Continuação do capítulo anterior....
— Você colocou uma fatia generosa não foi? Descumprindo as ordens que o marido da mesma deu. Não é que a mesma acertou em cheio na sua suposição.
— Sim eu voltei para a mesa com uma fatia com três dedos de largura, o mesmo queria me fazer voltar dizendo que eu não era surda que o mesmo tinha pedido para trazer somente uma fatia fininha, foi então que eu tive a brilhante ideia de dizer que tinha registrado tudo no celular e que se o mesmo não permitisse que a mesma comesse eu iria chamar a polícia, porque o que ele estava fazendo também era um tipo de violência contra a mulher. Claro! O mesmo como homem com H maiúsculo que era não poderia deixar que uma garçonete desse ordem no seu casamento, não precisa nem ela continuar contando para adivinhar o que acontece a seguir.
— O mesmo se transformou em bicho, quando ele levantou confesso que pensei que ele iria pegar a esposa pelo braço e se retirar da lanchonete, mas não sem se quer esperar eu recebi o primeiro tapa no rosto, o mesmo utilizou tanta força que logo senti o gosto do sangue em minha boca, sem dá tempo de se quer eu me recuperar o mesmo me desferiu outro tapa, enquanto ele me espancava ia falando que era para mim aprender a nunca mais querer mandar na vida dos outros, que ele iria me ensinar a ter respeito por um homem de verdade, entre outras aberrações, só sei que antes de conseguir me esconder até vocês chegarem o mesmo ainda me agarrou pelo cabelo, pela primeira vez desde que cheguei aqui, imaginei que iria morrer. Não é para menos pela quantidade de mesas que estão quebradas e a quantidade de jarros foi muita sorte a dela ter conseguido se esconder até que chegamos para atende a ocorrência, não sei o que seria da mesma se estivesse todos longe do local.
— Só sei que está cabeça dura não quis prestar queixa, eu sendo ela teria dito o que ele fez e o que não fez, para aprender a tratar uma mulher. Ela olha bem no fundo dos meus olhos, dizendo que não iria adiantar de nada a mesma denunciar quando a esposa estava do lado do marido e com certeza não iria confirmar que sofria as agressões.
— Não adianta eu denunciar se a própria esposa está se fingindo de cega para o mostro que existe dentro da própria casa, ela vai me desmentir diante do seu superior, eu vou ficar como diz a minha mãe, de cara mexendo lá, sem ter nem onde enfiar. De certa forma ela está certa, caso a esposa quisesse aproveitar a oportunidade de se livrar do traste, ela teria o denunciado desde o primeiro instante em que as viaturas chegou, mas em momento nenhum ela fez isso, apenas ficou dizendo que tudo iria terminar bem e o chamando de meu amor a todo instante.
— Pior que sou obrigado a concordar com você, se a mesma quisesse terminar com toda a tortura que ela deve ter em casa com certeza teria feito isso no primeiro instante que tivesse oportunidade. Ela está certa do que adianta chegar lá e depor contra o mesmo, se a esposa vai dizer que é tudo mentira, será a palavra de uma contra a outra.
— Eu vou começar a organizar está bagunça, se vocês me derem licença. Nem pensar que eu iria deixar a mesma trabalhar, estando toda machucada deste jeito.
— A senhorita vai ir para o seu quarto, aliás você e a dona Matilde estão dispensadas, deixe que por aqui eu vou assumir agora, os meus companheiros acabaram de me informar que o casal de pombinhos estão felizes da vida porque daqui a pouco ele estará em liberdade, graças a mulher que negou que fosse espancada pelo marido, tanto de forma física, como de maneira psicológica.
— Eu não posso fazer isso PM Martins, é minha obrigação cuidar de toda a bagunça, já que infelizmente a briga se iniciou por minha causa. Mas que mulher teimosa, está aí precisando de cuidados e ainda querendo trabalhar, ela não está vendo que não tem as mínimas condições de fazer isto?
— Vocês podem e vão, não se preocupem garanto que mas tarde isso aqui estará um brinco, prometo que fecho e jogo a chave por aquela brecha que você me mostrou, só não sabia que servia para jogar a chave, caso um dia eu precisasse. Depois de muita luta conseguir convencer a mesma de ir para casa, mas isso foram horas de conversa, até fazer com que as duas teimosas fossem para casa, quer dizer para o seu quarto nos fundos e a dona Matilde subiu para sua humilde residência.
— Obrigada mas uma vez, mesmo você não querendo que eu te agradeça mas não vejo palavra que possa se encaixar com tudo que você fez por mim hoje. Ela sai, daqui posso escutar o clique da porta do seu quarto ao ser trancada, talvez o medo de que alguém possa entrar novamente, não entrar porque o que aconteceu aqui não foi um assalto e sim um excesso de fúria de um homem completamente descontrolado, não quero nem imaginar o que essa esposa deve passar com o mesmo em casa, se com outras mulheres ele é agressivo, imagina com a mesma?
Começo a juntar todas as cadeiras quebradas num canto, na verdade não sobraram muitas inteiras, o muito que se salvou foram duas ou três, o restante todas estão quebradas, as mesas para nossa sorte são de madeiras então provavelmente vamos conseguir consertar, então este gasto não será conosco e sim com o metido a bamba. Faço questão de que o mesmo pague cada centavo que a dona Matilde gastar para por as coisas em ordem, mas agora admiro a Mirela, ela provou que não tem medo de se arriscar para salvar a vida de ninguém.
Ela poderia ter se machucado sério, porém não desistiu de lutar por aquilo que ela imaginava ser o certo, o que na verdade é, porém não podemos lutar sozinhos, para combater a violência contra a mulher, as próprias esposas tem que abrir os olhos e querer denunciar seus agressores, apesar de que agora existe a lei de que qualquer pessoa que fizer a denúncia estando ela ligada ou não com a vítima, a mesma será válida.
— Você precisa voltar, não dá para ficar enrolando o chefe por mas tempo, ele já está querendo saber o que tanto você faz na cena do crime. Acredito que eles não falaram aonde foi o ocorrido, se não o nosso chefe iria compreender porque ainda estou por aqui, iria ligar para o mesmo, mas decidir me explicar pessoalmente.
— Está bem, vou me despedir da dona Matilde e dentro de alguns minutos chego aí. Para minha sorte o quartel não fica tão longe, então não vou demorar muito para chegar, o único problema é que vou precisar seguir a pé, então terei que ter cuidado, pois já ouviu o ditado que a ocasião faz o ladrão, neste caso a ocasião pode fazer o assassino, pois o pessoal não quer saber se o policial tem família ou não, eles só querem saber que precisam matar independente de qualquer coisa.
— Dona Matilde já estou indo, por favor mande a Mirela vir para descer essas esteiras, acredito que aquele vândalo não sai mais hoje, porém tomem cuidado e não se preocupe porque eu vou cuidar de tudo para que ele arque com todo o prejuízo que lhe causou, quem sabe se doer no bolso, a próxima ele não irá pensar dos vezes antes de bancar o engraçadinho. A mesma me abraça dizendo para ir com cuidado, atento a tudo. Ela nem precisa se preocupar referente a isso, vou de olho em tudo que acontece ao meu redor.
— Não se preocupe eu vou com um olho no padre e um na missa como diz a senhora. Ela me dá um beijo na bochecha, se retirando logo em seguida para chamar a Mirela, a mesma não tem mas forças de tá abrindo e fechando essas esteiras.
— Filha assim que o Martins sair você desce as esteiras, não vamos dá mole, pode ser que o mesmo saia hoje ainda se tiver um bom advogado, então não vamos arriscar, vai que o mesmo decida voltar para terminar o que começou? Só espero que depois desse susto, a mesma não decida fechar a lanchonete.
— Não se preocupe eu vou fechar, tenho certeza que o mesmo não vai querer voltar aqui nem tão cedo e quando ele souber que vai ter que pagar todo o prejuízo que a senhor teve, aí que o mesmo não vai querer voltar a passar por aqui mesmo.
Despeço-me das duas, seguindo para o quartel, no caminho fico pensativo, ainda não consigo entender porque a Mirela não quis denunciar o agressor, ela estava no seu direito, já que o mesmo a bateu por motivo fútil.
Depois do que aconteceu hoje minhas suspeitas só aumentaram, pois uma pessoa normal teria feito de tudo para denunciar o seu agressor, até mesmo cobrir o rosto para reconhecimento do mesmo na delegacia, ainda insistir mais de uma vez, porém como a mesma não quis fiquei na minha, tive a impressão que ela ficou nervosa quando falou do exame de corpo de delito.
— Porque estava no local do crime até essa hora PM Martins? Pode me explicar por favor? Não imaginava que o meu superior já estaria me esperando com essa recepção acalorada, os meus colegas poderiam ter dito a onde é a ocorrência, eu não me importaria apenas em confirmar.
— A confusão ocorreu na lanchonete da dona Matilde senhor comandante, o senhor sabe que todos da corporação tem um carinho especial por ela. Às vezes o mesmo também nos acompanha para o café da manhã lá, ele sabe o quanto a mesma é atensiosa com cada um de nós, até mesmo comigo que sou o mais novo, ela trata do mesmo jeito que os antigos.
— Da próxima vez avise ao seu superior o motivo de não vir igual com os outros, não fique esperando chegar no quartel para me dá um retorno. Apenas respondo sim senhor, não vai adiantar eu ficar discutindo com o mesmo, isso só ida causar punições, não quero ser punido por ficar ajudando uma pessoa que sempre fez de tudo por todos nós.
— Sim senhor, permissão para se retirar. Quando ele autoriza me dá um alívio, eu estava prendendo o ar sem nem perceber.
— Como foi com o comandante? O mesmo estava uma fera porque você não tinha chegado ainda. Tenho a impressão que ele nem sabia desta história, mas alguém passou pela sua sala e fez o fuxico, mas não tem probelma, uma hora eu vou descobrir quem faz questão de dizer tudo que acontece dentro da corporação para ele.
— Expliquei de quem era o estabelecimento e o porquê demorei mas do que o esperado por lá, ele compreendeu perfeitamente, só pediu para avisar com antecedência caso precisasse permanecer por algumas horas no local da ocorrência. Percebi pela expressão do meu companheiro que o mesmo não gostou porque o chefe como ele fez questão de falar passou as mãos na minha cabeça. Não vejo por esse lado, já que não sou melhor do que ninguém, nem mesmo que eu tivesse tido o saber do mundo, eu seria mas importante do que ninguém.
— Engraçado o comandante gosta de você, qualquer outro PM teria levado no mínimo uma suspensão de 3 dias, por se envolver emocionalmente no caso. Olho para o mesmo com vontade de lhe dá um belo soco, nesta sua cara sínica, porém se eu fiz isto, agora sim ganhou uma suspensão que é tudo que o mesmo quer, me prejudicar em todos os sentidos da palavra, porém não vou fazer isso e dá esse gostinho ao mesmo, ele terá que se roer todo de raiva, porque não conseguiu fazer com que me suspendesse das minhas atividades no quartel.
— Aqui dentro eu não sou melhor, nem pior do que ninguém, o tratamento que recebo é o mesmo que ele dá a todos sem exceção, não entendi o porquê do comentário m*****o oficial. Estou perdendo a paciência com o mesmo, melhor eu ir para o vestuário, ainda não é hora de largar, porém não quero ter que dá exatamente o que ele quer para me prejudicar.
— Claro você jamais seria melhor do que ninguém, é um novato exemplar. Não espero que o mesmo continue dizendo asneiras no meu ouvido, simplesmente eu me afasto para não dá a ele as munições que ele precisa para me destruir. Desde que cheguei aqui percebi que algumas pessoas que se aproximavam de mim, queria puxar o meu tapete, m*l sabe eles que o oficial já percebeu qual o jogo deles, não vou deixar que ninguém atrapalhe a minha carreira, lutei muito para chegar aonde estou, foram noites de sono perdidas, dias de diversão, tudo para que um dia eu pudesse está no lugar a qual estou agora, mas no momento o que mais me intriga é a Mirela, como uma pessoa pode ser tão misteriosa assim, mas no fundo eu sei que se a mesma esconde algo é porque tem medo do que pode acontecer lá na frente, ela não é o tipo de pessoa fria e calculista, isso eu percebi logo de cara, se fosse a mesma já mais tentaria a sorte atendendo uma mesa repleta de policiais, porém não posso notar que a mesma sempre fica nervosa ao nos atender, talvez seja só impressão minha.
— Te esperei no refeitório, pensei que iria almoçar por aqui. Olho para o mesmo sorrindo, ele ao contrário das outras pessoas não é falso comigo, sempre está querendo me colocar para cima, um dos poucos que se conta no dedo dentro deste quartel, não se engane muitos estão sorrindo para você, porém por dentro estão louco para que você caia no primeiro buraco que encontrar e pode ter certeza que eles não te ajudaram a sair dele, pois interessa que você continua na fossa para que ele usufrua da bonança que seria destinada a você.
— Aquela pessoa estava me provocando o tempo inteiro, você já sabe quem é, não preciso dizer o nome. Na verdade, nós dois aprendemos a nos comunicar por gestos, para não precisar dizer o nome de ninguém, pois as paredes aqui possuem ouvidos, é bom ficarmos sempre atentos, para que depois não estarmos envolvidos em confusões.
— Eu não acredito que ele ainda não desistiu de te tirar do sério, aí por causa disso você ficou com fome, eu teria ido até o refeitório, não iria dá esse gostinho para ele. Na verdade, eu juntei o útil ao agradável, estou querendo tirar o horário de almoço fora, então poderei voltar a lanchonete, mesmo sabendo que elas devem está voltando aos poucos e não deverá ter almoço, depois de toda a confusão de hoje pela manhã, mas a dona Matilde me garantiu que abriria normal na parte da tarde, também quero avisar a mesma que o desgraçado que fez isso, está preso independente do depoimento de sua esposa, pois várias testemunhas oculares foram depor contra o mesmo, pelo jeito a única que não quis ir foi a Mirela.
— Eu só aproveitei da provocação dele para o meu próprio benefício, eu vou tirar o horário de almoço fora, aproveito para verificar se a dona Matilde abriu a lanchonete ou não. Ele me questiona porque estou tão interessado por lá, afinal eu sou o mais novo da turma, não tem como ter desenvolvido está paixão toda pela senhora simpática, m*l sabe ele que o que está me intrigando lá não é a senhora e sim uma de suas funcionárias, porém não quero alertar ninguém sobre isso, é uma investigação partícula minha, não quero nem vou envolver ninguém do quartel, eu comecei, eu mesmo vou terminar isso, além do mais tenho certeza que não vou encontrar nada sobre ela, se tivesse que encontrar eu já teria, afinal já andei procurando algumas informações sobre ela, mas até agora ninguém sabe de nada, mas se tiver caroço neste angu uma hora eu irei descobrir e aí sim a Mirela vai ter que terminar de mexer.