Rick Dowson
A declaração fez o ar se tornar pesado. O olhar de Darius encontrou o meu, avaliando minha convicção. O silêncio entre nós durou segundos intermináveis, cada um repleto de dúvida e lealdade posta à prova. Então, finalmente, ele assentiu.
— Então confiamos também.
Lila soltou um suspiro exasperado, mas, após um momento de hesitação, deu um passo para trás, se unindo aos outros.
— Se essa é sua ordem, Alfa, vamos obedecer.
Mesmo com a aceitação relutante, senti o peso esmagador da responsabilidade sobre meus ombros. Eu sabia que eles não estavam felizes com essa decisão. Mas também sabia que era o único caminho possível.
Meus olhos percorreram cada rosto ali. Guerreiros. Amigos. Família. Eles dariam suas vidas por mim se eu permitisse. Mas não permitiria.
— Obrigado. — Minha voz era mais baixa agora, mas ainda carregada de comando. — Protejam o território. Se algo acontecer comigo, vocês precisam continuar. A alcatéia deve sobreviver.
Por um momento, ninguém se moveu. Então, um a um, eles assentiram. A lealdade estava ali. Mas junto dela, a incerteza de um futuro que nunca esteve tão sombrio.
Eu apenas esperava que estivesse certo sobre Ayla.
Porque, se não estivesse, tudo que construímos estaria prestes a desmoronar.
Darius colocou a mão no peito em um gesto de respeito, e os outros betas o imitaram.
— Vamos proteger o território, Alfa. Você tem nossa palavra.
Assenti, mas o peso daquela promessa se instalou em meu peito. Eu sabia que, apesar da lealdade inabalável, meus betas não estavam felizes com minha decisão. Especialmente Lila.
A noite estava mais densa, o ar carregado de uma tensão que parecia vibrar entre as árvores. Enquanto me preparava para sair do território da alcateia, senti o olhar dela queimando em minhas costas. Era impossível ignorar.
— Alfa!
A voz firme de Lila me fez parar no mesmo instante. Virei-me lentamente para encará-la.
Ela estava parada ali, os olhos faiscando uma mistura de raiva e preocupação.
— O que foi, Lila? — perguntei, mantendo minha paciência sob controle.
Ela deu um passo à frente, ciente de que todos os outros betas observavam, mas sem ousar intervir.
— Você está indo se sacrificar por alguém que nem faz parte da nossa alcateia. Uma estranha.
Seu tom não era apenas de discordância. Havia algo mais. Algo profundo. Algo que ela nunca teve coragem de dizer em voz alta.
Sustentei seu olhar e respondi sem hesitar:
— Ayla não é uma estranha. Ela é parte disso, Lila. Parte de algo maior do que nós.
Os olhos dela brilharam por um instante, mas não de compreensão. De dor.
— Ela não é parte de você. Não como eu sou.
O impacto daquelas palavras fez o silêncio pesar ao nosso redor. Era a primeira vez que ela falava tão abertamente. Mas Lila não recuou.
— Você vai se matar, Rick. — Sua voz agora era um sussurro carregado de emoção. — Vai enfrentar essas sombras por alguém que m*l conhece, enquanto aqueles que sempre estiveram ao seu lado são deixados para trás.
O murmúrio entre os outros betas se intensificou, mas ninguém ousou se aproximar. Eles sabiam que aquela conversa era apenas entre mim e ela.
— Você terminou? — perguntei, minha voz calma, mas carregada de firmeza.
Ela hesitou por um segundo, mas balançou a cabeça.
— Não. Porque você precisa entender… Eu faria qualquer coisa por você, Rick. Qualquer coisa. Mas você está escolhendo protegê-la em vez de proteger a nós.
Minhas garras ameaçaram emergir, não de raiva, mas pela tensão crescente dentro de mim. Minha paciência estava se esgotando, mas algo em suas palavras me atingiu. Não era apenas ciúme.
Era medo.
— Lila. — Minha voz baixou, tornando-se um rosnado carregado de autoridade. — O dever de um Alfa é proteger o que é importante. E, neste momento, Ayla é parte disso.
Ela piscou, surpresa com minha sinceridade.
— Não porque eu a escolhi acima de vocês… — continuei, avançando um passo em sua direção — mas porque ela é a chave para salvar tudo o que conhecemos.
Por um instante, vi o conflito em seu olhar. Mas antes que ela pudesse responder, deixei meu tom ainda mais frio, cortante como lâmina.
— E mais uma coisa. Não quero ouvir mais nada sobre isso. Não questione minha decisão novamente.
Os olhos de Lila se encheram de lágrimas, mas ela manteve a cabeça erguida, sua teimosia resistindo até o último instante.
— Sim, Alfa. — Sua voz saiu firme, mas carregada de emoções que ela tentava desesperadamente esconder.
Virei-me, afastando-me sem olhar para trás. Ignorei os olhares dos outros betas enquanto deixava o território da alcateia e mergulhava na escuridão da floresta.
Mas, mesmo enquanto meus pés seguiam o caminho até Ayla, as palavras de Lila ainda ecoavam na minha mente.
Ela não estava completamente errada.
Eu estava me colocando em risco por algo que parecia impossível. Mas não havia escolha. O lobo dentro de mim rosnava de aprovação, porque ele sabia o que Ayla significava. Mesmo que minha alcateia ainda não pudesse ver.
Mas uma dúvida persistia, rastejando pelas sombras da minha mente:
Se eu falhasse… quem protegeria minha alcateia?