Por incrível que pareça, pego o mesmo mototáxi que me levou antes ao mesmo bairro onde minha amiga se casou. Ele me lança um olhar 'sexy' antes de eu montar no veículo. Ignorei.
O que está havendo com estes homens de hoje? Aposto que na frente dos amigos é o pior homofóbico. Quero distância desse tipo de gente.
— Você está cheiroso. — Diz o rapaz, quando desço da moto e o pago. Ele quer aproveitar que nenhum rapaz está por perto. Ele me entrega o troco. — Você é muito bonito. Me daria o seu número?
O desgraçado tem a audácia de pedir o meu número deste jeito. Eu não mereço.
— Sou comprometido, com licença. — Digo com apatia, tentando me sair daquele cara.
— Que bundinha, viu!? Assim você me mata.
Sinto nojo deste comentário. Muitos poderiam gostar, mas sou diferente. Não gosto de descer o nível. Adianto meus passos para me distanciar dele. Nunca mais pegaria aquela moto. Não vale a pena dar ibope para o tipo de homem como esse, escroto.
Chego ao endereço que o Neto me mandou. A rua é quase como uma viela de tão estreita, e é tão deserta que penso não estar na mesma cidade. Toco a campainha da casa.
A porta é aberta imediatamente, como se ele estivesse na porta me esperando. Ele abre o portão e me manda entrar. Assim que ele fecha a porta atrás de si, me olha dos pés à cabeça e diz:
— Uau! Você... Por quê... Você está muito...
— Vai terminar alguma frase? — Interrompo.
— Você está lindo demais.
— Sério? Obrigado!
— Não é para agradecer. — Diz o Neto com ar de graça. — É uma visita casual, você está pronto para uma festa.
Agora que ele falou, percebo que ele usa uma roupa tão comum que nem parece que tomou um banho. Dou risadas. Agora tudo nele me atrai, qualquer coisa que ele fizer vou amar e achar sexy. Como ele conseguiu ganhar o meu coração tão fácil e tão rápido?
— Não ria, poxa. Você não vai ficar assim. — Dia Neto.
— E o que posso fazer?
— Vai trocar de roupa.
Ele me leva até o seu quarto. "Já?" Penso. Rio com meus próprios pensamentos. Ele me apresenta uma muda de roupas tão comuns quanto as dele.
— Ah! Não, Neto. Demorei um tempão para me produzir.
— Ninguém mandou você vir assim.
— É a primeira vez que te visito. Não imaginei que você queria que eu viesse tão simples. Você não é nada comunicativo.
— Não tente me culpar. Vamos! Pode trocar esta roupa.
Eu o encaro com indiferença e começo a tirar a calças. Ele vacila por uma fração de segundos e se vira para sair do quarto.
— Onde você vai? — Pergunto.
— Te dar privacidade. — Responde, ainda de costas.
— Nada disso. Pode me esperar.
Não sei se ele ficou constrangido, mas ele disfarçou bem.
Depois de ter retirado as calças, retiro a jaqueta e depois a camisa, fico somente de cuecas. Pela minha visão periférica posso ver o Neto morder os lábios, ele me degusta com os olhos. Finjo que não vejo, mas olho para ele, fica com um olhar de indiferença. Péssimo ator. Enfim, me visto. Sua roupa cai em mim como uma luva. Apesar de ele ter mais músculos definidos do que eu, ainda assim é mais magro.
Voltamos para a sala. Sua casa é humilde, porém, muito bem arrumada e cuidada.
Primeiro, assistimos dois filmes pela Netflix, depois comemos uma lasanha que ele mesmo fez. Está ótima. Em seguida comemos uma sobremesa com chocolate e morango que me apaixono. Ele também o fez. Me conta que é um ótimo cozinheiro, após isto, me passa todo o seu currículo.
— Por um acaso isto aqui é uma entrevista de emprego? — Questiono ironicamente.
— Pode ser, se você for o entrevistador. Agora, terá que me contratar.
— Te contrataria mesmo sem ver seu currículo. — Esta minha frase, ainda que falado com graça, cria um clima entre nós.
Neto pigarreia e me convida para escovar os dentes.
— Por quê? Estou com mau hálito? — Pergunto sério, soltando vapores da boca nas mãos para sentir o hálito.
Neto gargalha.
— Não, seu bobo. Seu hálito é ótimo. É só um costume, escovar os dentes depois da refeição.
— Ah! Sim. — Me faço de entendido. — Então vamos lá.
Escovamos os dentes no banheiro.
Não sei qual foi o propósito desta visita, mas eu me sinto em casa. Me sinto à vontade.
Voltamos para a sala para conversarmos. Falo quase tudo da minha vida. Ele também me fala da dele, até me contar que guarda um urso de pelúcia que ganhou quando tinha cinco anos e não consegue se desapegar.
Eu não acredito, então ele me leva para o quarto novamente para me mostrar o seu objeto que está dentro do guarda-roupas. Quando ele pega o ursinho, derruba um copo descartável cheio de água em cima dele. Ele fecha a porta rapidamente.
— Neto, você se molhou todo. — Comento com as mãos sobre a boca.
— Por que o espanto? — Ele gargalha. — É só água.
— Eu sei, palhaço. — Rio com ele. — Não ria de mim, só me assustei...
Hesito no término da frase, Neto tira a camisa. Seu peitoral sarado e úmido me deixa com água na boca. "Reaja, seu idiota." Penso de mim mesmo. Fico paralisado admirando seu corpo. Ele chega para mais perto sorridente. Aquele sorriso que me encanta. "Reaja, por favor." Penso novamente. Não consigo desviar os olhos.
Seu corpo está tão perto que sinto seu cheiro exalar pela transpiração da pele. "Que cheiro bom. Deus que me perdoe." Não estou resistindo.
Ele põe as mãos em meus ombros e me tira do transe.
— Hei, Vanni, você está bem? — Ele pergunta realmente preocupado. Sério que ele me apelidou de forma carinhosa? Somos sem dúvidas um par.
Minha aparência não fica legal, porque verdadeiramente passo m*l, mas de desejo. Subo meus olhos para a direção dos dele. Estão tristes e preocupados. Fico quente e ofegante, mas acabo entregando os pontos ao olhar para seus lábios. Suculentos.
Beijo como se eu fosse devorá-lo.