os olhos se sentindo insultada. - mas eu nunca precisei. - virei-me encarando os olhos cansados e vermelhos da minha mãe. - Melissa eu.. - Eu nunca precisei que você se casasse de novo, que você largasse seu emprego como policial, que morasse com uma mulher que não te respeita e que você não ama, e eu sei que nunca disse isso, e que não temos a melhor relação do mundo, mas a única coisa que eu precisei sempre esteve bem aqui. - levei minha mão até o seu coração o sentindo bater rapidamente. - Eu só preciso do seu amor, então pare de se sentir culpada por sei lá o que.. - Você não pode deixar a rebeldia da Melissa influenciar você, em dez anos você finalmente tomou juizo e decidiu se casar comigo.. - minha mãe permaneceu calada aquele tempo todo. Eu sei que ela esteve conosco desde que a minha mãe desapareceu, mas ela nunca se contentou em ser somente uma amiga, ela queria ser o próximo amor da mamãe, e eu não sei como, mas quase 14 anos depois ela conseguiu a promessa de um noivado, e eu não me importaria com isso, se minha mãe estivesse mesmo feliz, mas ela só estava cedendo por medo de ficar completamente sozinha. - Natalie, a Olívia está morta! - ela disparou em falar novamente quebrando o silêncio. - Com certeza o David a usou como bem queria e jogou em um terreno abandonado há.. O som estalado que ecoou a calou rapidamente, observei aquilo em choque. Agora, a Claire tinha um pequeno corte no lábio superior devido a aliança que minha mãe usava naquela mão quando desferiu o tapa. Minha mãe podia ser uma ruiva alta e forte que na tpm ficava muito brava, mas eu jamais a vi como uma mulher que seria capaz de bater em outra, não quando na verdade ela teve muitas chances e preferiu ficar quieta a reagir. - Não ouse mais falar da Olívia. - foi tudo que ela disse antes de segurar no meu pulso e me arrastar para o carro. - Não acredito que sua mãe bateu na sua tia. - Katie falou assim que eu entrei no carro. - Nunca entendi que tipo de relação estranha era essa onde elas não dormem juntas e nem se amam mas estavam prestes a se casar. - Nem eu entendo. - minha mãe murmurou adentrando o carro deixando claro que ouviu tudo, para o desespero da Katie. - Cinto de segurança meninas. - ela pediu calmamente mesmo que sua voz parecesse trêmula. Tio Oliver adentrou o carro e em questão de segundos estávamos na estrada, deixando para trás a tia Claire e seguindo rumo ao grande questionamento da minha vida. Onde está a minha mãe? - Antes de irmos para a Valerie... - Tio Oliver começou a falar. - Eu preciso buscar a minha filha. - Você tem uma filha? - ouvi minha mãe perguntar curiosa, me inclinei um pouco para poder ouvir a conversa deles melhor. - Mas o Daniel... - ela deixou a frase morrer no ar me deixando ainda mais confusa. - Se casou de novo? - Não. - havia tanta dor naquela resposta que eu sentia que jamais poderia entender plenamente o que houve com as pessoas que eu chamava de familia. - Eu só realizei nosso sonho de adotar uma garotinha. - Então eu tenho uma prima? - questionei curiosa, logo vi um grande sorriso dominar seu rosto. - A Emily acabou de fazer 19, ela quer muito ser dançarina ou nadadora profissional. - ele comentou esbanjando orgulho. - Você vai adorar conhecê-la. - Acha que é seguro metê-la nisso? - ouvi minha mãe perguntar baixinho. - Emily é tudo o que eu tenho nesta vida, e eu prometi não ir a lugar nenhum deste mundo sem ela. - eu conseguia sentir em cada palavra o quanto ele a amava, mas também o quanto estava machucado. Talvez esse Daniel tenha sido o amor da vida dele, e se foi, assim como a mamãe. - De toda forma, você está levando duas adolescentes, e aposto que a Valerie não vai deixar a dela para trás.. - Por um momento esqueci que naquele dia ela estava grávida. - e um flash veio a minha mente de repente ao ouvir aquelas palavras. "- Jonh, cadê você? - Valerie gritou ao mesmo tempo que o barulho de tiros ecoava. O perfume do Oliver misturava-se ao cheiro de fumaça, havia sangue por toda parte e ele estava cumprindo sua missão de proteger a filha de suas melhores amigas, ele a segurava com força enquanto Ryan e Natalie estavam posicionados a sua frente com suas armas apontadas. - Pessoal.. - Valerie murmurou baixinho se aproximando em passos tropeçados, seu vestido de madrinha tinha uma crescente mancha de sangue na barriga e seus olhos exalavam desespero. Ryan largou a arma e correu ao encontro dela para segurá-la antes que caisse, e foi ai que em meio ao caos e a gritaria pode-se ouvir mais um disparo. Aquela bala encontrou seu alvo." - Está tudo bem, Mel?- respirei fundo balançando a cabeça para dispersar aquela lembrança r**m, acenei que sim dando-lhe um sorriso na tentativa de convencê-la. - Eu ficarei bem. - levei minha mão até a sua entrelaçando nossos dedos. Eu só precisava entender o por que estava tendo aqueles flashs de memória, e talvez entender toda aquela história para poder compreender as atitudes que minha mãe tomou.
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