Russo O morro do Ben nunca pareceu tão pequeno quanto hoje. Eu já subi essas ladeiras outras vezes. Pra negociar carga, pra alinhar rota, pra fazer aquela política de morro que todo mundo finge que é amizade mas por trás é só negócio. Sempre foi tranquilo. Respeito de um lado, respeito do outro. Hoje não. Hoje eu subi com o sangue fervendo. A moto cortava as vielas, o vento batendo na cara, cada curva era um tiro no peito. Eu vinha rápido demais, passando reto onde devia reduzir, fazendo os cria do Ben olharem torto. Mas eu não tava nem aí. A Glock na cintura pesava, mas o peso maior era o vazio que a Maya deixou no meu quarto. Aquele quarto vazio. A cama desarrumada do jeito que ela deixava pós sexo, o cheiro dela no travesseiro, o batom esquecido no criado-mudo, a blusa dela pendu

