Rocco Narcici Ela está parada na porta. Sabrina. Eu olho para ela sem expressão nenhuma e, pela primeira vez desde ontem, não sinto aquela fúria quente que queimava e que percorreu nas veias. Não sei se é o cansaço acumulado, se é o remédio que ainda circula no meu sangue ou se o meu corpo simplesmente desistiu de reagir. Tudo em mim está exausto. Os músculos pesam, a cabeça lateja, e o meu coração parece funcionar num ritmo estranho, como se estivesse atrasado em relação ao resto do mundo. A minha primeira vontade é dizer não. Um não simples, curto, definitivo. Não quero ouvir. Não quero reviver. Não quero mais nada vindo dela. Mas antes que qualquer palavra saia da minha boca, ela entra. — Rocco… eu ainda preciso falar algumas coisas. A voz dela soa baixa, quase quebrada. Não há

