Capítulo 6

1052 Words
Acordo na segunda-feira com uma chamada do celular. É o meu pai. — Oi, pai. — Atendo com a voz sonolenta. "Não vamos abrir a supermercado hoje. Não precisará ir." Disse meu pai, e obviamente eu fico muito feliz, adoro boas notícias. — Por quê? O que aconteceu? — tenho que fingir que me importo muito, afinal, preciso mostrar que amo meu emprego, eu sou filho do dono, mas não deixei de ser um funcionário. "Vou a uma Conferência em Brasília. Sua mãe vai comigo e não confiaria minha empresa nas mãos dos funcionários. Pelo menos é só hoje." — Tem certeza que não quer que eu tome conta? — eu estou insistindo, não sei nem porquê. "Não, não. Fique na sua. Aproveite o ócio." — Tudo bem. Tchau! "Tchau!" Chamada encerrada. Eu me alegro, vou aproveitar tanto o meu ócio que vou até me preparar para outra rodada de amor. m*l posso esperar para contar para o Neto para a gente poder se ver e fazer a nossa brincadeira de novo que me deixou com profunda saudade, mas aí, tenho uma ideia maluca. Entro no f*******: para salvar todas as suas fotos, procuro por seu perfil, demoro bastante, mas encontro pela conta da minha amiga Julianne. Espero que isso não seja obsessão, senão eu posso quebrar a minha cara bonita. Lá está. A foto do perfil está tão linda que me dá uma saudade imensa, porém, meu coração bate mais forte quando vejo umas fotos com uma mesma garota. Fico com o rosto vermelho ao ver uma do Neto e desta tal garota aos beijos. Ajo como se ele fosse meu há muito tempo e aquela mulher não tinha o direito de beijar ele. Procuro a marcação na imagem. Lá está. Jaqueline Tocci. Não acredito. Sobrenome italiano. O meu nome é italiano. Entro na conta. Vejo várias fotos dela com o Neto. Por que será que estou com ciúmes? Não sei explicar. Ou sei, mas não estou afim de explicar nada. Daí, vejo uma foto dela de farda. Sei onde ela trabalha. É uma loja de calçados. Eu preciso conhecer esta mulher. *** Tomo meu café da manhã. Não quero esperar por mais um segundo, e às oito e meia saio de casa com dinheiro no bolso. Acho muito cedo, mas é bom assim porque não vai muitas pessoas conhecidas na rua para tomar parte da minha vida. Vou até à loja de calçados. Não é muito movimentada. Na verdade, só há três clientes, somando comigo. De primeira, vejo a Jaqueline. Ela está ocupada com um dos clientes. Outra funcionária vem ao meu encontro. — Bom dia, senhor. Posso ajudar? — Diz a funcionária. — Não, só estou olhando. Qualquer coisa eu te chamo. — Ótimo, meu nome é Núbia. — Sim. Claro! Ela me deixa só. Quem quero de verdade é a Jaqueline! Finjo que estou olhando os sapatos até ela terminar com o outro cliente. Quando ela acaba, eu a chamo. Núbia fica de cara amarrada, mas fui para lá com um propósito. — Pois, não!? — Disse ela. Parece muito simpática, porém, contristada. Está sem maquiagem, seus olhos estão um pouco vermelhos, e o rosto levemente inchado. — Estou olhando estes sapatos, achei lindos, você pode pegar um par número 38? — Aguarde um instante que vou verificar. — Jaqueline vai ao depósito procurar um par do qual eu havia selecionado. Espero no banco. Depois de alguns minutos ela aparece com uma caixa nas mãos. Seu corpo é bonito, e ela está de calças jeans, nem a imagino de vestido, deve ser um arraso de mulher. Pelo menos, meus glúteos são mais avantajados que os dela. — Aqui, senhor, experimente este. — Voz doce. Agradável. Bonita. Simpática. Já está me irritando. Tomara que seja porque está trabalhando. Não é possível que ela seja tão adorável. — Hum! — Analisei os sapatos quando pus aos pés. De repente, me vem à cabeça fazer um comentário preconceituoso para saber qual será sua opinião. — Eu os achei um pouco femininos. Odeio tudo que me faça lembrar dos 'gays'. Não acha? — Gostaria de escolher outro, senhor? — Evasiva. Muito esperta. — Quero sua opinião. — Insisto. — Não acha estes sapatos um tanto 'gays'? — Sinceramente, os achei bem masculinos, mas foi o senhor quem os escolheu. Fico de boca aberta. Ela me disse tudo de forma sutil e amigável. — Se quiser minha sugestão, posso lhe trazer o que cairia bem no senhor. — Diz Jaqueline e permito. Ela me traz um par de sapatos tão maravilhoso que acabo comprando. Que raiva, além de bonita, simpática, inteligente, também tem bom gosto. Por que o Neto a trocou por mim? Antes de sair da loja, decido uma última tentativa. — Minha jovem, posso te dizer uma coisa? — Sim, senhor. — Você é uma excelente funcionária. — Muito obrigada! — Mas, use maquiagem no trabalho, porque apesar de você ser bonita, está com uma aparência um tanto abatida. Os clientes às vezes são atraídos pela estética. Vai por mim, trabalho com isso. Ela vacila. "Cheguei onde queria." — Sim, senhor. — Seus olhos lacrimejam. Finjo expressar minhas condolências. — Oh... Eu disse alguma coisa? Sinto muito. — Não, está tudo bem. — Ela esfrega as lágrimas com as mãos. — Se conheço bem isto, diria que é por causa de um rapaz. — Então você conhece bem. — Finalmente. Ponto para mim. — Meu noivo rompeu o relacionamento sem motivos. É difícil a gente amar tanto uma pessoa e não ganhar nada em troca. — Você tem esperanças de que ele volte para você? — Sempre! Eu nunca vou desistir porque o amo demais. Meu coração se aperta. — Mas, você não imaginou a possibilidade de ele gostar de outra pessoa? — Imaginei que ele me trocou por outra, quem saiba ela seja melhor que eu, mas vou provar que posso ser tão boa quanto. Quero tanto dizer para ela que ele pode estar apaixonado por um rapaz, mas além de dar bandeira, seria um choque para ela, que ainda não se tocou que ele sente atração por pessoas do mesmo sexo. Tudo que fiz foi lhe dar um sorriso afável e dizer: — Espero que você consiga. Vou embora tão pensativo que não me lembro como chego em casa.
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