A FESTA DA FACÇÃO

1535 Words
Capítulo 11 Amanda narrando Fiquei sabendo que a tal da Monalisa viajou para Nova York já tem uma semana. Fiquei sabendo também que ele está enchendo a casa de mulheres, um monte de marmitas, fazendo uma grande orgia. RB também está indo para lá junto com JP. Ana Paula está muito chateada com tudo que está acontecendo. Daiane quase não vem aqui mais; eu acho que o RB proibiu, mas tudo bem, não ligo. O Gato tem mandado o dinheiro para fazer as compras e cuidar de mim. Não reclamo: faço meu cabelo, minhas unhas. A única coisa que ele exige é que eu não corte meus cabelos, então eu não corto. Uso as roupas que ele escolhe, manda eu comprar, mas quando chego na loja já está tudo separado, porque ele já foi lá antes e escolheu o que eu posso usar. Esses dias fui buscar uma roupa que ele mandou comprar: era um vestido vinho, longo, muito bonito, com um decote generoso; um sapato alto nude. Não sei para quê. Mandou comprar um colar de esmeralda da cor dos meus olhos, foi o que ele disse, uma pulseira e um brinco, tudo em esmeralda. Mandou uma mulher ir lá em casa fazer o meu cabelo. Liguei para Ana Paula e perguntei o que estava acontecendo, qual era o evento que ia ter, porque o Gato mandou roupas novas para mim e mandou que eu fizesse o cabelo muito bem feito. — Você está sabendo de alguma coisa? — perguntei. Ana Paula respondeu: — Sim, vai ter a posse do novo chefe do comando. Então eu me lembrei daquele senhor, um coroa muito bonito, que estava com uma mulher bonita também. Ele era o chefe do comando. Nem sabia que ele tinha um filho que já pudesse pegar o lugar dele, mas tudo bem, isso não me interessa. Falei para Ana Paula: — Você sabe dizer se a Daiane vai? — Sim. O RB comprou uma roupa muito bonita para ela também. Perguntei para Ana Paula: — E a sua, como é? — A minha é azul, um azul muito bonito. Um vestido longo, com uma f***a até no alto da coxa. — Eles escolhem nossas roupas… até isso nós não podemos fazer. Eu já não sinto mais nada pelo RB, só nojo, porque sou muito maltratada por ele — disse Daiane, na hora em que pegou o telefone das mãos de Ana Paula. Então quer dizer que ela estava do lado ouvindo eu falar e não disse nada? Perguntei: — Você está com raiva de mim, Daiane? Você evita falar comigo. O que está acontecendo? Daiane respondeu: — O RB não quer nós conversando. Ele disse que o Gato falou que sou eu que entrego ele para você. Por causa disso, eu levei uma pisa e fiquei toda roxa. Por isso tenho medo de conversar contigo perto deles. — Bom, se você acha assim, tudo bem. Ana Paula pegou o telefone e falou: — Não fica com raiva dela. Esses homens que nós arrumamos não prestam. Não sei como vamos nos livrar deles. Sem querer, deixei escapar: — Eu já tentei e não consegui… vou fazer o quê? Ana Paula, na mesma hora, perguntou: — O que você disse? Desconversei e acabei o assunto. Quando deu oito horas da noite, o Gato chegou muito bem vestido, num terno preto, gravata da cor do meu vestido, perguntando se eu estava pronta. Eu já estava pronta, porque eu não queria que ele chegasse e me encontrasse ainda trocando de roupa, senão ele ia querer t*****r, e eu já não suporto mais. Tenho nojo dele. Falei com ele: — Por que você fez o RB bater na Daiane? Ela não me conta nada, eu descubro sozinha. Ou você acha que eu sou tão tapada assim que alguém tem que vir na minha casa dizer que você estava fazendo orgia na sua casa junto com RB e JP? Claro que não, né? Eu já sabia, porque a outra não está aí. É por isso que você está me levando para a festa da facção. Você levou ela duas vezes, que eu soube. Eu não sou nada para você. Para que você vai me levar? Na mesma hora senti meu rosto queimar. Ele me deu um tapa no rosto. Eu ia chorar, mas não quis dar esse gostinho a ele. Botei o perfume francês que eu comprei com o meu dinheiro e descemos as escadas. Ele ficou me olhando e disse: — Você está linda. É por isso que eu não te largo. Não vou deixar você para ninguém. Me deu a mão com ignorância, me puxando. Entramos num carro novo que ele comprou. O carro era blindado, todo de couro branco por dentro, muito bonito. Perguntei a ele quando ele ia me dar o meu carro, porque ele deu um para a Monalisa. Ele não respondeu nada, e nós continuamos a seguir. Chegamos lá. Era um sítio com um casarão muito grande, enorme, coisa fina mesmo. Antes de sairmos do carro, ele segurou meu rosto, apertando com força, e disse: — Se eu ver você conversando com algum macho, eu te quebro na porrada aqui no meio de todo mundo. Só quero você conversando com a Daiane e com a Ana Paula, e só. Não sai do lugar quando eu for lá para dentro, para a reunião. Vocês ficam as três sentadas juntas. Olhei para a cara dele, soltando a mão dele da minha boca, e falei: — Como você fez seu amigo proibir a minha prima de falar comigo? Ela não fala mais comigo já tem mais de um mês. Ele desceu do carro me puxando, chamou o RB e disse: — A partir de hoje, RB, a Daiane, prima da minha esposa, vai conversar com ela. Não quero que elas se afastem uma da outra por causa de nós dois. O erro é nosso, não é delas. E quem manda somos nós. Vamos entrar sem confusão. Já sabe: as três do nosso lado. JP falou, e nós entramos. Ficamos sentadas na mesa que estava destinada ao morro da Tijuca. Quando deu uma certa hora, todo mundo olhou para uma porta, e dali saíram três pessoas: dois coroas e um rapaz de uns trinta anos, mais ou menos, lindo. Ele olhou para mim rapidamente e tirou os olhos, olhando o salão todo. O pai dele, que eu já conheço, veio nos cumprimentar e trouxe ele e mais um outro, que ele chamou de Mandala, e falou: — Meu filho, esse é o Gato, chefe do Morro da Tijuca. As moças eu não conheço, mas devem ser as esposas deles. Esse é o RB e aquele ali é o JP. São todos amigos, aliados da mesma facção. O rapaz bonito apertou a mão deles, mas não olhou para a gente. Vi que o outro coroa, que se apresentou como Mandala, olhou para Daiane e rapidamente tirou os olhos. RB percebeu, mas não disse nada, porque Daiane não viu, mas eu vi. Chegamos à nossa mesa, mais para o canto, porque estavam colocando mais mesas, pois chegou mais gente. Muita gente. O salão ficou cheio. Tinha muitas marmitas. Eu sei que eram, porque conheço marmita de longe. Agora já estou mais familiarizada com esse tipo de pessoa. No meio delas chegou uma loira muito bonita com um cara. O cara olhou diretamente para o Gato e fez um sinal com a cabeça. Não entendi aquilo, mas tudo bem. O Henry foi apresentado como o novo chefe do comando. O nome dele agora será Henry da Rocinha. As mulheres caíram logo matando em cima dele. Ele, muito sério, não olhou para nenhuma, mas eu percebi que ele olhou duas vezes para mim, e o Gato não percebeu, graças a Deus, senão eu ia apanhar. Eles entraram para a reunião, todos os homens. Nós ficamos ali, com a cabeça já doendo, o pescoço de tão ereto que nós estávamos, olhando para um ponto só, ou seja, para a parede. Eu, Ana Paula e Daiane ficamos ali mais ou menos duas horas sentadas, bebendo caipirinha de morango. Tomamos três cada uma, porque eles disseram a quantidade que nós podíamos tomar enquanto estivéssemos longe deles. Todos saíram daquela sala e vieram para a mesa de suas mulheres. RB, JP e o Gato saíram, mas não vieram para nossas mesas. Passaram direto e entraram num corredor escuro mais atrás. Passaram três mulheres, inclusive a tal loira, que me encarou. O cara que estava com ela continuou sentado. Olhei para o rapaz e falei para Ana Paula: — Aquele cara trouxe aquela loira. Ele olhou para o Gato como se tivesse avisando alguma coisa. O que será? Ana Paula me explicou, irritada: — Eu vou te dizer porque você parece burra. Você não percebe as coisas. Aquela loira é caso do Gato. Ela sempre sai com ele quando ele vem para cá, para a festa da facção. Perguntei: — Mas como assim, se todas as vezes a Monalisa vem junto? Ana Paula respondeu: — Ele dá perdido nela, como deu em você, e você nem percebeu. — O JP e o RB também foram? Quando nós olhamos para a Daiane, ela estava chorando. Continua…
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