Episódio 13

1797 Words
Os lençóis de seda egípcia estavam amarrotados, e o ar ainda carregava o perfume floral de Elizabeth. Ela se entregou com serena devoção, guiando as mãos do marido com a confiança de quem sabe que é amada, buscando os seus lábios com um calor que tentava reacender a conexão entre eles. Ela buscava tudo o que mantivera a chama acesa por anos e que, por algum motivo, não existia mais. — Olhe para mim, Sebastian, sinta-me, estou aqui para você. Ela sussurrou no seu ouvido, tentando romper a barreira invisível entre eles. Contudo, apesar da maciez da pele de Elizabeth, Sebastian se sentia distante. Amava a esposa, adorava a sua doçura e a vida que haviam construído, mas seu corpo se recusava a responder, preso numa paralisia eróti*ca que encontrava combustível apenas na escuridão do proibido. Sebastian amava Elizabeth como jamais amaria Victoria ou qualquer outra mulher, e sim, talvez estivesse doente, e por isso buscava calor em outras mãos. Finalmente, após várias tentativas mecânicas que só aumentaram a tensão, Sebastián se afastou com um suspiro frustrado que Elizabeth recebeu com uma calma expectante. Ela permaneceu na cama, mantendo a sua elegância mesmo em meio à vulnerabilidade, observando o marido com um olhar profundo que buscava respostas no vazio do quarto. — Eu não consigo, Elizabeth, eu simplesmente não consigo. Ele disparou com uma voz abafada que mascarava a sua própria vergonha, levantando-se da cama com uma urgência nervosa que a deixou sozinha no colchão. Elizabeth não se sentiu humilhada ou magoada. Estava curiosa. Questionava-se como era possível que seu marido, de repente, não conseguisse mais ter relações se*xuais. Teriam que consultar um especialista? — É só cansaço, Sebastián? Ou há algo que você não está me contando? Ela perguntou firmemente, sentando-se e ajeitando o roupão com movimentos deliberados, tentando processar a rejeição sem perder a compostura. — É algum problema médico? A última coisa que Sebastián precisava era consultar um terapeuta se*xual, e ele nem sabia se isso existia. Imaginou a vergonha de Elizabeth por ser exposta daquela forma, então teve que manter a fachada de que o seu problema era o excesso de trabalho. — Parece que só o trabalho me dá o alívio que preciso agora. Tenho mil coisas pendentes na empresa, e isso não me deixa em paz. Declarou enquanto se vestia às pressas, evitando a todo custo o olhar da mulher que realmente amava, com medo de que ela visse o rastro da sua traição. Elizabeth engoliu em seco e suspirou. Ela entendia. Quando estava ocupada com o trabalho, também não sentia vontade de fazer se*xo com ninguém, mas não conseguia se livrar daquela pontada no peito de que havia algo mais, que ele estava escondendo algo, que talvez houvesse… — Sebastián, o trabalho não deveria ser um refúgio da nossa intim*idade. Disse ela com uma melancolia aguda, mas o som da porta se fechando suavemente atrás dela foi a única resposta que recebeu. — Não vá, Sebastian... Elizabeth recostou-se, mas não para chorar. Os seus olhos permaneceram secos, fixos no teto, analisando inteligentemente as rachaduras que começavam a fraturar o seu casamento. Elizabeth não era uma mulher de chorar. Ela era inteligente, inteligente o suficiente para saber que, se o problema não era ela, era outra pessoa. Enquanto isso, Sebastián caminhava de um lado para o outro no corredor, sentindo a sua vontade desmoronar a cada passo. A raiva de não conseguir ter um relacionamento com a mulher que amava estava se transformando rapidamente numa necessidade química por Victoria. Ela era sua fraqueza, o vício ao qual ele não conseguia resistir quando a realidade o oprimia. Ao entrar no seu escritório, ele não acendeu as luzes. Na sua pressa, deixou a porta entreaberta, esquecendo-se de trancá-la na sua ânsia de acessar a sua droga pessoal. Sentado à sua mesa, a luz azul do monitor iluminou o seu rosto faminto enquanto ele iniciava a chamada de vídeo. Victoria atendeu ao segundo toque com o sorriso de quem sabe que exerce influência sobre a vontade de outra pessoa. Ela estava na cama, vestindo uma camisola de seda preta que m*al cobria os seus ma*milos. Sebastian sentiu uma ereção imediata ao vê-la. Gostava do corpo dela, gostava do ar sensual que ela tinha. Sentia-se e******o pela falta de lascívia que a sua esposa possuía. — Ora, veja só quem está voltando correndo para a sua caverna. Ela zombou, a voz carregada de pecado que vibrava nos ouvidos de Sebastian. — Cala a boca e faz logo. Eu preciso disso. Ele rosnou, desabotoando as calças com um desespero que beirava a loucura, buscando desesperadamente a estimulação que a sua casa não lhe proporcionava. — Preciso que você me faça go*zar como só você sabe fazer. Victoria começou a se tocar com uma das mãos enquanto, com a outra, inseria um brinquedo de vidro entre as pernas. O atrito do vidro contra a sua pele úmida produziu um som abafado que inflamou os nervos de Sebastian através da tela. Ela abriu as pernas para que Sebastian tivesse uma visão completa da sua intim*idade. — Olha para mim, Sebastian… olha como me abro para você. Sussurrou Victoria, aumentando o ritmo das estocadas. — Diga-me o quanto você está pensando que nunca conseguirá go*zar dentro dela porque só eu tenho a chave do seu prazer. Sebastian começou a se mas8turbar com violência cega, os olhos fixos na tela. Ele se sentia culpado por trair a pureza de Elizabeth, mas o magnetismo de Victoria era mais forte do que qualquer vestígio dos seus princípios. Ele sabia que precisava parar, que quando a sua esposa descobrisse, o seu casamento acabaria, mas como qualquer viciado em drogas, ele não conseguia largar. — Olha só para você! Victoria cuspiu cruelmente, enfiando o brinquedo dentro dela. — Tão desesperado por uma mulher de verdade enquanto aquela santa Elizabeth espera que você a ame. Imagine que são meus lábios… Se toque, imagine eu te sugando até secar. — Estou tão e*xcitado por você, Victoria… Sebastian ofegou, a sua pele brilhando de suor sob a luz fria do monitor e a rapidez da sua mão. — Diga-me o quão va*dia você é quando me imagina aí, te esmagando contra a mesa. — Eu sou sua va*dia, Sebastian… e você é meu escravo. Ela gemeu do outro lado, contorcendo-se de prazer. — Diga-me que você me quer! A emoção da traição e da linguagem proibida finalmente o levou ao abismo. Sebastian soltou um rugido abafado ao atingir um clímax explosivo e abundante. Sêmen manchou a sua mão e a mesa, pingando na madeira escura enquanto ele fechava os olhos, exausto por essa liberação, tão tóxica quanto necessária. Era exatamente disso que ele precisava: que sua parceira sedutora, a destruidora de lares, a vulgar, alcançasse o seu objetivo. — Preciso ir. Disse ela, retirando lentamente o brinquedo e circulando a ponta com a língua, como fizera antes. — Te vejo amanhã no escritório, e espero que possamos repetir ao vivo. O êxtase dissipou-se abruptamente assim que a tela ficou preta, deixando para trás um vazio desolador. O silêncio foi então quebrado pelo leve giro da maçaneta. Sebastian m*al conseguiu olhar para trás quando Elizabeth entrou no escritório. A vergonha de Sebastian contrastava fortemente com a compostura de Elizabeth, que manteve o queixo erguido. Ela parecia majestosa, envolta no seu robe de seda, a cabeça erguida, embora o seu olhar revelasse uma tristeza infinita. Os seus olhos voltaram-se para as mãos do marido, ainda manchadas com o rastro fresco e viscoso da sua traição, e depois para a tela onde Sebastian, num momento de pânico, deixara uma página pornográfica aberta como escudo de última hora. Elizabeth ficou parada, observando a cena com uma decepção gélida que magoou Sebastian mais do que qualquer grito ou repreensão. Elizabeth estava atônita, como qualquer mulher que flagra o marido numa situação comprometedora, mas o que realmente a afligia era ver a extensão da sua doença. Não era por causa do trabalho. Era por causa dela. — É isso que te impede de vir para a nossa cama, Sebastian? Ela perguntou, com a voz clara, embora carregada de dor reprimida. — Estávamos juntos agora mesmo, e você não conseguiu. Você olhou nos meus olhos, me tocou... e me deixou lá para vir se isolar assim. — Liz, escuta, não é o que parece... é o estresse, eu... Ele gaguejou, tentando disfarçar a confusão e sentindo-se um covarde diante da dignidade inabalável da esposa. Elizabeth sabia perfeitamente o que tinha visto. — Não insulte a minha inteligência com mentiras adolescentes. Ela retrucou, dando um passo à frente e forçando-o a encará-la. — Não me envergonho do meu desejo por você, mas estou profundamente triste com a sua incapacidade de ser honesto conosco. Passamos cinco anos construindo uma vida juntos. Você realmente prefere uma fachada à mulher ao seu lado? A compostura de Elizabeth era tão palpável que preenchia o cômodo, sufocando a baixeza do momento. — Você está doente, Sebastian. Ela finalmente deixou escapar. Ele a olhou, vendo a rainha que era sua esposa, e enfim sentiu o verdadeiro peso da sua própria degradação. Ela não estava implorando. Ela exigia a excelência que ele já não sabia como lhe dar. — Precisamos de ajuda, Sebastian. Disse ela com uma autoridade tranquila, como se soubesse o que precisava de ajuda. — Não vou permitir que este casamento se torne uma farsa de solidão compartilhada. Se houver algum problema, iremos a um médico ou a um terapeuta, mas nunca mais me desrespeite assim. Sebastian, com o coração disparado, enxugou as mãos rapidamente. Levantou-se e a abraçou, apertando-a com uma força nascida do remorso. Elizabeth permitiu-se o contato, enterrando o rosto no seu peito, procurando o homem por quem se apaixonara. Ele tinha o cheiro dela, do seu corpo, e isso a acalmou. — Perdoe-me, meu amor... perdoe-me por ser tão fraco. Ele sussurrou, a sua voz retornando àquele tom caloroso e sincero que só sentia por ela. — Você tem razão, o estresse me levou a buscar as soluções erradas. Eu estou... doente... Não consigo me controlar. Não tem nada a ver com você, você é perfeita. Vamos superar isso, eu prometo. Elizabeth inspirou o seu perfume e assentiu, determinada a salvar o seu lar a qualquer custo, sem saber que o verdadeiro perigo não era uma imagem pixelizada ou uma página de origem duvidosa, mas Victoria, que o esperava todas as manhãs, cúmplice do escritório de advocacia. ‍​‌‌​​‌​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​‌‌​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌​‌‌‍
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