continuação do capítulo anterior....
Passei uma hora no caixa, sair para dizer a ela que viesse para cá, pois agora eu vou assumir a função do salão para que a mesma possa descansar um pouco os seus pés, pois sei o quanto é difícil passar a noite toda andando de um lado para o outro.
— Vai para o caixa, eu vou ficar um pouco aqui servindo as meses, já descansei bastante os meus pés, agora é a sua vez. A mesma agradece, dizendo que realmente não está aguentando ficar em pé, da para ver pelas suas feições que está exausta.
Infelizmente para minha tristeza o Martins não apareceu por aqui hoje a noite, jurava que era folga para ele, também não entendi direito porque o mesmo estava conversando com o outro em forma de gestos, então entendi pouca coisas, só mente que a folga dele era hoje, o estranho é ele não ter vindo comer a torta de maracujá da dona Matilde, ele não pede uma semana, só se ela não tiver feito. Hoje que temos uma vitrine repreta dela, o mesmo resolveu não vir.
É melhor assim, eu não posso ficar íntima de mais de um policial, para mim ele representa perigo constante, mas não posso ficar ignorando o mesmo, ele pode perceber, ou seja não posso simplesmente fingir que não o conheço de uma hora para outra, isso seria o mesmo que denunciar a minha culpa, vou continuar o tratando de forma cordial, com sorriso no rosto, sempre sendo atensiosa como a dona Matilde pediu, assim não levanto suspeitas, porém toda vez que os mesmos aparecem aqui eu só falto ter um enfarte de tão nervosa que eu fico, na minha cabeça se passa mil coisas, só consigo imaginar que o mesmo descobriu quem eu sou, que estou fugindo da polícia e a qualquer momento me dará voz de prisão.
Acho que pensei cedo de mais, o grupo acabou de chagar, na última vez só ele veio, mas agora veio o batalhão completo, ajeito o meu bloquinho e a minha caneta para anotar o pedidos de todos de uma vez, assim já volto entregando diretamente para minha parceira separar.
— Boa noite o que vão pedir, hoje temos a especialidade da casa que é a torta de maracujá, temos também o sabor novo que é morango e claro caso queira jantar antes, temos a famosa sopa da dona Matilde, que alguns aqui já conhecem. O Martins é o primeiro a dizer que quer a sopa primeiro e só depois vai para as sobremesas, os outros seguem o mesmo raciocínio do companheiro, nem se quer param para pensar, então não gasto mas folhas do caderno apenas anoto que todos vão querer a porção de sopa primeiro.
— Oito porções de sopa, se quiser posso ir colocar, para você não ficar tão sobrecarregada. A mesma diz que se não for nenhum incomodo para mim, ela irá ficar grata, ajudo sempre que posso, pois sei que além de trabalhar aqui no período da noite, ela também tem um emprego de dia, para manter a filha, pois sua mãe não fica com a garota por amor de vó, ela tem que pagar por dia que ela fica com a neta, acho isso um absurdo, porém não vou me meter em algo que não é da minha ossada digamos assim, sem contar que ela nunca pediu a minha opinião então não posso sair por aí forçando a barra.
Assim que organizo quatro porções em uma bandeja saiu para entregar, avisando que venho com a próxima rodada. Todos estão devidamente servidos, sigo para as próximas mesas, ainda bem que o próximo pedido foram apenas tortas, como já deixamos fatiadas, só pegar, organizar nos pratos e servir.
— Vem para o caixa novamente que a noite hoje está puxada, estou vendo daqui que você já está cansada, descansa um pouco e se daqui para encerramos eu ver que preciso me sentar peço para trocar novamente. Ela tem razão estou um caco, as coisas hoje estão bem agitadas, praticamente já estamos acabando com as tortas de maracujá e a de morango faltam um ou dois pedaços, a sopa então está nos seus últimos suspiros.
— Eu super agradeço, não sei de onde saíram tantas pessoas, parece que deixaram tudo para vir de uma vez só. Além de ter crianças correndo para todos os lados, elas preferem sempre comer o bom e velho chocolate, aliás tudo que for dele, as mesmas estão gostando.
Vejo quando a mesa dos policiais fazem sinal para a minha colega, os mesmos apontam em minha direção, fazendo com que a mesma venha até a mim logo em seguida.
— Algum problema com a mesa deles? Ela diz que os mesmos solicitaram para ser atendidos por mim, não fazem nem dois minutos que me sentei aqui, porém fazer o que, peço para a mesma voltar para o caixa, pegando o bloquinho e a caneta.
— Tiveram algum problema com o atendimento da minha colega? Não consigo ficar calada, pois sei que a mesma atende as mesas com maestria, até melhor do que já que ela já era acostumada com o ramo.
— Imagina, mas ela não nos atende com o sorriso que só você tem, por favor não leve como uma ofensa nossa, todos vamos querer a torta de maracujá, espero que ainda tenha sobrado para nós e se tiver algumas fatias da de morango para que todos possam experimentar. Por sorte eu tive a ideia de reservar uma torta inteira lá dentro para eles, pois todas que estavam na vitrine já se foram e a de morango só tem três fatias, mas como o Martins disse que era apenas para experimentar deve dá.
— Tudo bem, não se preocupem já trago o pedido de vocês. Minha parceira está no caixa com a cara de poucos amigos, dizendo que eles são cheios de não me toque, somente porque vestem a farda de policial, entendo que a mesma esteja chateada, afinal se algum cliente tivesse recusado o meu atendimento eu também teria ficado.
— Você quer a torta de maracujá que está lá dentro não é? Não sei porque a dona Matilde trata eles a pão de ló, a ponto de mandar que a gente reserve torta inteira para eles, se eu fosse você não tinha feito isso não, eles que aprendessem a chegar cedo para poder pegar das maravilhas dela. Uma pena que hoje não provou nem um pedaço para a gente comer depois enquanto organizar as coisas, nossa chefe não se importa que a gente coma ao final do expediente, pelo contrário ela mesmo fica nos empurrando para comer, mas em compensação o bolo de cenoura e o de brigadeiro, parece está me chamando, no final do expediente com certeza eu vou querer comer um pedaço deles.
— Eu se fosse você não arrumava encrenca com eles, já percebi que a dona Matilde tem um carinho imenso por ambos, então ir de encontro a ela vai acabar fazendo você perder o emprego, tanto eu quanto você não podemos nos dá esse luxo, então só finge demência e sorrir para todos eles. Volto para mesa distribuindo primeiro os pedaços de tortas de maracujá, coloco o prato com a fatia perto de cada um e depois as três de morangos no centro, já que elas irão servir apenas para degustação.
— Bom apetite, com licença. Para minha surpresa o PM Martins pede para que eu me sente a mesa e coma com eles, que loucura é essa, nem se eu quisesse poderia fazer algo assim, estou de serviço.
— Sente-se conosco Mirela, a fatia de maracujá está uma delícia, portanto agarre a de morango e deguste está maravilha. Agradeço pelo convite, porém não posso aceitar, pois estou em horário de trabalho, quem sabe um dia se eles me pegarem quando estiver de folga.
— Obrigada pelo convite e pela consideração, mas não posso fazer isso, estou no meu horário de trabalho, tenho várias mesas para atender ainda, quem sabe num dia que eu estiver de folga. Tenho a impressão que o mesmo está o tempo inteiro tentando me testar para ver minha reação diante de algumas atitudes.
— Sério, eles não vão embora nunca mais? Parece até que eles compraram o estabelecimento, porque pregaram o fundo na cadeira e não sai mas. Ela está revoltada desde o momento que os mesmos negaram o seu atendimento para querer que só eu os atendesse, concordo que foi algo desnecessário, porém o cliente tem sempre razão independente de qualquer coisa, então temos que abaixar a cabeça e acatar o desejo deles, não todos claro.
— Tenta disfarçar, eles irão perceber, melhor daqui a pouco um deles faz leitura labial e descobre que você está reclamando porque eles ainda estão aqui. Ela tem que aprender a lidar com essas situações, alguns clientes vem para nos tirar do sério, a gente que tem que manter a calma e fingir que a atitude deles não nos atingiu, se eu for levar em consideração as coisas que escuto de determinados clientes, vai ter uma briga todo dia e de confusão já basta a última que me envolvi que aliás foi por pouco que não fui parar numa delegacia e com certeza não sairia de lá quando os mesmo começasse a levantar minhas informações com certeza o computador iria acusar que estou sendo procurada como suspeita de assassinato, por isso tenho que manter o mas longe possível de qualquer confusão.
— Eles estão te chamando de novo, deve ser para pedir a conta. Faço sinal para ela que mantenha a calma, daqui a pouco os mesmos vão embora, não tem porque se aperriar.
— Por favor a nossa conta. Pela primeira vez uma das mulheres falou, olha que já dei uma mil viagens nessa mesa só essa noite.
— Claro senhorita, acompanhe comigo por favor, foram 8 porções de sopa, 8 fatias de torta de maracujá e 3 de morango ao total da 220. Como será a forma de pagamento por favor? A mesma diz que irá pagar para todo mundo está noite, me entregando um cartão de crédito logo em seguida, peço licença para vir buscar a maquineta, eles poderiam ter me dito isso antes, assim eu não precisava está indo e voltando ao mesmo tempo.
— Pega a maquineta para mim por favor. A mesma me entrega dizendo que ela gostam de nos fazer de b***a, nem se quer a repreendo porque ela poderia ter feito sinal para que eu levasse logo a maquineta, assim economizava o meu tempo e o deles.
— Pode me dá o cartão por favor, possui a função de aproximação? A mesma me responde que sim, sinceramente tenho vontade de soltar fogos as vezes, por conta desta função, claro é uma facilidade a mais para os bandidos, porém uma praticidade para quem vende e quem compra, pois não demora para efetuar o pagamento.
— Obrigada querida, você sempre com um atendimento excelente, não temos o que reclamar, já da sua amiga, parece que a mesma não foi com a nossa cara, pois estou percebendo que sempre que você volta da nossa mesa a mesma reclama de algo. Droga! Bem que eu avisei para ela ter cuidado, policiais sempre desconfiam até do vento e realmente toda a vez que eu chegava ela resmungava alguma coisa.
— Imagina não se preocupe com isso, a mesma só ficou um pouco chateada por vocês terem solicitados os meus serviços em vez de deixar que ela atendesse, mas já conversei com a mesma e garantir que não era nada pessoal com o atendimento dela, vocês apenas se sentem mas a vontade, comigo ou com a dona Matilde só isso. A mesma parece engolir a minha explicação, mas todos ficaram sérios de repentes, talvez por não gostar da atitude da colega.
— Agradeço a sua atenção Mirela, já estamos indo, tenha uma boa noite e cuidado para não fechar tarde de mais, lembra do que te avisei sobre essa rua. Depois da confusão de hoje tudo que menos quero é um assalto, seria azar de mais num dia só.
— Não se preocupe depois daquela confusão pela manhã, tudo que menos precisando é encerar a noite com um assalto, então assim que o último cliente sair vamos descer a esteira. Solto o ar que estava prendendo assuma que vi todos irem embora, sério eu não os mandei por educação, mas vontade não estava faltando, pensei que eles não iriam embora nunca, nisso eu sou obrigada a concordar com a minha parceira de trabalho.
— Finalmente esses maus educados foram embora. Repreendo a mesma, dizendo que fiquei na maior saia justa por causa dos seus comentários.
— Fiquei no maior sufoco por conta desses seus comentários toda hora, uma das polícias percebeu, inclusive reclamou quando terminou de pagar a conta, se ela resolve reclamar a dona Matilde você estará em maus lençóis, estou te avisando porque gosto muito de você, mas por favor quando eles estiverem aqui não fica reclamando o tempo inteiro, para depois não está envolvida numa confusão com a nossa chefe, você sabe que ela é uma pessoa boa, porém odeia que destrate os clientes que ela tem apego emocional. Pior sou eu que sou uma foragida da justiça e tenho que bancar a louca finglouca fingindo que adoro quando os mesmos estão por aqui, sendo que na verdade eu fico morrendo de medo de que alguns deles vejam em algum lugar que estou encrencada com a justiça até o pescoço.
— Você tem razão, porém eu me sentir humilhada Mirela, ninguém nunca reclamou dos meus serviços, pelo contrário sempre fui elogiada e eles simplesmente chegam aqui e não querem ser atendidos por mim? Eles não são melhor do que ninguém. Eu entendo a revolta dela, porém a mesma tem que lembra que possui uma filha e que para sustentar a mesma ela terá que abaixar a cabeça inúmeras vezes, não apenas uma mas várias.
— Escuta esquece o que aconteceu, finge que não foi com você, quando chegarem outra vez você passa pela mesa da boa noite com o maior sorriso do mundo e diz que eu já vou atender os mesmos, só isso. Garanto que esse esforço vale a pena pela sua filha. Ao falar da filha o rosto da mesma se ilumina, dizendo que por ela, é capaz de qualquer sacrifício.