CAPÍTULO 02 — DIMITRI

2494 Words
Foram doze anos de espera desde que eu recuperei a menina perdida, cuidando de que crescesse saudável e longe do mundo. Allura está destinada a mim, e por mais que eu a odeie, ela precisa ser preparada para ser minha e estar a altura do que eu planejo para ela. Por isso, eu pago a Joe o salário para ele e também para prover uma boa dieta a ela. Também é ordenado que as roupas sejam justas o suficiente para afinar sua cintura. Também não quero que trabalhe no campo, causando manchas de sol e envelhecimento da pele. Enfim, nas sombras eu preparei Allura para esse momento. Agora, estou frente a frente com ela. — Dimitri Black, é um prazer, Allura. — Eu sorrio, por finalmente conhecer a minha presa. Sim, Allura é bonita, realmente bonita. Até mais do que nas fotos que eu recebia anualmente a cada aniversário para acompanhar a sua evolução, e só conseguia sentir raiva. Eu ouvi coisas sobre a mãe dela ter sido a mulher mais bonita que já pisou na Black, mas acho que isso está prestes a mudar por causa da sua filha. É bem desarrumada, os cabelos precisam de um pouco de cuidado, a franjinha a deixa muito infantil ainda, o rosto limpo a deixa com cara de menina. Mas os olhos verdes são um golpe forte, assim como os lábios marcados. O rosto dela é um conjunto perfeito, o nariz fino, assim como o desenho em suas maçãs. — Obrigada... por isso. — Ela parece um animalzinho assustado, abraçando os joelhos, o rosto baixo e trêmula. A voz dela também está falhando e posso perceber sua respiração acelerada. Realmente estou me divertindo mais do que eu esperava. Quando enviei esse homem para ataca-la, eu não avisei que essa seria a última missão dele e que eu o mataria, é claro. Eu não quero que ninguém que não seja do meu mundo saiba algo relacionado a Allura e permaneça vivo para arriscar os meus planos, por isso dei o golpe fatal no seu pomo-de-Adão. Joe foi instruído a quando enviar Allura diretamente para a minha ratoeira. — Não tem de quê. — Estendo as mãos para ela, que me olha timidamente, pensando em se deve mesmo me tocar ou não. — Eu vou te ajudar, venha. A menina – pois é isso que vejo que ela é ainda – engole seco e estende as mãos até as minhas. Não preciso de esforço para levanta-la, deixando Allura de pé bem em minha frente. Finalmente, eu encaro a ultima Costello viva, sabendo que eu serei quem vai colocar fim a essa descendência maldita que tem culpa na morte do meu irmão. Mas por que ela tinha que ter olhos tão grandes e bonitos? Eu sou um homem que viveu tendo as mulheres mais bonitas de vários países em minha cama, e elas tiveram o privilégio de ter prazer comigo. Allura não é em nada o tipo de mulher que eu gosto, aquelas sem nenhuma vergonha, verdadeiras putas. Não, ela é apenas uma menina inocente que só conheceu três pessoas sua vida inteira, e agora eu. — Ele vai ficar bem? — Aponta com a cabeça de forma engraçada para o homem morto ao nosso lado. — Sim, eu só o coloquei para dormir um pouco. — Minto. — Mas você não deveria se preocupar com isso, ele é uma má pessoa, tentou fazer m*l a você. Por que se preocupar se ele vai ficar bem? — Claro que ele deve pagar por ter tentado se aproveitar de alguém que não tinha como se defender contra ele, mas ainda é uma vida. Vidas são importantes, Sr. Dimitri, é uma dádiva. Nós não temos o direito de decidir quem vive ou morre, não importa se for alguém que nos fez m*l ou não. — Seu modo de pensar me faz achar graça até, sorrindo de leve. Pobre garota, ela não faz ideia de quem está em sua frente agora. Eu sou o juiz e o carrasco, eu decido e eu mato pessoas, é para isso que eu fui preparado. Vidas não significam nada para mim, nenhuma, qualquer pessoa que eu poderia me importar está morta. Agora, não há lei que me prenda. — É um bom ponto. — Com os lábios curvados, eu assinto falsamente. — Mas o que você fazia aqui sozinha? — Eu preciso buscar algumas coisas que o meu tio encomendou no limite do campo, mas não é perigoso aqui, nunca ninguém entrou. — Uma ruga de confusão adorna sua testa. — Não sei de onde ele saiu. — Esse tipo de gente está em todo lugar. — De onde você saiu? — Só então ela percebe. — Eu estava de passagem, precisei cortar caminho mas meu carro acabou emperrando e eu continuei a pé tentando achar a pista para conseguir carona e então... Eu ouvi os seus gritos. — É muito fácil engana-la. — Entendi. — Une os pontos falsos que eu dei. — Posso acompanhá-la até o seu destino? Só por precaução, não é bom uma moça como você andando sozinha em um lugar tão deserto. Seu tio não deveria tê-la mandado. — Finjo preocupação. — Como eu disse, é seguro aqui. — Finjo estar entristecido, dando a minha melhor atuação até ela me encarar arrependida de suas palavras. — Mas... se o senhor quiser, eu... será um prazer ter a sua companhia. — Mostre o caminho então. — Sorrio para ela e Allura cora, ficando com o rosto inteiramente avermelhado. Outra coisa que me diverte é como ela olha para mim como se estivesse encantada, fazer Allura se afeiçoar a mim – e até mais que isso – sempre foi o meu plano. Mas eu não sabia que seria tão fácil. Seu rosto corado, sua respiração, os tremores, seu olhar de quem está vendo um príncipe encantado, a menina já me vê como um anjo. É claro que eu preciso observa-la, eu sou um homem exigente para algumas coisas porque eu posso e mereço. Quando toquei as mãos de Allura eu percebi que são finas e macias, me fazendo ter pensamento impuros – é para isso que ela não trabalha mesmo morando no campo. Sua pele é impecável, seu sorriso e dentes são milimétricos e a boca dela é o mais sensual que ela tem. Os olhos de gatinha, são ao mesmo tempo que grandes e penetrantes, assustados e dóceis. Sua cintura realmente se tornou bem fina e ela tem belas pernas, eu consegui ver antes dela abaixar o vestido que o agressor que eu enviei levantou. Isso nem mesmo será um trabalho para mim, com certeza, mas quando eu acabar com Allura, ela já estará morta antes de eu faze-la dar o último suspiro. — Você tem um terno muito bonito, senhor. — Obrigado, Allura. — Ela abaixa a cabeça como se tivesse dito algo pornográfico, me fazendo achar graça novamente. Allura é como uma criança de cinco anos ainda, é pura, ingênua e alguém que não sabe exatamente como ter uma conversa normal além de com o homem que ela acha que é tio dela e sua esposa. Seus passos ao meu lado são contidos e a forma que ela sempre encara o chão e o caminho que seus pés fazem, a tornam ainda menor ao meu lado. Tenho um e noventa e sete de altura e ela, eu acredito que passe um pouco de um e sessenta. — De nada. Perdoe-me se eu fui intrometida por falar isso, eu só nunca vi ninguém vestido assim. — Ela nunca viu nenhum outro homem além do tio, quanto mais. Meu Vanquish é de cor azul marinho, realçando a cor dos meus olhos. Não uso outra marca de terno além dessa, são meus preferidos e ao meu ver, os que melhores se alinham ao meu corpo. Tenho coleções e mais coleções deles – todos em cores escuras, é claro. Eu não permiti que ela tivesse celular ou assistisse televisão, eu não queria que ela visse imagens de outros homens. Allura tinha acesso apenas a histórias, romances escritos. Isso porque eu queria que ela não tivesse um parâmetro pelos homens que assistisse, eu queria que quando ela me visse, ligasse a mim aos heróis românticos que ela leu – e parece que funcionou. — Não é nada demais, isso não seria intromissão, acho que a palavra que procura seria impertinência e não intromissão. Mas você não fez nenhuma das duas, Allura, você apenas foi gentil. — Ela me olha de relance, sorri, e logo desvia os olhos novamente. — Nem sempre eu tenho tempo de praticar o uso de algumas palavras. — O que quer dizer? — Continuo o meu show como se não soubesse nada da sua vida. — Eu nunca fui a escola, e nem saí dos limites dessa casa e esse terreno que é nosso é tudo que conheço. Na verdade, eu nunca conheci ninguém além dos meus tios e agora... você e aquele homem. — Fala de sua vida a um estranho, realmente coisa de uma menina que não conhece o mundo. Allura acabou de quase ser abusada, está com outro homem ao seu lado que ela não conhece nem há dez minutos, e mesmo assim age como se estivesse em total segurança. — Como assim, Allura, como alguém pode viver assim? — Eu a questiono, continuando a boa atuação. — Há pessoas más no mundo, eu sei, algumas delas querem me machucar como você viu. Isso é para a minha proteção. Além disso, não é nada m*l, meus tios são muito boa gente. — Dá de ombros, me olhando e sorrindo para garantir o quanto ela ama esses tios. Sim, eu vejo que Allura os vê realmente como sua família, a única que ela tem. Até sorrio, claro que ela acha que meu riso é porque eu aprovei sua resposta mas na verdade é por pensar em tudo que vem por aí. Isso é simplesmente a coisa mais fácil que já fiz e eu realmente estou e******o em destrocar esse cordeirinho como um lobo faria. — Entendo. Mas também há coisas muito boas no mundo, você não pode viver para sempre aqui com medo da vida. Você mesmo disse que a vida é preciosa, acha que não viver de verdade é uma forma de demonstrar isso? —Aguardo ansioso sua resposta. Caminhamos lado a lado por cerca de dez minutos até finalmente sairmos dos caminhos onde há as árvores e voltar ao sol. Aqui dá em uma pequena vizinhança onde as casas são bem afastadas uma da outra e uma cerca rodeia todo o território que comprei para Joe e Julia criarem Allura em secreto. — Eu não acho que estou perdendo muita coisa, a gente não perde algo que nunca teve. Se eu não sei como é, não me faz falta alguma. — Para uma garota que cresceu como ela, até que seu raciocínio não é tão r**m. — Ali está! — Aquela mulher? — É uma camponesa com uma cesta na mão que espera do lado de fora do limite da cerca. Esse deve ser o motivo que o velho arrumou para enviar Allura e eu estou curioso. — Sim, acredito que sim. — Allura começa a parecer desconfortável. — É estranho, eu nunca... — Nunca falou com ninguém além dos seus tios? — Completo, já sabendo a resposta. Ela acena com a cabeça, parando de caminhar quando falta apenas alguns passos, a mulher nos assiste com certeza ansiosa para sair logo desse sol e Allura congelou. — Eu poderia resolver para você, mas não vou. Você pode lidar com isso, Allura. — E se eu fizer algo de errado? — Estamos um frente ao outro, e ela levanta os olhos que mais parecem duas lindas esmeraldas. Tudo bem, é normal eu notar a beleza feminina. Eu sou um homem hétero, p***a! Não me surpreende em nada eu querer f***r essa boquinha de Allura e ver como ela ficaria linda me encarando com esses olhos sensuais com meu p*u na sua garganta. Mas, por enquanto eu preciso manter as aparências, Allura precisa continuar me vendo como um anjo. — Você está conversando comigo faz longos minutos. — Raciocino. — Eu não tive muita escolha, foi uma coincidência. — Claro, uma enorme coincidência preparada por mim. — Caso fosse preciso eu caminhar até você para falar algo, eu nunca o faria. — Isso me ofende. Você não gosta do que vê o bastante para iniciar uma conversa? Eu te assusto tanto assim, Allura? — Firmo os olhos nos dela, estreitando as sobrancelhas de um jeito que a faz visivelmente reagir, os olhos ficam maiores e ela lubrifica os lábios, apertando as coxas fazendo o vestido franzir entre as pernas. — Não faça isso, senhor. — Abaixa o olhar. — Você consegue, menina. — Novamente, seguro o queixo fino e ergo seu rosto para que olhe para mim. Allura me olha como uma criança que precisa de proteção. Infelizmente, ela é a criança Costello e seu sangue a transforma imediatamente em uma inimiga. — Basta falar com ela e ela irá te dizer o que fazer. Ela acena com a cabeça, respira fundo e eu afasto minha mão dela depois de fazer uma leve carícia com o polegar apenas para sentir mais um pouco da pele tão macia que quase parece de uma recém nascida. Trêmula, ela vira lentamente em direção a mulher e começa a caminhar. Seu traseiro também é lindo, devo admitir, bem firme e arredondado. Sorrio assistindo ela se afastar e cumprimentar a mulher de forma tímida, mas logo recebe a cesta em sua mão e sorri. A conversa dura apenas alguns segundos e Allura volta até mim com um sorriso orgulhoso nos lábios. — Isso cheira bem. — Com certeza é algo de comer, mas não consigo ver pois está coberto por um pano. — E viu? Você foi ótima e corajosa, parabéns. — Obrigada, de verdade. Eu realmente só tenho a agradecer a você, se não tivesse chegado... meu aniversário de dezoito anos teria se tornado um inferno. — Ele é, Allura só não sabe ainda. — Estou contente por ter chegado a tempo e meu carro ter quebrado, e feliz aniversário, Allura. Espero que coisas muito boas entrem na sua vida a partir de hoje. — Boas para mim. — Amém. Obrigada novamente. — Sorri, acenando com a cabeça. — Isso é para a comemoração a noite, eu gostaria de poder te convidar, mas meu tio não gosta que eu fale com estranhos. Já te expliquei, ele tem medo que alguém faça m*l a mim e não gostaria disso. — Não tem problemas, eu estou feliz em conhecer apenas você. Sobre isso, eu posso deixar de ser um estranho se você permitir. — O que quer dizer? — Apesar dela tentar conter, não consegue esconder uma certa empolgação na voz. — Eu gostaria de ver você outra vez, Allu, você gostaria de me reencontrar?
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