Capítulo 12 : À Beira do Controle

1147 Words
Draco A verdade é que eu nunca me permiti desviar do foco. Poder. Controle. Dinheiro. Tudo isso era o que sempre me impulsionou, a única coisa que fazia sentido. Não havia espaço para distrações, muito menos para sentimentos que enfraquecessem meu julgamento. Eu nunca fui um homem que se deixasse levar pela emoção. Mas com Camille… as coisas começaram a mudar, e isso me irritava profundamente. Ela tinha algo. Um magnetismo que eu não conseguia ignorar. Desde o primeiro momento em que coloquei os olhos nela, havia algo diferente. Não era apenas sua aparência, embora fosse impossível negar sua beleza. Camille carregava mistério em cada gesto, em cada palavra que pronunciava com aquela voz suave, mas carregada de segundas intenções. Era como se ela sempre estivesse jogando um jogo, um jogo perigoso, e eu… estava começando a me deixar envolver. Eu ficava observando-a de longe, analisando cada movimento, tentando decifrar o que ela realmente queria. Era sempre assim: quando alguém novo entrava na Rocinha e chamava atenção demais, eu fazia questão de manter um olhar atento. Não confiava em ninguém que não estivesse sob meu controle total. E Camille, com seu jeito dissimulado, me deixava alerta. Mas quanto mais eu tentava me afastar, mais eu me via atraído por ela. Cada vez que ela sorria de leve, como se soubesse de algo que eu não sabia, eu sentia meu sangue ferver. Não de raiva, mas de uma excitação que eu não reconhecia. A tensão entre nós era palpável, e eu sabia que ela sentia o mesmo. Podia ver isso no brilho de seus olhos, no jeito que ela sustentava meu olhar, como se estivesse desafiando meu poder. Ela não tinha medo de mim. Ou, se tinha, escondia isso bem demais. E era isso que me fascinava. A falta de medo. Em um mundo onde todos caminhavam na ponta dos pés ao meu redor, Camille se movia com uma confiança silenciosa que me desconcertava. Ela sabia que eu desconfiava dela, sabia que eu estava sempre de olho, mas mesmo assim, agia como se estivesse no controle. Isso me irritava, e ao mesmo tempo, me intrigava. Havia momentos em que eu me pegava pensando nela mais do que deveria. Sozinho no meu escritório, as luzes da favela piscando pela janela, eu ficava imaginando o que passava pela cabeça de Camille. Quem era ela, de verdade? Quais eram seus segredos? E por que, mesmo sabendo que ela podia ser um risco, eu não conseguia simplesmente cortá-la da equação? Eu tentava me convencer de que era apenas estratégia, que minha atenção sobre ela era puramente racional. Ela estava se aproximando demais dos meus irmãos, e isso exigia que eu mantivesse um olho atento. Damon, com sua frieza habitual, desconfiava dela também, mas Dante… Dante era facilmente enfeitiçado. Ele já estava caindo na rede de Camille, e isso me deixava ainda mais em alerta. Mas, ao mesmo tempo, uma parte de mim queria entender o que havia de tão irresistível nela, o que fazia com que até eu, que sempre mantive o controle absoluto sobre minhas emoções, começasse a vacilar. Eu a observava. Cada gesto, cada palavra que ela trocava com os outros, cada vez que ela passava por mim com aquele olhar cheio de segredos. Eu via quando ela ria, quando falava com os homens ao nosso redor, e o modo como todos pareciam ser atraídos para ela, como se ela tivesse algum tipo de feitiço sobre eles. Isso me irritava, porque não podia haver ninguém no meu território que não estivesse sob minha completa vigilância. Mas havia mais do que isso. Eu não queria apenas vigiá-la. Havia algo mais profundo. Um desejo que eu não queria admitir. Eu queria tocá-la, queria saber como seria sentir sua pele sob minhas mãos, queria ouvir sua voz murmurando meu nome ao invés de todas aquelas respostas evasivas. Eu queria dominá-la, mas havia algo em Camille que me fazia pensar que talvez ela não se deixasse dominar tão facilmente. E isso apenas aumentava meu fascínio. Houve uma noite, algumas semanas atrás, em que quase cedi a essa atração. Estávamos em um dos terraços que dava vista para a favela. A lua iluminava tudo com um brilho frio, e Camille estava ali, parada perto da grade, olhando para as luzes abaixo como se estivesse perdida em seus próprios pensamentos. Eu me aproximei, sem fazer barulho, como sempre. Ela sabia que eu estava ali, claro. Podia ver a tensão em seus ombros, o jeito como ela se preparou, mas não se virou para me olhar. Não imediatamente. – Você parece sempre observar as coisas de longe – disse ela, sua voz baixa, quase um sussurro. – Preciso garantir que tudo esteja sob controle – respondi, minhas palavras escolhidas cuidadosamente. Eu nunca falava demais. Com Camille, menos era mais. Ela se virou então, seus olhos encontrando os meus, e por um momento, houve algo diferente ali. Um brilho, uma faísca que eu não reconhecia em ninguém mais. Não era medo, não era reverência. Era algo que se parecia mais com desafio. – Você acha que pode controlar tudo, Draco? – ela perguntou, um sorriso leve nos lábios, como se estivesse me provocando. – Até mesmo o que você não entende? Meu coração acelerou, e por mais que eu odiasse admitir, ela estava me afetando. Ela estava mexendo comigo de um jeito que ninguém jamais fez. Eu podia ver isso claramente agora. Camille era diferente. E por mais que eu soubesse que deveria mantê-la à distância, algo dentro de mim queria puxá-la para perto. Mas não podia. Não ainda. Eu dei um passo para trás, deixando o ar frio da noite cortar a tensão entre nós. – Eu entendo mais do que você imagina – respondi, minha voz controlada, apesar do calor que queimava sob a superfície. Ela apenas sorriu novamente, aquele sorriso que me deixava mais desconcertado do que qualquer outra coisa. – Veremos, Draco – murmurou, antes de voltar seu olhar para as luzes da favela. Eu saí dali logo depois, mas aquela noite ficou comigo. Fiquei com a sensação de que algo havia mudado, que a dinâmica entre nós estava se transformando em algo que eu não tinha previsto. E isso, por mais que eu tentasse ignorar, me deixava inquieto. Agora, enquanto continuo observando-a, sei que a atração que sinto por Camille não vai desaparecer. Ela é um mistério que eu quero desvendar, uma ameaça que eu preciso manter por perto para controlar. Mas há uma linha tênue entre controle e desejo, e com Camille, estou sempre no limite. O problema é que, quanto mais tempo passo perto dela, mais eu sinto que essa linha vai se romper — e, quando isso acontecer, não sei se terei forças para resistir. Porque, apesar de toda a minha desconfiança, uma coisa é clara: Camille está se infiltrando em meu mundo, mas também está se infiltrando em mim.
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