Capítulo 61. Noite de pizza

906 Words
Oliver percebeu que ela estava completamente entregue ao sono. O filme já se encaminhava para o final, mas Clarice não dava sinal algum de que acordaria tão cedo e ele não queria deixá-la desconfortável ali no sofá. Com extremo cuidado, ele deslocou o braço para segurar Clarice pela cintura, sustentando seu corpo com firmeza, mas com um toque suave, como se temesse machucá-la. Ela murmurou algo inaudível, ainda dormindo, e se aconchegou instintivamente contra ele. Oliver teve de respirar fundo antes de se levantar. Ele a ergueu no colo, sentindo o peso leve dela e o calor que parecia se prender ao próprio peito dele. Caminhou devagar pelo corredor até o quarto de hóspedes agora praticamente o quarto dela abriu a porta com o ombro. A luz suave do abajur deixava o ambiente acolhedor. Com o máximo de delicadeza, Oliver deitou Clarice na cama. Arrumou o travesseiro atrás da cabeça dela, puxou o cobertor até sua cintura e afastou uma mecha de cabelo que caía sobre o rosto. Por um momento, ficou apenas olhando. A tranquilidade dela o atingia como um soco silencioso porque ele sabia exatamente o quanto aquela paz era rara para Clarice. Ele desligou o abajur, deixando apenas a luz do corredor acesa por alguns segundos. Antes de fechar a porta, sussurrou: — Descansa, carinho. Ao descer as escadas, Oliver percebeu o silêncio absoluto da casa. A sala ainda tinha o cheiro suave do café que haviam tomado mais cedo. Seu estômago roncou ele não lembrava da última vez que tinha comido. — Certo… preciso resolver isso — murmurou para si mesmo. Ele pegou o celular, passou os dedos pelo contato rápido da pizzaria da cidade uma que ele pedia desde adolescente, quando estava sozinho em casa e discou. — Boa noite, Doutor. O de sempre? — perguntou o atendente, reconhecendo imediatamente a voz dele. — Quase. Hoje vou levar duas grandes. Uma de quatro queijos e uma de lombo. — Retirar no balcão ou entrega? Oliver olhou em direção à escada. Clarice dormia profundamente, então não haveria problema algum. — Retiro no balcão. Chego em dez minutos. Desligou o telefone, pegou a carteira e a chave do carro. Antes de sair, deu mais uma olhada no andar de cima, como se pudesse ouvir qualquer sinal dela. Nada. Só a respiração tranquila de alguém que, pela primeira vez em muito tempo, estava segura. Oliver trancou a porta e seguiu para o carro, decidido a voltar rápido sentindo, sem admitir, uma estranha urgência de não deixá-la sozinha por muito tempo. Oliver entrou silenciosamente em casa, equilibrando as caixas de pizza ainda quentes nos braços. O cheiro tomou o corredor, espalhando-se pela sala e subindo pela escada. Ele pousou as caixas na mesa da cozinha, respirou fundo e olhou para o andar superior. Ele hesitou alguns segundos. Clarice estava tão tranquila… mas ele sabia que ela havia passado dias se alimentando pouco, e a última coisa que queria era que ela acordasse fraca ou tonta. Então subiu devagar. No quarto, Clarice permanecia na mesma posição em que ele a deixara, respirando suavemente. Oliver se aproximou e tocou seu ombro com delicadeza. — Clarice… — ele chamou baixo, quase num sussurro. — Ei… acorde um pouquinho. Ela se mexeu, franzindo o cenho, e abriu os olhos devagar. Levou alguns segundos para entender onde estava e, quando viu Oliver tão perto, tomou um susto mínimo um sobressalto leve, mais de surpresa do que de medo. — O-Oliver? — murmurou, piscando rápido. — Aconteceu alguma coisa? — Não, não aconteceu nada — ele respondeu de imediato, mostrando as mãos para acalmá-la. — Desculpa te acordar… mas eu fui buscar pizza. Você dormiu a tarde toda. Não quero que acorde amanhã passando m*l. Clarice respirou fundo, o susto diminuindo. Ela se sentou devagar, arrumando o cabelo. — Pizza? — repetiu, com um meio sorriso envergonhado. — Eu… dormi tanto assim? — Bastante — ele sorriu de volta. — E eu não queria comer sozinho. Oliver pensou por um segundo e completou, baixo: — E também não queria que você ficasse sem comer. Clarice desceu da cama, ainda meio sonolenta, e calçou os sapatos ntes de segui-lo. Eles caminharam juntos pela escada, Clarice passando uma das mãos pelo corrimão enquanto bocejava discretamente. Quando chegaram à cozinha, Oliver abriu as caixas de pizza, e o aroma tomou o ambiente de imediato. Os olhos de Clarice se iluminaram não de fome apenas, mas de conforto. — Uau… isso parece ótimo — ela disse, puxando uma cadeira. Oliver serviu dois pedaços para ela antes mesmo de pegar o próprio. — Obrigada — Clarice murmurou, surpresa com a atenção dele. E então acrescentou, num tom mais suave: — Foi gentil da sua parte… me acordar. Oliver desviou o olhar por um instante, quase tímido, e respondeu: — Eu só… quero que você fique bem. Eles começaram a comer ali, os dois sentados de frente um para o outro, a mesa iluminada apenas pela luz aconchegante da cozinha. Clarice ainda parecia um pouco sonolenta, mas sorria de verdade, mais leve do que em qualquer outro momento desde que tudo começara. E Oliver observava cada pequeno gesto o jeito que ela esfriava a pizza com a mão, como franzia o nariz quando achava algo muito quente tentando gravar tudo, lutando para manter o autocontrole que prometera a si mesmo. Mas dentro dele, uma certeza crescia silenciosamente: Ele podia fazer qualquer coisa… desde que Clarice continuasse ali
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