você? não pode ser....cap...3

981 Words
Capítulo – Alexa Smith Depois de um banho demorado, me jogo na cama e fico encarando o teto branco, enquanto a imagem daquele motoqueiro teima em invadir minha mente. Que droga está acontecendo comigo? Deve ser só culpa… quase o atropelei. É isso. Só culpa. O bom é que nunca mais vou vê-lo. Certo? Me reviro na cama por longos minutos, até o sono finalmente vencer. Acordo assustada. O sol já invadiu o quarto e, ao olhar o relógio, quase infarto. — Droga! — resmungo, saltando da cama. Já passa das 8h! Entro no banheiro voando, faço minha higiene matinal e visto a primeira roupa decente que encontro no armário de hóspedes do meu irmão. Desço as escadas com pressa. No meio do caminho, ouço Vinícius me chamar: — Alexa! Vem tomar café! — Não posso! Estou atrasada para uma reunião com cliente! — grito de volta, já pegando as chaves. Ele responde algo, mas não entendo. Já estou no carro, pisando fundo. Quando chego ao escritório, meu cliente já está me esperando. Alberto Vilas. Um senhor de meia-idade, cabelo totalmente grisalho, semblante cansado. O tipo de cansaço que só a vida traz. — Bom dia, seu Alberto. Desculpe o atraso. — digo, estendendo a mão. — Sem problemas, doutora. — responde com um sorriso triste, mas educado. — Por favor, sente-se. Ele se acomoda à minha frente e, por alguns segundos, fica em silêncio. Até que fala: — Preciso de ajuda. Estão tentando tomar minha casa. Querem construir um prédio no terreno. Moro lá há décadas. Foi onde vivi os melhores anos com minha esposa… é tudo o que me resta dela. Não posso perder minha única lembrança. Os olhos dele se enchem de lágrimas. — Seu Alberto, o senhor está em boas mãos. Eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance — e dentro da lei — para preservar sua casa. Prometo. Conversamos mais um pouco, ele me agradece e vai embora com um pouco mais de esperança no rosto. E eu, com uma missão: impedir esse absurdo. O que mais tem nesta cidade são prédios. Não vão arrancar a história de um homem por pura ganância. Pego o telefone e ligo para minha secretária: — Amanda, descubra pra mim o nome da empresa responsável pela construção e o endereço do escritório. Urgente. Ela me envia a informação minutos depois. Pego minha bolsa e vou pessoalmente até lá. Isso não é algo que se resolva por e-mail. Chego ao prédio imponente da construtora. Subo pelo elevador com a raiva borbulhando no estômago. Ao chegar ao andar indicado, a secretária tenta me barrar: — A senhora tem hora marcada? — Sai da minha frente. Ou vai me ver responder por mim mesma. — falo com um olhar que corta. Ela hesita, mas eu já abri a porta. Entro na sala com ela logo atrás, pedindo mil desculpas ao homem que está sentado à mesa de reuniões. E então... eu travo. Não pode ser. O tal engenheiro que quer destruir a casa do seu Alberto… é ele. O motoqueiro do sinal. O homem mais irritantemente lindo que eu já vi na vida. Ele me encara confuso, enquanto outro homem — loiro, bonito, mas irrelevante — se levanta. — Quem é Daniel Ferraz? — pergunto, sem desviar o olhar. — Sou eu. Quem deseja falar comigo? — ele responde, ainda surpreso. — Alexa Smith. Advogada. Vim conversar sobre a construção do seu prédio. Daniel pede que o loiro nos dê privacidade. Antes de sair, o homem me dá uma piscadela. Ignoro. — O que a doutora deseja? — pergunta, se recostando na cadeira com aquele ar arrogante. — Estou aqui em nome do meu cliente, senhor Alberto Vilas. O terreno em que pretende construir seu prédio pertence a ele. E ele não pretende vender. — Já ofereci mais do que vale. Ele é teimoso. Está apegado a uma estrutura velha. — Está apegado às lembranças, senhor Ferraz. À história. Há tantos terrenos para construção, por que logo ali? — Vista perfeita do pôr do sol. É o local ideal. — E eu sou a advogada ideal para impedir isso. Ele sorri, inclina a cabeça. — Isso é um desafio, doutora? — Pode encarar assim. Só saiba que eu adoro uma boa briga. — respondo, me levantando. — Então boa sorte, Dra. Smith. — ele diz, com aquele sorriso torto e maldito. E ainda tem a ousadia de me dar uma piscadela. Saio da sala bufando de raiva. i****a. Arrogante. Presunçoso. Mas que olhos, meu Deus… Não! Foco, Alexa. Você está aqui para lutar por justiça, não para se distrair com sorrisos de canalha bonito. Olho no relógio. Já quase hora do almoço. Pego o celular e ligo para Beatriz. — Oi, amiga. Bora almoçar? Preciso falar. Urgente. O dia passa voando. Já em casa, subo direto pro meu quarto. Jogo a bolsa num canto e corro pro banheiro. Preciso de um banho urgente para tirar esse dia da pele. A água quente escorre pelo meu corpo, mas minha mente não relaxa. Daniel Ferraz. O motoqueiro irritante que virou o homem que quer destruir tudo. E, pior... aquele sorriso. Aqueles olhos. Droga. Desde que fugi do Renan, meu ex-marido, nunca mais deixei ninguém se aproximar. Recebo propostas, cantadas, convites… mas não aceito. Não quero saber de amor. Não acredito mais nisso. O único amor real da minha vida é meu irmão. E a Bia. O resto… ilusão. Saio do banho, visto uma camisa masculina que roubei do Vini e um short confortável. Nada melhor do que estar à vontade dentro da própria casa. Desço para a cozinha, preparo algo leve pra comer e levo comigo pro escritório. Tenho alguns processos pendentes para revisar. Mas mesmo focando no trabalho, a imagem daquele sorriso… continua ali. Que inferno. Daniel Ferraz, você não sabe com quem está mexendo. E eu, talvez… também não.
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