Episódio 9

1407 Words
Movida pela amargura da derrota, mas recusando-se a aceitá-la, Elizabeth decidiu aventurar-se em território desconhecido no dia seguinte. Em seu escritório, abriu abas anônimas em sites como Lovehoney e Adam & Eve. Seus olhos se arregalaram em espanto com a variedade de brinquedos: vibradores de última geração com formatos anatômicos impossíveis, algemas forradas de pele de cordeiro, vendas de seda preta e até mesmo arreios de grife que lembravam instrumentos de tortura medievais, mas com um acabamento luxuoso. Sentindo que as compras online eram impessoais demais e temendo que um histórico de navegação desleixado a denunciasse, decidiu visitar uma loja física onde ninguém a conhecesse. Escolheu uma s*x shop chamada The Velvet Room, localizada em um bairro industrial bem distante de seu círculo social no Upper East Side. Vestiu jeans simples, um sobretudo creme e óculos de sol grandes que escondiam metade do seu rosto. Ao entrar, o som de um sino a assustou, fazendo-a sentir-se como uma criminosa saindo de um assalto a banco. O lugar cheirava a látex e baunilha. Elizabeth caminhava pelos corredores com as mãos nos bolsos, observando as paredes repletas de chicotes, géis de aquecimento e lingeries comestíveis com uma mistura de curiosidade e constrangimento. Ela estava prestes a ceder ao nervosismo quando a realidade a atingiu em cheio com a última pessoa que esperava encontrar naquele corredor, repleto de pênis de borracha de trinta centímetros. Ela parou em frente a uma vitrine que exibia uma linha de vibradores de cristal artesanais. Estava perdida, com o coração batendo forte no peito, quando uma jovem vendedora se aproximou com um sorriso amigável. "Precisa de ajuda com algo em particular, querida? Está procurando algo para usar sozinha ou com seu parceiro?", perguntou a moça. Elizabeth engoliu em seco, pronta para inventar uma desculpa para fugir, quando uma voz masculina dolorosamente familiar ecoou atrás dela, quebrando o anonimato de seus óculos escuros. Era incrível como, mesmo sob as camadas de roupa e os óculos escuros, alguém que a conhecia sabia quem ela era. — Elizabeth? É você? Elizabeth congelou. O ar na loja, carregado de aromas doces e látex, parecia ficar mais denso. Por um segundo, ela pensou em correr, mas seus pés estavam grudados no chão. — Elizabeth? A voz soou mais perto, quente e com aquele tom aveludado que ela conhecia tão bem. Ela se enrijeceu, abaixando ainda mais a cabeça e fingindo examinar obsessivamente uma caixa de géis térmicos. "Ele não me viu, é só uma coincidência, ele não me viu", repetiu para si mesma como um mantra, mas a presença parou bem ao seu lado. — Eu reconheceria sua silhueta entre mil mulheres nos confins da Terra, Eli. Esses óculos são enormes, mas sua elegância a entrega mesmo em um lugar como este. Disse Nathaniel, soltando uma risadinha suave que lhe causou arrepios. Elizabeth sentiu o sangue subir às bochechas com tanta força que temeu que seus óculos embaçassem e, instintivamente, mordeu o lábio inferior. Ela se virou lentamente, apertando a bolsa contra o peito como um escudo. — Nathan... eu... não é o que parece. Eu só estava... passando por aqui. Gaguejou, desejando que a terra a engolisse. Nathaniel, longe de julgá-la, olhou para ela com uma ternura lúdica, quase pecaminosa, como se ela fosse uma deusa. Ele carregava uma pequena bolsa e parecia tão relaxado como se estivesse no escritório. — Relaxe, Eli. Você não precisa se explicar. É perfeitamente normal querer manter a chama da paixão acesa, e com um homem como Sebastian como marido, é mais do que justificável, eu acho. Ele acrescentou, baixando a voz com um toque de sarcasmo. — É só que ele está tão ocupado com suas batalhas judiciais noturnas que se esqueceu de como é ter uma joia como você esperando por ele em casa. — Eu realmente preciso ir, isso foi um erro.Ela disse, tentando passar por ele, para ir embora antes que as coisas saíssem do controle. Mas Nathan bloqueou seu caminho com um passo leve e um sorriso malicioso que iluminou o corredor de brinquedos eróticos. — Ah, não! Você não vai sair de mãos vazias depois de atravessar metade da cidade. Se vai pecar, que seja com classe. Nathan pegou um pequeno vibrador rosa-dourado da prateleira e apontou para ela. — Olha isso, Eli, é tecnologia espacial. É mais potente que o motor do carro do Sebastian. Se ele não consegue se dar conta disso, então com certeza é feito de pedra ou algo muito mais frio e entediante do que um contrato de aluguel. Elizabeth soltou uma risada nervosa, a primeira em dias. A naturalidade de Nathan estava derrubando suas defesas, embora ela corasse e se preocupasse com a possibilidade de outro homem fazê-la corar em uma sxex shop cheia de brinquedos. — Nathan, por favor... isso é constrangedor. Ela sussurrou, cobrindo a boca. — Não acredito que estamos falando disso. — Constrangedor? Constrangedor é o café que servem no buffet. Isso é só... engenharia do prazer. Ele retrucou, piscando para ela. — Olha, se você estiver se sentindo perdida, terei prazer em ser seu consultor especializado. Além disso, se tiver alguma dúvida sobre como um brinquedo funciona e não quiser ler o manual... estou à sua inteira disposição para uma demonstração prática, puramente para fins científicos e de boa vizinhança, é claro. Porque, ao contrário de alguns, eu sei apreciar uma boa arquitetura quando a vejo. ‍​‌‌​​‌​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​Elizabeth riu mais alto e tentou afastá-lo com a ponta dos dedos. Ela odiava que ele a fizesse rir como uma adolescente. — Você é um idi*ota! Exclamou Elizabeth, rindo estrondosamente e dando-lhe um soco de brincadeira no braço. A tensão acumulada durante toda a semana começou a se dissipar sob o carisma de Nathan, e ele a observou relaxar com suas piadas e deixar seu charme fazer sua mágica. — Sou apenas um bom amigo preocupado com a felicidade da sua arquiteta favorito. Disse ele, oferecendo-lhe o braço com uma cavalheirismo irônico. — Vamos lá, pare de olhar para aqueles vibradores chatos que parecem escovas de dente elétricas. Aquela seção ali tem coisas com controle remoto que você pode usar enquanto ele está em uma reunião. Imagine a cara dele quando você estiver no controle — literal e figurativamente. Seria uma pena se ele fosse o único se divertindo fora de casa, não é? Elizabeth franziu a testa, sem entender o que ele queria dizer. — O que isso quer dizer? Nathan olhou nos olhos dela, com a língua coçando para contar a fofoca mais quente da semana no escritório. Ele estava louco para acabar com aquele casamento e escapar por entre os dedos como vinho em um copo quebrado, mas não queria que ela pensasse que ele estava mentindo. Nathan sabia que Elizabeth confiava plenamente em Sebastian. — Nada, querida. Disse ele, apertando a mão dela. — Vamos dar uma olhada nos brinquedos. Eles passaram a hora seguinte olhando os produtos na loja. Nathan fazia comentários espirituosos sobre cada item, desde algemas de seda que, segundo ele, eram ideais para impedir que Sebastian se esquivasse de suas responsabilidades conjugais, até óleos de massagem com um efeito aquecedor que poderia ressuscitar até os mortos, ou pelo menos um advogado exausto de tanto trabalhar em casos alheios. Elizabeth passou da vergonha absoluta à alegria genuína, sentindo-se vista e valorizada pela primeira vez em muito tempo. Finalmente, ela saiu da loja com uma pequena sacola e um sorriso genuíno, enquanto Nathan a acompanhava galantemente até o carro. — Obrigada, Nathan, de verdade... Eu precisava rir. Você não imagina o quanto. Disse ela antes de entrar, olhando para ele com um brilho novo nos olhos. — Espero que você tenha um ótimo dia. — Estou aqui para você sempre que quiser rir, Eli, e lembre-se do que eu te disse... Se o controle remoto ficar sem pilhas ou se você precisar de um suporte técnico mais humano e menos distraído do que o do seu marido, meu número continua o mesmo. Estou sempre disponível para emergências de alto risco. Concluiu ele com uma reverência brincalhona enquanto a observava partir, sua expressão disfarçando perfeitamente o fato de que sabia que Sebastian não merecia a mulher que acabara de entrar naquele carro, ou aquela que havia passado por um momento tão constrangedor naquela loja.
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