Lívia Monteiro Quando entrei em casa, o silêncio parecia pesar mais do que o salto alto que eu tirava ao passar pela porta do meu quarto. Talvez Henrique já estivesse dormindo. Ou talvez nem estivesse em casa. E, sinceramente? Eu não estava com cabeça para saber. Larguei os sapatos no canto e respirei fundo. Fechei os olhos por um instante, apoiando-me na porta. Merda. Eu quase deixei acontecer. Quase permiti que Diego me beijasse. E o pior? Eu queria. Queria o beijo. Queria muito mais do que isso. A minha pele ainda carregava o calor do toque dele. O cheiro do perfume amadeirado dele parecia impregnado em mim — eu não conseguia parar de sentir o cheiro dele, era como se estivesse impregnado no meu nariz. Balancei a cabeça, tentando afastar aquele turbilhão. Nada entre a gente pode

