CAPÍTULO 05
— Irmão, olha só o que eu comprei! Não é maneiro? — Jordan exibia o sorriso mais largo que James já vira na vida.
— Uau, que belezinha de carro, maninho! Deve ter custado uma nota preta — James comentou, admirando o brilho da lataria.
— Ah, nem tanto. É um esportivo classe A, sempre quis um desses.
— E você conseguiu. Estou muito orgulhoso de você, Jordan.
— Que isso... Vamos dar uma volta? Abriu um café novo aqui perto, podemos pedir para viagem. Eu sei que meu maninho adora um cappuccino gelado — Jordan brincou, dando uma cotovelada no irmão.
— Engraçadinho... Está bem, vamos lá.
Ao chegarem ao estabelecimento, James desceu do carro primeiro.
— Vou lá dentro fazer os pedidos, você me aguarda aqui fora?
— Claro. Não esquece o gelato! — Jordan riu, aumentando o som do rádio.
James deu um tapinha afetuoso na cabeça do irmão e entrou no café. Enquanto aguardava no balcão, ele observava pelo vidro. Jordan estava radiante, cantando e dançando sozinho dentro do carro novo. James sorriu; ver a felicidade do irmão era sua maior conquista.
— Seu café, senhor — disse a atendente.
— Obrigado.
James pegou os copos e saiu. Enquanto caminhava em direção ao veículo, ele entrou na brincadeira, levantando os cafés e acompanhando o ritmo da música que Jordan ouvia, até que... o mundo explodiu.
Um clarão ensurdecedor transformou o carro em uma bola de fogo instantânea. Estilhaços de vidro e metal voaram como projéteis em todas as direções. James foi arremessado para trás com violência, o impacto roubando seu fôlego e sua consciência por breves segundos. Caído no chão, com os ouvidos zumbindo e a visão turva, ele olhou para as chamas que consumiam tudo o que ele amava.
— JORDAN! — o grito rasgou sua garganta, mas o som foi abafado por um bipe persistente.
Biip... biip... biip...
James despertou sobressaltado, desligando o despertador do relógio com um movimento brusco. Ele permaneceu sentado na beira da cama, o suor frio escorrendo pelo rosto. Cobriu o rosto com as mãos, imerso no silêncio do quarto, tentando expulsar a imagem do carro em chamas de sua mente.
Na sede da SION, a rotina não dava trégua. A agente Ana continuava mergulhada nos arquivos do Projeto Katana, buscando qualquer rastro que levasse ao paradeiro do componente roubado.
— Bom dia — disse James, aproximando-se com o semblante cansado.
— Bom dia! — Ana o avaliou com preocupação. — Tudo bem? Como está o ferimento?
— Já está um pouco melhor. Alguma novidade sobre o composto?
— Ainda na mesma. Existe um bloqueio criptografado impedindo o acesso aos dados mais recentes, mas o Neytan conseguiu rastrear algumas chamadas feitas da base de Nevada horas antes do ataque.
— Pelo menos um de nós está tendo êxito — murmurou James.
Enquanto conversavam, Neytan estava em uma sala reservada, cruzando as coordenadas das ligações com o banco de dados da Interpol. Ele estava inquieto. "Por que a Katana se envolveria em um roubo de patentes? Isso não faz sentido", pensava ele.
Seu telefone tocou. Era a Dra. Norma.
— Bom dia, agente Neytan.
— Dra. Norma, bom dia. No que posso ajudá-la?
— Recebi o relatório de que os agentes obtiveram êxito no resgate das crianças. Meus parabéns.
— Na verdade, o mérito é do agente James. Foi ele quem as localizou e garantiu a segurança delas.
— Sim, compreendo. Mas não liguei apenas para elogios. Quero informar a equipe sobre sua nova diretriz.
— Nova diretriz? Mas como assim? Nós ainda não terminamos aqui...
— A missão de vocês em Nevada foi encerrada por ordens superiores — a voz da Dra. Norma era final e fria. — Retornem para Streetveel imediatamente e preparem-se para a próxima. Aguardo vocês na agência para esclarecer todos os detalhes.
A ligação foi encerrada, deixando Neytan perplexo. Sem escolha, ele reuniu a equipe e retornou à cidade. Após o pouso, James se despediu rapidamente, precisando de espaço, enquanto Ana e Neytan seguiram para seus apartamentos para um descanso necessário da longa viagem.
Do outro lado de Streetveel, escondida nas profundezas da floresta, erguia-se uma fortaleza impenetrável. Prédios de concreto secreto, cercas eletrificadas e câmeras de alta tecnologia protegiam o local. Mas, entre as sombras das árvores, um invasor mascarado com trajes de última geração se movia de forma quase invisível.
Dentro da base, um guarda anunciou na sala de um homem poderoso:
— Chefe, ela chegou.
— Mande-a entrar — ordenou a voz masculina e misteriosa.
A porta se abriu para Katana.
— Seja bem-vinda de volta. Fez um ótimo trabalho, apesar dos imprevistos com os agentes.
— O componente foi recuperado com sucesso — respondeu ela, em tom sério.
— Por isso confiei esta missão a você. O Conselho ficará satisfeito. Agora vá descansar, Katana. Por hoje é só.
Ela fez uma leve reverência e se retirou. Ao caminhar pelos corredores iluminados por luzes azuis e vermelhas, Katana sentiu algo. Um leve deslocamento de ar. Uma presença que não deveria estar ali. Ela olhou pelo canto do olho enquanto avançava pela encruzilhada de corredores.
O invasor, escondido no topo de uma coluna, desviou o olhar para digitar algo em seu visor de pulso, mas quando voltou a olhar... ela havia sumido.
— Achei você! — a voz de Katana surgiu do silêncio, logo atrás dele.
O mascarado arregalou os olhos e saltou da coluna, escapando por milímetros da lâmina da espada. Ele era habilidoso, usando duas facas de energia como escudo para bloquear os ataques frenéticos de Katana. O invasor ativou a camuflagem de invisibilidade e desferiu uma sequência de golpes carregados com choques elétricos.
A dor das descargas elétricas disparou gatilhos na mente de Katana. Ela se viu novamente criança, sendo castigada em seus treinamentos implacáveis. Cada choque era uma lembrança de seu antigo mestre. O invasor aproveitou sua hesitação e desferiu um chute potente, lançando-a longe.
— Pensei que a famosa Katana fosse mais forte — debochou o invasor, com a voz distorcida.
“Levante-se, garota fraca!”, a voz de seu mestre ecoou em sua memória, trazendo à tona uma fúria incontrolável.
Nesse momento, uma onda de energia invisível emanou violentamente do corpo de Katana. O impacto de seu poder meta-humano foi imediato: as lâmpadas do corredor estouraram simultaneamente e o sistema do traje do invasor entrou em curto-circuito. A camuflagem de invisibilidade fritou e falhou brutalmente, deixando-o visível e vulnerável.
O mascarado recuou, mas em um piscar de olhos, Katana ressurgiu à sua frente. Seus olhos haviam mudado: o castanho desaparecera sob um azul vibrante e luminoso, brilhando com uma intensidade mortal.
Ela ergueu a espada, a ponta encostada na garganta do homem.
— Aonde pensa que vai?