Episódio 31

1233 Words
— Uma solução, Sebastian? Ela perguntou, a voz, embora baixa, cortando o ar como um bisturi contra a pele. — A solução não era trazê-la ao seu escritório. A solução não era mentir para mim todas as noites enquanto me dava um beijo de Judas. Agora, a única solução para nós, Sebastian, é o divórcio. — Não fale assim! Ele gaguejou, tentando pegar a mão dela, mas ela recuou como se o toque a queimasse mais do que um pedaço de madeira de uma fogueira. — Como você pode dizer divórcio com tanta frieza? Somos nós! Cinco anos, Liz. Você não pode apagar cinco anos com uma fogueira e uma palavra. Eu não vou te dar o divórcio. Eu não quero te perder. Eu me recuso a aceitar. Elizabeth o conhecia. Sabia que ele não a deixaria ir, mas era aí que ela se enganava, porque ela tinha o poder de escolha e não era mais a marionete que ele usava para punir os seus dem*ônios. — Não é algo que você tenha que aceitar, é algo que você mesmo provocou com o seu engano. Ela respondeu, endireitando as costas com uma dignidade que o fez parecer pequeno. — Não haverá mais conversa naquela cozinha, nem súplicas no meu jardim, nem promessas vazias na cama. De agora em diante, se você tiver algo a dizer, se precisar negociar ou implorar, entre em contato com meu advogado. Sebastian olhou para ela, com o coração disparado, sentindo como se não conseguisse respirar. — Seu advogado? Ele repetiu, com a voz embargada. Não podia ser! — De quem você está falando? Planejou tudo isso? Quem é ele? Elizabeth virou-lhe as costas, olhando para dentro da casa, uma casa que, a cada olhar, só lhe trazia a imagem de felicidade. — Estou falando de Nathan. Ela disparou, e o nome caiu entre eles com o peso de um guindaste. — De agora em diante, ele me representará. O nome atingiu Sebastian como chumbo no estômago. — Nathan? Sebastian soltou uma risada maníaca. — Seu advogado é meu sócio? Ele é um dos meus, Elizabeth! Ele não pode fazer isso comigo! Ele não pode interferir nas nossas vidas, ele não tem esse direito… — Nathan foi o único que teve a decência de enxergar a minha dor quando você estava ocupado demais causando-a. Ela o interrompeu com uma resolução inabalável. — Ele vai garantir que você não tire mais nada de mim. Nem o meu tempo, nem a minha paz, nem um grama da minha energia. Elizabeth entrou em casa. — Liz, me escuta! Sebastian deu um passo na sua direção, com os olhos vermelhos. — Nathan está te manipulando. Ele sempre teve inveja do que temos, de mim por ter você. Não deixe que ele nos destrua! Por favor, me dê um mês, só um mês para provar que posso ser o homem que eu era… — O homem que você era não existe, Sebastián, ou talvez nunca tenha existido. Elizabeth sentiu uma lágrima escorrer pela sua face, mas não a enxugou. Deixou que ele visse a cicatriz da sua ferida, deixou que ela lhe revirasse o estômago da mesma forma que não conseguia nem sentir o gosto de água desde que recebera a notícia. — Você está me pedindo tempo, mas o tempo acabou. Eu te dei tudo: meus melhores anos, minha confiança, minha sanidade. Eu te dei mil chances silenciosas todas as vezes que suspeitei de algo e decidi acreditar em você. Não me resta nada para te dar. Nem mesmo o meu ódio. — Não faça isso comigo! Ele gritou, desabando em soluços patéticos. — Eu imploro! Eu faço qualquer coisa. Saio da firma, paro de ver Victoria, a jogo na rua hoje mesmo! — Você já jogou algo na rua, Sebastián. Disse ela, apontando para as cinzas que rodopiavam ao seu redor. — Você jogou a nossa família, os nossos planos e o meu amor naquela fogueira. Agora sente-se aí, entre os restos das suas roupas caras, e me veja desaparecer, porque esta é a última vez que você me verá fora de um tribunal. Elizabeth virou-lhe as costas. Os seus ombros estremeceram por um segundo, uma pontada de pura dor, mas ela não parou. Caminhou em direção à casa com passos firmes, deixando Sebastián sozinho, ajoelhado diante dos destroços das suas roupas e dos seus erros, chamando por um nome que não obteve resposta. — Elizabeth, por favor! Ele implorou, soluçando. — Liz, meu amor! Elizabeth entrou e encostou-se à porta. Ela havia sido forte, corajosa, mas atrás da porta desabou e saiu, soluçando incontrolavelmente. Abraçou-se e sentiu-se estúp*ida por ter confiado por tantos anos em algo que não passava de mentiras. Permitiu-se chorar, deixar tudo sair, apenas para erguer o rosto e buscar vingança. Horas depois, no escritório de advocacia, Nathan esperava, com o coração acelerado. Quando Elizabeth entrou, ele levantou-se imediatamente. Não havia triunfo no seu rosto, apenas genuína preocupação com o bem-estar dela. Vendo-a tão ereta, mas com aquela sombra de dor nos olhos, Nathan sentiu uma pontada no peito. Quando a porta se fechou, Nathan deixou cair a sua máscara profissional. Aproximou-se dela, mas manteve uma distância respeitosa, percebendo que Elizabeth estava à beira de um colapso. Não queria vê-la como um corvo se alimentando de restos. — Você conseguiu. Disse Nathan suavemente, com um tom de empatia. — Você deu o passo mais difícil. — Era necessário, Nathan. Ela respondeu, recostando-se na cadeira. Os seus dedos inquietos brincavam com a borda da bolsa. — Eu não queria deixar nenhum rastro dele. Só quero liberdade, mesmo que agora eu sinta que o mundo está desabando sobre mim. Nathan pegou os papéis do divórcio. Os seus dedos roçaram o papel cuidadosamente, como se o próprio documento fosse tão frágil quanto o estado emocional da mulher à sua frente. Olhou para ela com uma ternura que mantivera escondida por anos atrás de uma fachada de amizade e companheirismo, e fez-lhe uma promessa. — Dou-lhe a minha palavra, Elizabeth. Disse ele, inclinando-se para mais perto para que ela pudesse ver a honestidade nos seus olhos. — Não serei apenas seu advogado, serei seu escudo. Não permitirei que ele a machuque por mais um dia sequer. Ele pensa que isto é um jogo jurídico, mas eu sei que é a sua vida que está em jogo. Um pequeno sorriso, o primeiro vislumbre de paz no rosto de Elizabeth, surgiu brevemente ao ouvir as suas palavras. — Ele me ligou há pouco, desesperado. Continuou Nathan. — Ele estava exigindo lealdade de mim, mas deixei claro que a minha lealdade pertence à pessoa que tem sido honesta e corajosa. Não devo nada a um homem que não valorizou o que tinha. Nathan contornou a mesa e sentou-se perto dela. Ele não estava tentando invadir o seu espaço, mas sim oferecer-lhe refúgio. — Agora, deixe-me cuidar da batalha legal, Elizabeth. Concentre-se apenas em se curar. Implorou ele. — Sebastian vai descobrir o que é perder tudo, e você finalmente vai descobrir o que significa ter alguém que realmente se importa com você. Nathan estendeu a mão, e Elizabeth a encarou com profissionalismo. Ao apertá-la, Elizabeth não sentiu a pressão de um contrato frio, mas sim o calor de um homem que estava realmente ali para apoiá-la. Pela primeira vez em meses, Elizabeth sentiu que podia respirar e que, talvez, não precisasse mais de lutar sozinha.
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