Capítulo Quatro — Milena

2676 Words
Não sei porque mas tenho a sensação de que o PM Martins está desconfiando de mim, isso não era para estar acontecendo, tenho certeza que o fato de não querer ir prestar queixa contra o meu agressor deixou o mesmo em alerta, porém não posso evitar, acredito que eu devo ser a única foragida da polícia que pensa em ter amizade com um grupo de policia porque isso não é normal. Mas eles convivem diariamente dentro da lanchonete da dona Matilde, se eu me recusar a atender a mesa, aí sim que todos vão estranhar, afinal eles sempre tiveram tratamento vip através da dona, porque uma funcionária qualquer iria se negar a atender os mesmo, isso seria no mínimo estranho. Depois de toda a confusão a minha chefinha não se deu por vencida, abrimos mesmo com o número resumido de mesas, ela disse que se fecharmos vamos ter um prejuízo maior do que algumas mesas quebradas, ela não está errada, pois além do conserto teremos também o dia que não apurou absolutamente nada. Apesar de não temos mesas suficientes para todos a hora do almoço bombou, alguns clientes comeram em pé, mas não deixaram de prestigiar a nossa comida, quer dizer nossa não, pois é a minha chefe que faz todas as delícias que eles comem, já tentei de todas as maneiras aprender essas receitas, porém ela diz que é segredo de família e que só vai me contar um dia se eu conseguir a confiança dela por completo. Como assim? Eu acreditava que a mesma confianva em mim, afinal de contas ela deixa o caixa nas minhas mãos, se isso não é confiança, estou totalmente equivocada sobre o significado da palavra. — E eu não possuo sua confiança? Por favor me responda. A pergunto fazendo bico, como se fosse chorar, tínhamos liberadas uma com a outra por está razão estávamos sempre brincando uma com a outra. — Você sabe que a tem minha menina, estou cansada vou ir me deitar, mas não se preocupe que mas tarde sua companheira de todas as noites chega. Minha parceira de trabalho, confesso que estou com saudades da mesma, já faz algum tempo que não nos vemos. — Obrigada! Dona Matilde por sempre confiar em mim desde do começo, a senhora não sabe o quanto me ajuda ao deixar que eu durma nos quartinhos do fundos, mas por favor no dia que a senhora precisa não se faça de ofendida não em? Porque não vou medir esforços para lhe ajudar, ser grata por tudo que um dia a senhora já fez por mim. Ela com esse jeitinho meigo dela já me ajudou tanto que ela nem imagina, às vezes tenho a impressão que ela é um anjo que Deus colocou na minha vida para que eu não ficasse tão desamparada na cidade grande. Quando eu fugir não sabia nem se quer a dimensão do lugar que eu escolhi, eu vir descobri a grandeza desse lugar depois, o pior é disfarçar a minha surpresa, afinal como eles dizem somos matutos, nunca tivemos acesso a nada que fosse desse tamanho, porque o interior que morávamos digamos que não era precário, porém muitas coisas só vem chegar lá bem depois que o povo da cidade já enjoou, tanto que as famílias ricas ainda predominam as suas vontades sobre todos. Mas enfim, agora eu não sei mais quando irei conseguir voltar, não posso ir para lá sem ter provas da minha inocência se não eu vou morrer na cadeia, só se imaginar me dá calar frios, eu sei que a patricinha que me acusou de ter matado o irmão, quando foi ela mesmo que apertou o gatilho, também veio para cá, segundo ela a morte do irmão mexeu com o seu psicológico, eu nem sabia que cobras tinha sentimentos, aliás não tem, ela fingi muito bem todas as emoções. A primeira coisa que preciso saber é qual é a toca em que a cobrinha está se escondendo, o seu único objetivo era ficar com o dinheiro do irmão, ela não me engana, tanto que assim que colocou a mão no dinheiro da herança se mudou, deixando os pais lá sem absolutamente nada, mas foi bom para que os mesmo vissem o quanto a filhinha deles era santa, pois eles foram os primeiros a me crucificar dizendo que eu tinha matado o filho deles. Na minha folga eu vou sair investigando pelos bairros nobres para ver se a mesma comprou algum apartamento ou está hospedada em algum hotel regado de luxo como ela adora. Uma mulher que nunca viveu no campo, de repente começou a se instalar na casa dos pais, depois ela consegue matar o irmão e fica com todo o dinheiro dele, confesso que não consigo entender como os pais dela não desconfiaram, tenho certeza que a mesma planejou a morte do mesmo, ela só queria alguém para jogar a culpa e como eu fui a única b***a que estava presente no momento ela encontrou a oportunidade perfeita, aliás diante da vista de todos ela deu um golpe perfeito, no final ainda se mudou dizendo que não aguentava a saudade do irmão, muito menos morar na mesma cidade da assassina dele. Por um milagre eu consegui me controlar e não avançar em cima dela nenhuma das vezes que ela me provocou, vontade não me faltou, porém eu vou dá a surra que a mesma merece no dia que eu conseguir provar a minha inocência. — Está no mundo da lua minha filha, faz alguns segundos que lhe chamo e você não responde. Esqueci completamente que estava na lanchonete, fiquei perdida nas lembranças do passado. — Desculpas, eu estava lembrando de algumas coisas do passado e acabei me perdendo no tempo, a senhora deseja que eu faça alguma coisa? Para minha sorte a mesma diz que eu preciso ir até o homem que irá consertar as coisas para que ele faça o orçamento, caso o preço seja acessível eu já posso vir com ele para buscar. Essa era a chance de ouro que eu precisava, antes de ir nele, eu posso escolher um bairro nobre e começar minhas investigações, por sorte antes de subir conseguir uma foto dela, assim vou poder perguntar as pessoas se já viram em algum lugar, já sei até a história comovente que vou contar. — A senhora quer que eu vá agora? Pois se preferir eu vou agora mesmo, aproveitar que o movimento está fraco. A mesma me pede para tomar cuidado, pois ela sabe que eu não sei andar muito por aqui, mas qualquer coisa pedir ajuda num posto policial, se ela soubesse que fico perto dos amigos dela que são policiais morrendo de medo do que pode acontecer, ela não me daria está opção. — Por favor minha filha, mas tome cuidado, a cidade não é como o interior onde você era livre para entrar em todos os lugares, aqui existe algumas ruas perigosas, mas não tem erro, aqui está o endereço dele, só entregar este papel ao taxista que o mesmo irá lhe deixar na porta. Troco de roupa apressada, optei por pegar um ônibus, já que pretendo antes de ir no endereço que a dona Matilde me deu, ver se tenho sorte de descobrir onde a jararaca está se escondendo. O cobrador me indicou uma parada que fica de frente para um dos bairros mas nobre da cidade, segundo ele aqui só mora ricos e familiares, além dos novos ricos. Então se o lugar é recheado de novos ricos eu estou no lugar certo, do jeito que ela é esnobe com certeza veio parar neste lugar, para exibir a pequena fortuna que ganhou. Meu desejo é que ela gaste tudo o que ganhou e fique depois a ver navios, para aprender a nunca mais na vida dela armar contra os outros. — Com licença a senhora conhece essa pessoa? Faz dias que a mesma saiu de casa e não nos dá mais notícias. Ela pega a foto dizendo que tem a impressão de já ter visto está mulher pelas ruas, será que é mesmo? Ou ela está dizendo isso para que eu saia de perto dela? Sigo meu caminho lhe agradecendo, vou perguntar aos porteiros desses prédios chiques, quem sabe eles não a conhecem por ser uma moradora nova, também não posso demorar muito, pois a dona Matilde pode estranhar, afinal ela já me deu o endereço certinho de onde eu deveria vir. — Boa tarde eu estou procurando uma amiga minha, a mesma me deu o seu endereço com o nome da rua, apartamento tudo, só que acabei perdendo no aeroporto, estou morrendo de vergonha porque não quero ligar para a mesma e dizer um negócio desses. Falo mostrando a foto para o mesmo que sorrir dizendo que a dona Felipa, como assim Felipa? O nome dela nunca foi esse, mas claro como eu sou burra, lógico que ela não iria se hospedar em lugar nenhum com o nome verdadeiro. — É a dona Felipa, a mesma mora no apartamento 507, estou achando estranho é uma amiga dela ser humilde a ponto de parar para pedir informações com um porteiro. Então quer dizer que ela está bancando a riquinha cheia de frescura, será que ela contou aos mesmos que antes de ser essa ricassa ela precisou matar o próprio irmão para atingir os seus objetos e ocupar o lugar ao qual se encontra hoje. Ótimo! Tive muita sorte de ter vindo parar na rua certa, agora só pedir ao mesmo para anotar num papel, pois irei passar no meu frete para organizar as minhas coisas, tenho que jogar uma verde para colher madura. — O senhor poderia anotar o nome desta rua e o número do apartamento por favor? É que vou passar antes no meu frete para deixar as malas, depois volto para curtir com ela. Ele continua abismado por eu ser tão educada e estar conversando com ele, a que ponto chega o ser humano, ela sempre foi pobre, agora que é "rica" fica humilhando as pessoas. Mas o que é dela tá guardado, agora eu já sei onde ela se esconde, posso no meu dia de folga voltar aqui para ver como é a rotina da nova rica brasileira, na verdade quero descobrir tudo que ela faz, com quem fala, os lugares que frequenta, eu preciso colar nela feito um carrapato nas minhas horas livres, quem sabe não tenho a sorte dela comente algum deslize? Um deslize puxa o outro. — Aqui está senhorita, quer que eu avise que você esteve aqui. Meus olhos quase saltam do meu rosto quando o mesmo me pergunta isso, ainda bem que estou de óculos escuros e o mesmo não pode ver. Tenho que agir com naturalidade, não posso deixar ele perceber que não quero de maneira alguma que ela saiba que alguém esteve procurando por ela. — Não obrigada! Eu quero fazer uma surpresa para mesma, sou amiga íntima dela, acabei de voltar de New York. Ainda bem que o mesmo acreditou em cada palavra minha, claro ele não deixou de dizer novamente que eu era muito diferente da dona Felipa, sabia como respeitar as pessoas, não os humilhava por ser de classe baixa. Eu jamais faria isso, mesmo que fosse rica, ter dinheiro a mais na minha conta, não me dá o direito de sair por aí pisando nas pessoas. — Espero lhe ver mas vezes por aqui senhorita, nem parece que a senhora tem dinheiro. Sorrio para o mesmo dizendo que em breve eu vou vir fazer a surpresa para a minha amiga, o mesmo diz para eu não me preocupar, pois ele não irá dizer nada a ela e que minha entrada sem precisar avisar está garantida, se não deixa de ser surpresa. Ótimo! Minha investigação começou melhor do que a encomenda, confesso que não imagina dá tanta sorte assim, logo no primeiro dia que sair a procura dela, porém a mesma não foi original, procurou logo um lugar que é famoso por morar os novos ricos, bem cafona. Droga! Já está tarde, como vou explicar esse meu atraso para a dona Matilde? Agora não posso pensar nisso, tenho que chegar no endereço que a mesma me deu, na hora eu vejo o que vou dizer. Pego um táxi lhe entregando o endereço que ela me deu com tanto carinho, confesso que quando conseguir voltar para a minha cidade vou sentir saudades, deste aconchego todo. — A minha patroa pediu para vir aqui fazer um orçamento de uns consertos em mesas e algumas cadeiras, acredito que o senhor já tenha feito alguns serviços para ela, já que a mesma tinha o seu endereço. O mesmo me pergunta se é a dona Matilde, afimo que sim, o mesmo me diz que está acostumando a fazer os serviços de lá da lanchonete, que agora também serve almoço, depois vou ver com ela como encaixar no nome que também servimos almoço. — A dona Matilde está acostumada com os meus serviços, por isso vamos buscar logo essas mesas para consertar, porque com certeza deve está atrapalhando o movimento. Ele nem sabe o quanto, pense numa agonia servi almoço com mesas e cadeiras reduzidas, as pessoas preferem comer em pé, mas não desistem de comer do tempero dela. — Então vamos, o senhor pode me dá uma carona? Já que está indo para o mesmo destino que o meu? O pergunto, pois sei que existem determinadas pessoas que não gostam de dá carona. — Claro! Sobe aí, vamos logo que não podemos deixar a dona Matilde tendo prejuízo é o lugar mas bem frequentado da região. Isso ele tem razão, todo mundo tem que fazer uma parada obrigatória por lá, seja no café da manhã, no almoço ou no lanche da tarde, até mesmo a noite o lugar é bem frequentado, graças a Deus, assim a mesma consegue pagar o nosso salário certinho. — Demorou menina, não conseguiu achar logo o endereço não foi? Era só ter mostrado logo o papel que lhe dei para o mostorista. Afirmo que foi exatamente isso que aconteceu. — Eu peguei um motorista que falava mais que os cotevelos, acabou que de início esqueci de dizer para onde eu ia e mostra o papel que a senhora me deu, depois de algum tempo foi que me lembrei, mas já tínhamos deixado o caminho para trás fazendo com que o mesmo tivesse que dá um balão enorme para poder chegar ao nosso destino. — Ela adora conversar, depois diz que foi o taxista, mas conheço bem essa minha peça. Trato de ir tomar um banho, pois a noite se aproxima e sei que ela não gosta de ficar no caixa ou perambulando pelo meio do salão, a mesma gosta de se recolher cedo. — Bem já que vocês dois são amigos, eu vou tomar um banho para voltar as minhas funções, pois sei que a senhor não gosta de ficar por aqui a noite. Corri para me arrumar, quem sabe o Martins não aparece por aqui hoje, seria tão divertido conversar com o mesmo, sem essas restrições, sem ter medo de que o mesmo descubra alguma coisa sobre o meu segredo, eu iria adorar. Quando voltei o senhor já tinha levado tudo para consertar, a minha patroa estava louca para se recolher, agradeci a mesma pela paciência e pedir para que sempre em suas orações me apresentasse. A noite estava bem agitada, a lanchonete já entrou no horário cheia de gente, estou me desdobrando para conseguir dá conta de tudo antes da minha parceira de trabalho chegar. — Desculpas o atraso amiga, vai para o caixa que eu fico com o salão. Digo a mesma que ficaremos reversando nossas funções, assim cada uma descansa um pouco o seu pé, pois ficar o tempo todo andando de um lado por outro, equilibrando os pesos dos aí pratos nós deixa exausta. Hoje ela fez aquela torta de maracujá no capricho, além disso ainda temos a novidade que é a de morango, deve ser uma delícia, se for feito com morango legítimo.
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