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703 Words
*Narrado por Luana* Eu não tinha para onde correr. Só percebi isso depois de rodar o Rio de Janeiro inteiro com aquele carro. Como fui i*****l! Raul, nesse momento, devia estar querendo a minha cabeça, e meio mundo devia estar atrás de mim. O carro tinha GPS. Era óbvio que iriam me rastrear. Sem pensar duas vezes, estacionei em uma rua qualquer e desci. Caminhei rápido, olhando para os lados, tentando ignorar a sensação de que alguém já estava no meu encalço. Meu celular começou a tocar sem parar. Droga! Eles podiam me rastrear por ele também. Com o coração na mão, larguei o aparelho em cima de um banco de praça e segui em frente. Eu sabia que aquela atitude ia me ferrar depois, mas era a única opção no momento. Entrei no primeiro táxi que vi e me joguei no banco de trás. — Pra onde, moça? — o taxista perguntou, olhando pra mim pelo retrovisor. Eu não sabia. Não podia ir pra casa. Não podia ir para nenhum lugar que Raul conhecesse. — Algum hotel — respondi, sentindo o desespero tomar conta. — Tem um no centro, mas é meio badalado. — Um mais afastado! O taxista me olhou de cima a baixo, talvez estranhando meu nervosismo e o vestido de festa amassado. — Tem um perto de um centro comercial, não chama muita atenção. — Pode ser. O caminho pareceu durar uma eternidade, mas assim que paramos em frente ao hotel, senti um breve alívio. Desci rápido, joguei algumas notas no banco do passageiro e segui para a recepção. O lugar era simples, nada luxuoso, mas servia. — Bom dia — um homem atrás do balcão me cumprimentou, me analisando de cima a baixo. Provavelmente achava que eu era garota de programa. — Preciso de um quarto. — Está sozinha? — Sim. — Documento? — Pago adiantado. Coloquei o dinheiro na bancada antes que ele pudesse questionar. Ele pegou as notas, conferiu, e me entregou uma chave. — O banheiro fica no fundo do corredor. — Obrigada. Subi as escadas sentindo meu corpo pesar. Eu precisava descansar, pensar no que fazer. Mas quando abri a porta do banheiro, o cheiro podre quase me fez vomitar. Imundo. Inutilizável. Revirei os olhos, irritada, e desci novamente. Não vi ninguém na recepção, então fui atrás de uma vassoura e um rodo. Peguei também um produto de limpeza barato que encontrei jogado por ali. Subi e limpei o banheiro como pude. O cheiro era horrível, mas melhor do que antes. "Do luxo ao lixo", pensei, lembrando daquela música. Quando terminei, tomei um banho rápido, tirei a maquiagem borrada e voltei para o quarto. Me joguei na cama e fechei os olhos por um segundo, mas o barulho de vozes na porta me fez gelar. — Ela tá nesse quarto — uma voz masculina disse. Meu coração disparou. — Você tem certeza que é a garota que o Marcos quer? Marcos. Meu sangue gelou. Eles arrombaram a porta, e eu me joguei para trás, procurando uma saída. Vi uma porta no corredor e a abri sem pensar. Uma escada! Desci correndo, tentando não fazer barulho. Escutei os homens revirando tudo atrás de mim. Assim que cheguei ao térreo, saí pelos fundos do hotel e corri. — Ela tá aqui fora! — alguém gritou. Não olhei para trás. Me misturei na multidão do centro comercial, esbarrando em pessoas, atravessando galerias apertadas, cortando por becos sem rumo. Minha bolsa ficou para trás, todo o dinheiro que eu tinha foi junto, mas minha vida era mais importante. Minha respiração estava ofegante quando vi um táxi parado no semáforo. Corri e entrei sem nem pensar. — Anda! — falei, tentando recuperar o fôlego. — Pra onde? Eu não sabia. Não tinha ninguém. Nenhum lugar seguro. Exceto um. — Morro da Proeza — soltei, sentindo um arrepio ao dizer aquelas palavras. O taxista virou o rosto, desconfiado. — Lá eu não vou, senhora. — O mais perto possível, então. Rápido! Ele hesitou por um segundo, mas acelerou. Eu me afundei no banco, tentando recuperar o fôlego. Agora, eu estava sem dinheiro, sem celular, sem saída. E a única pessoa que poderia me ajudar era Preto. Mas a que preço?
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