Maya Acordei com cheiro de café. Era cheiro de café fresco, forte, misturado com pão na chapa. Aquele cheiro de casa. De cuidado. De alguém pensando na gente antes de a gente acordar. Fiquei na cama uns segundos, confusa. O teto não era o meu. A parede não era a minha. A cama não era a minha. Aí veio tudo de volta. O tapa. A fuga. O Edy. O apartamento em Copacabana. Eu tô viva. E tô segura. Levantei devagar, com cuidado. A barriga ainda não aparece, mas eu já sinto o peso da responsabilidade. Não é físico. É uma presença. Uma coisa viva ali dentro que me lembra o tempo todo: você não tá sozinha. Nunca mais vai estar. Escovei os dentes, passei água no rosto, penteei o cabelo com os dedos mesmo. Respirei fundo e fui pra cozinha. O Edy tava de costas pra mim, sem camisa, mexendo na

