A manhã subiu como neblina leve sobre o concreto. A cidade, inquieta, já tinha manchetes antes das oito: “Conciliação histórica?”, “Confissão de Patrícia?”, “Código do pai de Sofia?”. O prédio respirava um ar que misturava café forte e perguntas. Sofia chegou com o cabelo preso, camisa simples, o rosto sem maquiagem de batalha. Ao ver Lorenzo na recepção, sentiu o corpo reconhecer casa. Não era um abraço; era o jeito como os olhos dele perguntavam “tudo bem?” antes de qualquer agenda. — Dormiu? — ele sussurrou. — Dormi melhor do que achei que podia. — Ela pousou a mão na manga do paletó dele e sorriu de um jeito que dizia mais do que a frase. — E você? — O suficiente pra continuar. — Um humor breve. — E pra te lembrar que, se o dia for c***l, a gente termina com pão de queijo. Helena

