Capítulo 13

794 Words
Rick Dowson A lua alta no céu prateava a trilha que levava ao coração do meu território. Cada passo era mais pesado que o anterior, como se a própria terra tentasse me deter. Mas essa conversa precisava acontecer. A floresta ao redor estava silenciosa demais, como se estivesse prendendo a respiração, aguardando as palavras que seriam ditas. Ao me aproximar do centro do território, avistei meus betas reunidos. A tensão no ar era densa, carregada de expectativa. Meus guerreiros sentiam que algo estava errado eu via isso nos olhos deles, na forma como seus corpos estavam rígidos, prontos para reagir ao menor sinal de perigo. Darius, meu braço direito e beta mais velho, deu um passo à frente. Seu olhar afiado encontrou o meu. — Alfa. — Sua voz era grave, carregada de preocupação. — O território está inquieto. Ouvimos rumores sobre uma força sombria se aproximando. Meus olhos percorreram os rostos ao meu redor. Homens e mulheres que lutaram ao meu lado incontáveis vezes, que sangraram por esta alcateia e estavam prontos para fazer isso de novo. Mas eu não podia permitir. — Estamos enfrentando algo que vai além da nossa compreensão. — Minha voz ecoou pelo espaço aberto. — Uma força que não pertence a este mundo. Um murmúrio se espalhou entre eles, um sussurro de medo e incredulidade. Antes que o pânico se espalhasse, ergui a mão, impondo silêncio. — Quero que fiquem fora disso. A declaração caiu como um raio. — Fora disso?! — Lila, uma das betas mais jovens, deu um passo à frente, os olhos faiscando de revolta. — Alfa, somos sua alcateia. Sua força! Como pode nos pedir para recuar? Darius apertou os punhos ao lado do corpo, seus músculos retesados como um lobo prestes a atacar. — Lutar ao seu lado é nosso dever. Proteger você é nosso instinto. Eu inspirei fundo, sentindo o peso dessas palavras. Eles estavam certos. Sempre estivemos juntos. Sempre fomos uma unidade inquebrável. Mas desta vez… não se tratava de uma batalha comum. — Eu sei o que vocês sentem. — Minha voz saiu mais contida, mas ainda firme. — Mas esse inimigo… ele não pode ser ferido. Ele não sangra, não sente dor. É feito de sombras vivas, movendo-se entre as trevas como um veneno invisível. Um calafrio percorreu os presentes. — Então vamos aprender a lutar contra isso! — Lila insistiu, sua respiração acelerada. — Não podemos simplesmente assistir enquanto você enfrenta isso sozinho! — Não é uma escolha. É uma ordem! — Rosnei, sentindo meu controle escorregar por um instante. O silêncio se instalou como uma tempestade prestes a explodir. Darius me observava atentamente, percebendo a hesitação oculta por trás da minha postura rígida. — Você está com medo. — Ele afirmou, sem rodeios. Minha mandíbula se contraiu. Sim, eu estava com medo. Não por mim, mas por eles. — Não vou deixar que essa coisa tome vocês. Se as sombras tocarem um de vocês… — fechei os olhos por um segundo, revivendo os gritos, o cheiro de carne queimando no escuro. — Não há volta. Um nó se formou na garganta de Lila, mas ela manteve a postura desafiadora. — Então lutamos juntos. Até o fim. Meu coração martelava dentro do peito. Eles eram minha família. Minha alcateia. Mas será que dessa vez, meu amor por eles se tornaria sua sentença de morte? Os murmúrios cresceram ao meu redor, carregados de incerteza e inquietação. Mas eu mantive minha postura firme, minha voz cortante como lâmina. — Vocês são minha família. Minha alcatéia. — Deixei as palavras pesarem no ar antes de continuar. — E, como alfa, minha primeira responsabilidade é proteger cada um de vocês. Não vou arriscar suas vidas contra algo que não podem derrotar. O silêncio foi instantâneo. Mas durou pouco. — E você? — Darius quebrou a tensão, sua voz grave, mas mais baixa agora. Seus olhos estavam fixos em mim, buscando respostas que eu ainda não sabia se queria dar. — Vai enfrentar isso sozinho? Minha mandíbula se contraiu. — Não estou sozinho. — Respondi, minha voz firme. — Tenho alguém ao meu lado. Alguém que entende o que estamos enfrentando. Lila franziu a testa, desconfiada. — Quem? Soltei o ar devagar antes de pronunciar o nome que mudaria tudo. — Ayla. O nome dela percorreu o círculo como uma onda. Alguns olharam uns para os outros, confusos. Outros, receosos. Os murmúrios se intensificaram, carregados de desconfiança. — Você está falando da forasteira? — Lila estreitou os olhos. — A mesma mulher que apareceu do nada, envolvida em mistérios e escuridão? Antes que a tensão aumentasse, Darius ergueu a mão, impondo silêncio. Ele não desviou o olhar de mim quando perguntou: — Então, você confia nela? Sem hesitar, respondi: — Com minha vida.
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