*Preto narrando*
Foi tudo muito rápido. O aviso do DJ soou como um trovão, espalhando o caos pelo ambiente. Em questão de minutos, todo mundo já estava reunido no local onde Raul se encontrava, parado ao lado do corpo sem vida do supervisor de segurança. O cheiro de pólvora ainda pairava no ar, misturado ao murmúrio inquieto das pessoas ao redor. Antes que ele pudesse sequer abrir a boca para se explicar, o tenente Bahia avançou sem hesitar.
— Raul, você está preso! — Bahia declarou, firme, enquanto apontava a arma para ele.
Raul não reagiu, mas a expressão em seu rosto era de puro ódio e incredulidade. A mãe dele, desesperada, soltou um grito.
— Meu filho não é um assassino!
Pedro Alberto, irmão de Raul, tentou segurá-la pelos ombros, pedindo calma. Marta, a governanta da casa, balançou a cabeça em silêncio, observando a cena com um olhar desconfiado.
— Estranho, seu Raul… — ela murmurou, como se falasse consigo mesma.
O olhar da mãe de Raul se transformou em puro veneno quando se virou para todos ali.
— Cadê a v***a da Luana?
Pedro Alberto suspirou, visivelmente desconfortável.
— Chega, mãe! Isso não ajuda!
Os carros da polícia chegaram com sirenes estridentes, interrompendo qualquer outra discussão. Raul foi algemado ali mesmo, sem chance de protestar. Ele nem tentou argumentar, mas seus olhos diziam muito. Ele não parecia assustado. Parecia furioso.
### **Na delegacia**
Fiz questão de ir até a delegacia junto com Pedro Alberto, que além de irmão, era advogado de Raul. Quando chegamos lá, Tenente Bahia permitiu que entrássemos na sala onde Raul estava sendo mantido.
— Por que você matou ele? — perguntei, direto ao ponto.
Raul soltou uma risada seca, como se estivesse debochando da situação.
— Eu não matei.
Pedro Alberto franziu a testa.
— Então quem foi?
— Luana — Raul respondeu sem hesitar.
Troquei um olhar com Pedro. Aquilo não fazia sentido.
— A Luana? — ele perguntou, confuso.
— Aquela v***a — Raul cuspiu as palavras. — Eu mandei ela ir falar com o supervisor. Depois de um tempo, ela voltou dizendo que ele queria falar comigo. Quando cheguei lá, ele já estava morto.
— E onde ela está agora? — Pedro perguntou.
— Eu não vi ela depois disso — respondi, cruzando os braços.
Raul franziu o cenho, pensativo.
— Ela deve ter fugido com medo. Mas isso não muda o fato de que me colocou na mira de todo mundo.
— Mas por que diabos ela mataria o supervisor? — perguntei.
Raul balançou a cabeça.
— Eu não sei o que foi falado entre os dois. Mas ela estava estranha nos últimos dias, agindo diferente, pensativa… Como se estivesse tramando alguma coisa.
Pedro suspirou e massageou as têmporas.
— Sua casa tem câmeras. A gente pode verificar as gravações.
— Eu mandei recolher todas — Pedro disse. — Se quisermos saber o que houve, precisamos decidir como usar essas imagens.
Raul bufou.
— Eu não quero a polícia atrás dela. O que eu quero é sair daqui e resolver isso com minhas próprias mãos.
— Como quiser — Pedro disse, se levantando. — Vou cuidar da sua soltura.
Quando saí da delegacia, a confusão do lado de fora estava apenas começando. A imprensa já estava posicionada, câmeras e microfones apontados para cada um que saía. Passei direto, tentando evitar qualquer contato.
Encontrei Pedro Alberto conversando com sua mãe no estacionamento. O rosto dela estava vermelho de raiva.
— Luana desapareceu! — ela exclamou. — Eu sempre soube que essa garota não prestava!
Pedro suspirou.
— Calma, mãe. Raul não vai ficar preso por muito tempo.
Ela cruzou os braços, indignada.
— Ele mandou matar essa desgraçada?
Pedro hesitou antes de responder.
— Mandou encontrá-la.
— Ele deveria mandar matar! — ela cuspiu as palavras, os olhos brilhando de fúria.
Alguns dos sócios de Raul estavam por perto, murmurando entre si. Todos falavam sobre Luana do mesmo jeito: com raiva e desprezo. Fiquei em silêncio, refletindo sobre aquilo.
Algo não fazia sentido. Se Luana realmente tivesse armado tudo para incriminar Raul, por quê? O que ela ganharia com isso?
O supervisor de segurança era um homem importante. Ele tinha acesso a informações privilegiadas, era um dos pilares da estrutura que mantinha Raul no poder. Se Luana realmente o matou, então qual era o verdadeiro plano dela?
Me afastei do grupo, pegando o celular para tentar rastrear algum movimento dela. Liguei para alguns contatos, mas ninguém sabia de nada. Ela simplesmente sumiu no ar.
Se ela tivesse fugido, era questão de tempo até alguém encontrá-la. Mas se tivesse um plano maior… Raul poderia estar prestes a enfrentar um inimigo que nem sequer enxergava ainda.