Talia teve a dádiva de se conectar a um dos alfas mais desejados da aldeia. Dako era um dos alfas guerreiros e chefe de caça, era o melhor amigo do futuro líder e foi praticamente criado junto na cabana central, ao contrário de Talia que tinha os seus cabelos cacheados, a pele ne.gra e os seus traços delicados, Dako era alto, forte, seus cabelos loiros sempre cortados e a pele clara era pintada com os desenhos da alcateia. Os dois formavam um dos casais mais belos que já tive o gosto de observar, logo após a cerimônia de casamento, Dako lhe deu a mordida da ligação e meses depois a pequena Stela chegou ao mundo, chorando e anunciando ser uma pequena ômega de forte personalidade.
Ver minha melhor amiga radiante deixava-me feliz, ver os seus sonhos serem realizados a cada dia me dava uma felicidade imensa e é claro, ter sua amizade era uma das melhores coisas desse mundo. Crescemos juntas, correndo pela aldeia e brincando no lago, sonhando com os planos da Deusa para nós, pois poderíamos não ter noção do que aconteceria no futuro, mas a maior certeza que tínhamos é que uma sempre estaria ali para a outra.
— Pensei que ele iria organizar as caçadas. — Falei enquanto limpava minhas mãos no balde com água que estava ao meu lado.
— Bom, ele recebeu a carta que Kento mandou pelo mensageiro. — Talia respondeu. — Pelo que ele me disse o futuro líder queria seu melhor amigo ao seu lado para retornar — Ela revira os olhos.
— Bom, você sabe que ele não pode falar tudo que o futuro líder manda nas cartas. — Digo parando ao seu lado. — Afinal, deve ter um bom motivo para ele ter que acompanhar o Kento até aqui.
— A aldeia está insuportável com a volta dele. — Talia suspira. — O festival da Deusa vai virar uma festa de boas vindas para ele e as jovens que vão ser apresentadas estão esperançosas de uma ser a ômega escolhida.
— Mamãe disse que esperam que ele se case quando voltar.
— Sim, esse foi o combinado que ele fez com o líder para ele poder sair da aldeia e aprender sobre as outras alcateias. — Talia diz.
— Nesses momentos eu gostaria de ter nascido alfa. — Digo. — Eu poderia sair e conhecer outros lugares.
— Eu sei, mas você nasceu ômega e infelizmente nós ômegas devemos ficar na aldeia. — Talia suspira e se senta em um tronco que estava deitado.
— Sabe, às vezes penso em usar minha condição para poder sair. — Dou de ombros e me sento ao seu lado.
— Sua condição? — Talia olha para mim. — Lia, você precisa parar de falar como se você estivesse com uma doença.
— Bom, uma doença não. — Olho para ela. — Amaldiçoada.
— Ah! Por favor! — Ela se levanta e fica em minha frente com as mãos na cintura. — Você não é amaldiçoada.
— Dizem por aí que sou. — Dei de ombros.
— Que se danem essas pessoas que falam isso! — Ela exclamou irritada. — Lia, você sabe o quanto é uma ômega bela, inteligente e corajosa. — Ela voltou a sentar ao meu lado e segurou minha mão. — Se não houvesse um alfa para você, nem mesmo seu lobo você iria sentir dentro de si.
— Eu sei. — Baixo o olhar para nossas mãos. — Sinto minha loba choramingar o tempo todo, chega a ser um pouco irritante.
— Ela choraminga por que ela sente o alfa de vocês, não entende ainda? — Talia segura meu rosto, fazendo com que olhe para ela. — Ele está por aí em algum lugar e a Deusa vai fazer com que se encontrem, pode até ser um alfa visitante de outra alcateia.
— Espero que seja mesmo, assim posso ir embora dessa alcateia. — Recebi um tapa no braço. — Ai!
— Quer me abandonar aqui? Que tipo de melhor amiga você é?
— Jamais te abandonaria, afinal és minha única amiga e também preciso encher a paciência de Dako.
— Vocês dois são piores que crianças. — Ela revira os olhos e ri.
Dako me tratava com uma irmã mais nova, desde que éramos pequenos e depois do desastre da minha apresentação, ele ficou um tanto protetor, ele e Talia sempre foram meus maiores defensores quando ouviam alguém falando algo ofensivo diretamente para mim.
Muitos perguntavam para Talia se ela não se incomodava de seu alfa defender outra ômega, claro que ela não se importava, afinal eu respeitava ambos e Dako nunca me viu com outros olhos, pois ele sempre foi apaixonado por Talia e quase morreu de nervoso quando minha amiga foi se apresentar para a Deusa, ele morria de medo que outro alfa fosse se conectar a ela. Mas no fim, os dois sempre foram destinados.
— Como está Stela? — Pergunto sobre a pequena.
— Ficou na cabana com a minha mãe, cada dia que passa ela fica mais agitada.
— Ela realmente puxou ao Dako. — Digo rindo.
— Ela enlouquece as betas que arrumam a nossa cabana, só espero que esse filhote seja mais calmo. — Ela diz acariciando a barriga.
— Então não deixe de pedir isso para a Deusa, com sorte esse filhote puxe a você.
— Isso também é preocupante. — Ela diz.
— Realmente, você está perdida. — Digo e começamos a rir.
Ficamos conversando mais um pouco até minha mãe nos chamar para comer dentro da cabana. Nesse meio tempo, Aria não havia voltado para casa e minha mãe fazia pequenas reclamações de que a mais nova vivia fugindo das tarefas necessárias, já que ela deveria estar preparada para a vida de casada e até o momento não havia se preparado. Tudo que Aria gostava de fazer era ficar andando pela aldeia e ver o treinamento de jovens alfas, além de ficar horas se arrumando.
Não era segredo que Aria queria um casamento com alguém influente na aldeia para poder ter betas para fazer as tarefas, mas não era assim que as coisas funcionam, não dava para contar com a sorte e infelizmente minha irmã não tinha os pés no chão.
— Arg! — Escutamos Aria atravessando a porta da cabana.
— Filha? O que houve? — Minha mãe pergunta curiosa.
— Eu odeio o Noah! Alfa insuportável!