Russo Eu tô aqui, encostado no balcão improvisado desse baile no morro do Jogador, com o copo de whisky na mão, mas o gosto já virou nada faz tempo. A batida do funk tá estourando nos paredão, o grave batendo no peito como soco, e o cheiro de maconha misturado com suor e perfume barato enche o ar. Luz colorida piscando, mulher rebolando no meio da pista, cria gritando. — Bota, bota! — pros MCs. Normalmente isso me anima, me faz sentir no controle. Hoje não. Hoje eu só sinto um vazio que não explica. A Maya mudou. Eu percebo faz dias. O olhar dela tá distante, como se tivesse uma parede de vidro entre a gente. Ela sorri, responde, mas não é a mesma. Não tem mais aquele fogo nos olhos quando me olha. Eu tento puxar ela pra perto, beijo no pescoço, mão na cintura, mas sinto resistência.

