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1656 Words
Ele me insultou, disse muitas palavras para me amedrontar, largou o Matheus no chão, pois ele estava chorando, entrou no carro e saiu cantando pneu. Peguei nosso filho no colo e pensei: tomara que não volte tão cedo aqui para me atormentar. Seguiam-se os dias, e eu esperava que a justiça dos homens fosse menos burocrática e que tudo se resolvesse logo. Mas, para minha surpresa, aquele processo se arrastava na justiça. Eu ia vivendo um dia de cada vez. Até que, para minha surpresa, fui conferir uma conta de energia elétrica e fiquei pasma, como podia ter aumentado tanto de um mês para outro. Reuni todas as contas dos meses anteriores e levei para meu advogado. Realmente, algo não estava certo. Contatamos a empresa que havia instalado as placas solares e agendamos um horário para esclarecimentos na semana seguinte. Chegou o dia, e fomos até a empresa, eu e meu advogado. O rapaz que nos atendeu estava nervoso porque questionei e mostrei todas as contas anteriores, que de um mês para outro, triplicou o consumo. Ele não tinha uma resposta satisfatória para me dar e então falou que mandaria o engenheiro elétrico até minha casa para conferir o equipamento. Na semana seguinte, apareceu lá o engenheiro e mais dois colaboradores da empresa para fazer a verificação das placas solares. Olharam tudo e no final ele me disse que estava tudo em ordem, não havia nada errado. Foi aí que peguei meu celular e gravei a conversa que tive com o engenheiro. Perguntei a ele se era possível fazer o desvio de energia; ele disse que sim, que era perfeitamente possível ajustar as porcentagens, já que as placas abrangiam três propriedades. Aí eu contei que estava passando por um divórcio litigioso e novamente perguntei se era possível meu ex-marido ter feito essa mudança de percentual. Ele disse claramente que sim, por ter sido ele quem realizou o contrato do projeto com a empresa. Pedi desculpas por ter tomado o tempo dele e informei que eu havia gravado a conversa. Ele disse que não tinha problema e que se eu precisasse de qualquer coisa, ele estava à disposição. Agradeci, e eles foram embora. Agora, eu sabia que ele tinha desviado a energia da casa. Levei isso ao conhecimento dos meus advogados, e no mês seguinte, minha conta de energia elétrica veio zerada. Eu me perguntava como ele havia sido capaz de fazer aquilo. Por que tanto ódio de mim? Sei que também tive minha parcela de culpa em nossa separação, mas prejudicar os próprios filhos daquele jeito era ser realmente mesquinho. Parecia que o cara estava obcecado em me destruir, em zombar, em me fazer de palhaça. Ora, já tinha saído de casa, havia feito sua escolha, então o mínimo que deveria fazer era me deixar seguir em frente. Mas não, procurava sempre um jeito de me prejudicar, sem se importar o que isso causaria no emocional dos filhos. Era mês de outubro quando descobri que estava com um tumor nos ovários e que tinha se espalhado para o útero. Fiz uma bateria de exames e meus marcadores tumorais estavam altíssimos. O médico então me deu o diagnóstico: precisaria fazer uma histerectomia total bilateral (retirada do útero, trompas e ovários). Pedi ao médico se eu poderia entrar na fila do SUS, pois não tinha recursos para pagar o particular, já que estava desempregada e não tinha plano de saúde. Ele falou que não, meu caso era demasiadamente sério e não poderia esperar. Saí da consulta arrasada. O que eu ia fazer? Como iria pagar a cirurgia? Não podia vender o carro e outro bem não possuía. Naquela semana, fui conversar com meus advogados e expliquei que eu estava com um sério problema de saúde e precisava de uma cirurgia urgente que custava em torno de dez mil reais. Um deles me disse: — Pede para o seu médico os laudos e o valor da cirurgia que nós vamos entrar com um pedido judicial para que você possa fazer a cirurgia, pois o patrimônio que está sendo discutido no divórcio você tem parte. No dia seguinte, liguei para a secretária do médico e solicitei tudo o que os advogados me pediram para encaminhar minha cirurgia via judicial. Após quinze longos dias, o juiz decidiu a meu favor, e consegui o dinheiro para fazer a cirurgia, marcada para quatorze de dezembro de 2021. Eu estava de certa forma aliviada, pois sabia que iria dar tudo certo, estava em ótimas mãos e que Deus iria guiar os médicos para que corresse tudo certo na cirurgia. Às vésperas da cirurgia, eu já estava de atestado e não poderia dirigir para levar meu filho até a casa da avó paterna para passar a tarde, como havia sido acordado perante o juiz. Então, meus advogados entraram em contato com o pai da criança para que viesse buscá-lo na tarde de sábado. Meu filho não queria ir com o pai de jeito nenhum, agarrado em meu pescoço. Falei para Matheus Augusto que a mamãe não podia ir junto, que não podia dirigir, etc., mas ele continuava chorando e não queria ir no carro do pai. Foi aí que falei para meu filho: — Você quer ir visitar a nona com o carro da mamãe, sentado na sua cadeirinha? — Ele concordou. Dessa forma, entreguei as chaves do meu carro para o meu ex-marido, pensando no bem-estar do pequeno. Arrumei nosso filho na cadeirinha dele e me despedi de Matheus Augusto. Pude sentir que ele estava mais calmo e, enfim, fiquei mais tranquila. No entanto, o que jamais passou pela minha cabeça é que, emprestando meu carro, os documentos e o manual do veículo sumiriam. Isso só descobri no dia em que recebi alta do hospital, quando meu irmão foi me buscar com meu carro. Como ele é muito cuidadoso, tendo procurado os documentos do veículo e não os encontrando, ligou-me pedindo onde estavam. Eu logo disse a ele que estavam no porta-luvas, embaixo de uma caixa de máscaras descartáveis. A surpresa veio em seguida. Meu irmão me falou que não havia nada ali; o porta-luvas estava vazio. Então, lembrei do episódio que ocorreu no sábado à tarde. A única pessoa estranha que pegou meu carro para dirigir era meu ex-marido, mais uma vez tentando me prejudicar, sumindo com os documentos e o manual do veículo. Registrei um boletim de ocorrência, porém nunca foi encontrado. Fui ao Detran e pedi a segunda via dos documentos do carro. E, se vocês pensam que parou por aí, não, a cada semana, a cada mês, uma bomba estourava e eu tinha que ser forte pelos meus filhos. Fiquei sessenta dias impossibilitada de fazer qualquer trabalho; nem pegar meu filho no colo eu podia. E cada vez que o pai vinha buscar, era um choro só, uma gritaria, pois Matheus Augusto não queria ir. Mas eu o entregava com lágrimas para que o pai o levasse e não descumprisse a lei. Imaginem se esse pai tivesse bom senso, vendo o sofrimento do filho em se separar da mãe e eu no estado em que me encontrava no momento. Pensem como ficava meu coração de mãe, de pessoa humana e sensível, que há um ano, havia sido abandonada, rejeitada ainda no ventre, dizendo ao filho: — Você precisa ir com seu pai, senão ele chamará o Conselho Tutelar, ou eu estou descumprindo uma ordem judicial. Uma criança de um ano e meio saberia o que estava acontecendo ali? O que se passa na cabecinha dele? Quantos traumas a mais essa criança carregará consigo? A justiça não quer saber; quer a todo custo que se cumpra o que foi acordado, doa a quem doer. Eu olho para Teresa após contar tudo a ela e ela me encara. — Eu jamais imaginei -e la fala me olhando — Eu comecei a receber mensagens, dizendo que Antonio não tinha sido morto por acidente e sim porque alguém quis amtar ele, eu subi o morro jurando vingança por um filho da p**a que a vida toda me traiu – eu falo para ela – eu vi ele com outra, beijando outra, vivo, enquanto eu ainda uso preto de luto por ele, usava. — Eu sinto muito – ela fala – ao mesmo tempo que fico feliz por ele estar vivo por ele ser meu filho, eu também fico triste por tudo isso. — Ele sempre foi assim, não foi? – eu pergunto para ela – Me conta a verdade Teresa, me conta a verdade sobre tudo. — Antonio sempre teve inveja de Yan – ela fala me encarando – por ele ser nosso filho biológico, sempre disse que ele ganhava mais atenção que ele, que ele era o preferido, mas nunca foi. — Antonio não é filho de vocês? — Adotamos ele quando criança, ele era filho de uma moradora do morro que morreu em uma invasão, mas nunca distinguimos eles, os dois se criaram como irmãos, amamos os dois iguias mas Antonio quando descobriu a verdade, se revoltou. Ai começou a perseguição contra Yan, o e*****o , o anscimento de Anjinho, Yan queria m***r ele, invasão, briga, muita coisa junto, tem coisas que somente Yan e Antonio sabe – eu respiro fundo enquanto ela me conta. — Eu não acho que Yan seja diferente de Antonio – eu falo para ela – mas Anto nio me machucou muito. — Yan sabe quem você é? — Acreditro que sim, mas acho que não sabe que eu sei a verdade sobre Antonio ainda – eu falo para ela – eu preciso da sua ajuda, se você ama Antonio e ama Yan, se você realmente sabe o que o seu filho é e todo m*l que ele fez, você precisa me ajudar. — Ana Julia – ela fala — Me ajuda , eu te conto todo o meu plano e você me ajuda, Anjinho já está comigo nessa. Ela me olha desconfiada e eu a encaro.
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