14

1046 Words
Capítulo 14** *Luana narrando* Assim que Preto sai do banheiro, eu espero alguns segundos antes de sair atrás dele. Ainda sentia minha pele quente e meu coração acelerado depois do que acabara de acontecer. Mas eu precisava retomar o controle. Me ajeito no espelho, respiro fundo e caminho de volta para perto de Raul, me misturando novamente à festa. — Vamos servir o jantar? — pergunto baixinho ao me aproximar dele. Raul me olha de canto, desconfiado. — Onde você estava? — Organizando para servir o jantar — respondo com naturalidade, mas ele continua me encarando. — Estou de olho em você — ele avisa, a voz baixa e firme. — Preciso de um favor seu. — Qual? — pergunto, interessada. — Vai até o mezanino e leva algumas taças de vinho para o Supervisor. Fiquei atenta ao pedido. O Supervisor era um dos homens mais importantes na rede de contatos de Raul. Se ele queria que eu levasse algo pessoalmente, era porque queria que eu avaliasse a situação. — Ok — respondo, pegando uma garrafa de vinho e duas taças antes de seguir até o mezanino. Subo os degraus com calma, sentindo o peso do olhar de algumas pessoas em mim. Lá em cima, encontro Túlio, o Supervisor, ao telefone. Ele me vê e encerra a ligação imediatamente, me encarando com um olhar frio e calculista. — Luana — ele cumprimenta, desconfiado. — Percebi que o senhor está nervoso — digo, servindo uma taça de vinho. — Trouxe algo para ajudar a relaxar. Ele aceita a taça, mas sua expressão não suaviza. — Seu marido sempre com essas ideias que podem me colocar em risco... — Raul? — questiono, fingindo surpresa. — Ele é um homem de visão. Deveria confiar nele. — A última ideia dele nos colocou na mira da polícia — ele responde, estreitando os olhos. Minha mente trabalha rápido. Então era sobre isso. O avião que caiu. — O avião? — pergunto, fingindo desinteresse. — Então você já sabe... Dou um pequeno gole no vinho e sorrio. — Sei que meu marido confia em mim. O bastante. — O bastante quanto? — O suficiente para estar ao lado dele sempre. Afinal, sou sua esposa. Faço tudo por ele. Ele solta uma risada curta, debochada. — Até mesmo me seduzir no mezanino durante um jantar? Sorrio com cinismo, encarando-o de volta. — Até mesmo isso, se fosse necessário. Mas não estou aqui por isso. Essa festa está me irritando com tanta gente falsa. Túlio inclina a cabeça, me analisando como um predador. — Sempre me perguntei por que Raul se casou com uma prostituta de rua. Minha expressão permanece intacta, mas por dentro sinto um frio subir pela espinha. — Nunca fui uma prostituta de rua — digo lentamente, controlando minha respiração. — Fui secretária do Raul. Ele ri novamente, dessa vez com mais vontade. — Ah, por favor, Luana. Eu sei exatamente de onde você veio. E com quem você era envolvida. Na verdade, sei de todo o seu passado. Uma pena não termos conversado antes. Meu estômago se revira, mas mantenho minha postura firme. — Não sei do que está falando. — Marcelo. Dono do Morro da Fé. Conhecido como Terror. Fico em silêncio. — Uma dívida... — ele continua, me provocando. Meus dedos se apertam ao redor da taça. — Nunca ouvi esse nome. — Ah, já ouviu, sim — ele sorri, satisfeito com meu desconforto. — Você causou muito no Morro da Fé. E foi por isso que se enfiou nos braços do Raul, um homem ainda mais perigoso. Só assim Marcelo não poderia te tocar, porque sabia que Raul o mataria se tentasse. Minha mente fervilha. Ele sabia demais. — Se você sabe que Raul mataria Marcelo, então sabe que ele também mataria você — aviso, minha voz fria como gelo. Túlio ri e dá um passo para trás, pegando a taça de vinho novamente. — Aí é que está. Raul precisa de mim muito mais do que precisa de você. Você realmente acha que ele ficaria do seu lado? Dou um passo para trás discretamente, me aproximando do balcão. Raul sempre escondia armas pela casa, e eu sabia que havia uma ali. — O que você quer? — pergunto, deslizando a mão por baixo do balcão e encontrando a arma. — Podemos negociar. Sei que para você seria nojento se relacionar com um velho como eu... Mas, para mim, estar com uma mulher jovem e bonita como você seria um privilégio. — Você quer que eu transe com você em troca do seu silêncio? Ele sorri. — Não. Quero que você suma. Caso contrário, posso falar com Raul agora mesmo e convencê-lo a te jogar de volta para o Morro da Fé. Seguro firme a arma e sorrio. — Você subestimou a mulher errada, Supervisor. Antes que ele possa reagir, disparo. O silenciador abafa os tiros, e seu corpo cai no chão com um baque surdo. Empurro-o para baixo do balcão rapidamente e pego a arma, escondendo-a. Respiro fundo e limpo o suor da testa. Preciso agir rápido. Volto para a festa e me aproximo de Raul. — Ele quer falar com você — digo calmamente. Raul me encara, desconfiado, mas assente e caminha até o mezanino. Antes que ele chegue lá, entrego a arma para um dos seguranças. — Encontrei isso na mão de uma das crianças — invento. Raul franze o cenho. — Como assim? — Provavelmente um dos pestinhas achou onde você a escondeu. Ele suspira, irritado. — Vou cuidar disso. Fique de olho nas crianças. — Claro. Aproveito a distração e dou ordens a um garçom. — Diga ao DJ para anunciar que teremos fogos de artifício lá fora. A movimentação na festa muda, com todos indo para a área externa. Raul chega ao mezanino e encontra o corpo de Túlio. Seu rosto se transforma em pura descrença. Os convidados começam a se aglomerar ao redor dele. Aproveito a confusão para correr em direção à saída. Meus dedos tremem ao pegar as chaves de um carro. Raul se vira, me procurando. Entro no carro e ligo o motor. Acelero, saindo a mil da casa. Não sei para onde estou indo, mas sei de uma coisa: preciso sumir antes que Raul descubra a verdade.
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