Maya ... O carro tava estacionado na porta. Um sedan preto, discreto. Ele abriu a porta de trás. — Entra. Deita no banco. Não levanta a cabeça por nada. Eu obedeci. Deitei, encolhida igual bicho, os olhos fixos no teto do carro. — Vai dar tudo certo. — ele disse tentando me acalmar. — Juro. Ele fechou a porta. Entrou no banco da frente. Ligou o motor. Quando olhei pro lado, vi as motos. Seis. Três na frente, três atrás. Os vapô do meu pai, armados, prontos pra tudo. Descemos o morro. Cada curva era um susto. Cada esquina podia ser ele. Cada vulto na rua podia ser um dos capangas do Russo. Meu coração batia tão forte que eu ouvia no ouvido. A mão apertava minha barriga, protegendo, como se pudesse esconder o bebê do perigo. A gente foi passando. As ruas, os becos, a boca de fumo

