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2425 Words
Era um sábado quente; ele havia saído cedo, dizendo que ia verificar as lavouras. Ainda comentei que não estava me sentindo bem, mas ele irritou-se comigo, afirmando que era frescura de mulher grávida. Liguei para minha mãe e pedi a ela se meu pai poderia vir me buscar, pois não queria ficar sozinha em casa. Não me sentia bem, e a Milena tinha curso do CLJ. Não demorou, meu pai veio me buscar. Almocei e fui me deitar; mais tarde, voltei para casa. À noite, pedimos pizza, conversei com nossa filha sobre como havia sido o retiro na igreja. Ele se retirou e foi para a sala assistir TV. Lavei a louça e fui para o quarto, deitando-me. Disse para Milena que não estava me sentindo bem, com dor no fundo das costas, e a cada cinco minutos precisava ir ao banheiro, pois parecia que minha bexiga estava cheia. Ela ficou comigo por um tempo, depois foi dormir. Era noite de carnaval, e eu não conseguia me ajeitar para dormir. Levantei para ir ao banheiro e, ao sentar na cama, senti um líquido quente escorrendo 53 pelas pernas e um odor parecido com Qboa. Minha bolsa tinha rompido; eu estava com 31 semanas e 6 dias de gestação. Acordei meu marido e disse que minha bolsa havia rompido, pedi para ele ligar para o médico. Ele respondeu: — Ligue você. Então, peguei meu celular às duas horas da madrugada e liguei para o meu médico; ele atendeu na hora. Contei o que estava acontecendo, e ele disse: — Vem agora para o hospital em Sarandi que estarei te esperando. Fui até o quarto de nossa filha, acordei-a, expliquei o que havia acontecido e que ela ficaria na casa da vovó, pois eu tinha que ir para o hospital. Deixamos ela na casa de minha mãe e fomos então para o hospital em Sarandi. Quando cheguei, o médico estava esperando e constatou que havia um pequeno rompimento na bolsa e que eu estava entrando em trabalho de parto. Ele faria o possível para que eu fosse 54 transferida para o hospital São Vicente, na cidade de Passo Fundo. Ele ainda brincou comigo, dizendo: — Silvaninha, onde você estava pulando carnaval, menina? Como não havia leito disponível no hospital São Vicente, fiquei internada em Sarandi. As enfermeiras corriam para trocar meus lençóis e camisola, pois nunca haviam visto uma grávida perder tanto líquido, mesmo sem esforço e deitada em uma cama. Durante aquela madrugada, troquei de cama várias vezes; não podia levantar nem para ir ao banheiro. O dia amanheceu lindo e ensolarado. Minha irmã veio para passar a noite comigo no hospital, e o bebê era monitorado de hora em hora. Eu havia parado de perder líquido amniótico, e o médico disse que era um bom sinal, que eu poderia levar adiante a minha gestação até conseguir um leito. O bebê estava bem, recebendo alimentação e se mexendo bastante. 55 A noite chegou, e as contrações começaram cada vez mais fortes e menos espaçadas. Passei a madrugada toda com as contrações até que a enfermeira chefe veio e fez o exame de toque. Meu bebê estava nascendo, e o médico veio me levar caminhando para a sala de parto. Eu estava realmente com muita dor. Lembro de dizer para o médico: — Eu não vou conseguir, faz logo uma cesariana. Ele me olhou e respondeu: — Agora não dá mais; a cabeça do bebê já está saindo. Então, veio uma dor tão forte que, quando acabou, meu filhinho já estava em meus braços, chorando fraquinho como um gatinho. Dei um beijo nele, e a pediatra o levou. 56 Fui para o quarto, me banhei, me vesti e fiquei esperando para ver meu filhinho. No entanto, uma má notícia foi comunicada a mim pela pediatra. Mesmo tendo nascido com um peso bom e tamanho, meu bebezinho não conseguia respirar sozinho; seus pulmões ainda não tinham amadurecido o suficiente, e ele teve que ser entubado na primeira hora de vida, lutando pela sua sobrevivência, enquanto era providenciado um leito de UTI neo-natal pelo SUS. Enquanto aguardava o leito, a pediatra permitiu que eu ficasse com meu bebê na pediatria, mesmo sem poder tocá-lo ou segurá-lo em meus braços; ele sabia que eu estava ali, pois até os batimentos cardíacos se acalmavam. Somente às dez horas da manhã recebemos a notícia de que havia um leito disponível na cidade de Sapiranga, RS, aproximadamente cinco horas de 57 viagem, e uma UTI neonatal móvel viria buscá-lo. Eu estava muito aflita, mas ao mesmo tempo confiante de que meu bebezinho iria aguentar. Serena narrando Eu entro dentro da casa, tranco as portas e fecho as janelas e cortinas, eu procuro por alguma ferramenta ou algo do tipo na dispensa ou área de serviço e encontro um martelo. Eu subo as escadas e com muita raiva e começo a bater com o martelo em uma das portas , eu estava com tanta raiva que eu não entendo como em questão de pouco tempo eu consegui arrebentar a porta toda e ela caiu quase em cima de mim. Eu entro para dentro do quarto acendendo as luzes e encontro diversas caixas, começo a revirar todas, uma por uma, sem saber exatamente o que eu estava procurando, até que encontro algo que realmente prova que essas coisas eram de Antônio, uma identidade dele falsa. Começo achar álbuns com fotos dele no morro, com diversas pessoas junto, até mesmo.Maisa. Uma certidão de nascimento onde contava seu nome como pai e o nome de um menino chamado Junior que era Anjinho, documentos assinados de tudo que é tipo, sociedades, diversas contas bancárias e encontro um envelope que mudaria totalmente a minha forma de pensar, abro esse envelope e tinha foto de Antônio e do meu pai antes dele morrer, na frente de uma sala comercial que ficava há uns 100km do rio de Janeiro, tinha um contrato de sociedade e o endereço, mas não dizia o que era. Sem pensar muito, eu pego a minha chave, tranco a porta da casa e desço desço morro, entrando no meu carro, dirijo por mais de 4h por causa desse transito infernal do Rio de Janeiro e no endereço, encontro uma confeitaria : "Cakedesigner Fabiene". Eu entro na confeitaria e uma mulher da pele bronzeada, cabelos negros sorri, na mesma hora a reconheço, tinha sido a confeiteira do meu casamento com Antônio. - Como posso ajudar? - Ela fala sorrindo - Acho que nós conhecemos - Eu falo para ela e ela me encara - Será? - Ela pergunta - Você fez os doces do meu casamento com meu marido há alguns anos, Antônio, lá em copa cabana você trabalha naquele buffet docie - Ah sim - Ela fala sorrindo - Sao tantos eventos, me lembro vagamente. - Mas você era amiga do meu marido, lembro que ele me disse isso e nos apresentou assim - Ela me olha - Você disse Antônio? - Ela pergunta sorrindo e eu assisto com a cabeça . - Eu acho que fomos colegas quando criança. - Em qual escola? - Eu pergunto e ela me olha - No Leblon - Ela fala e eu a encaro sabendo que era mentira porque ele sempre estudou no morro pelo histórico escolar que ele tinha naquelas caixas. - Eu vou querer um pedaço de bolo - Eu falo - Brigadeiro com beijinho. - Eu vou buscar. Na confeitaria tinha mais pessoas atendendo mas estava cheio, observo ela ir até o balcão, vejo que ela me encara desconfiada e pelo jeito estava com medo de algo. Eu abro a minha bolsa e por incrível que pareça ainda tinha uma mini câmera ali, discretamente eu pego e coloco super bonde na porta e coloco embaixo da mesa, vejo se dava visão, dava pouca mas dava. Eu estava ficando maluco e já estava crendo nisso. -Aqui seu bolo - Ela fala - Ele está está- Fabiene me encara - Quem? - Antônio - Eu falo e ela me olha - Wchei estranho você não perguntar como ele está e nem onde estava, se estava comigo , estacionando o carro. - Me desculpa, são tantas coisas para fazer que acabei não perguntando. Eu sinto muito - Ela se vira - Ele morreu em um acidente de carro há somente 60km daqui - Eu falo para ela e ela me encara - Achei que poderia saber de algo. - Faz meses que me mudei para cá, que montei minha confeitaria confeitaria. - Essa sala é alugada? - E sim - Ela fala - Por imobiliárias? - Sim - Ela fala - Mas porque tantas perguntas? - E que Rio de Janeiro me traz muitas lembranças do Antônio e sabe Fabiene, eu quero me mudar. - Eu falo - Qual nome da imobiliária? - Matriz e aqui da cidade mesmo - Ela fala - Que sabe da próxima vez que eu vier passo aqui. - Bom apetite - Fabiene fala Ela sai andando e eu fico ali encarando ela andando, eu como o bolo e pago, mas ela não estava ali. Os funcionários falaram que ela estava no escritório. Eu vou até a imobiliária Matriz e sou recebida por uma das funcionárias. - Eu acabei de vir da confeitaria da fabiene e ela me disse que vocês alugam lá para ela. - Não - Ela fala - Acho que tem algo errado, que eu saiba aquela sala é dela. - É dela? - Eu pergunto - Ela e o marido compraram a muito tempo. - Marido? Achei que ela não era casada. - Sim - Ela fala - Ele viaja muito mas vi e por aqui. - Sabe o nome dele? - Antônio - Ela responde - Se eu não me engano. Eu estava dando aula quando meu celular começa a tocar sem parar e eu vejo o nome de Fabiene escrito, acho estranho ela me ligar ainda mais para esse número. Eu saio da sala é atendo o celular. - O que ouve? - Eu pergunto assim que eu atendo - Porque está me ligando nesse numero? - Serena acabou de sair daqui - Ela fala - Serena? Como assim? - Não era para ela está no morro? - Ela pergunta - Quando Yan vai cumprir o acordo que a gente tem? - Calma - Eu falo - Yan está esperando o momento certo não é dessa forma. - Estou perdendo a paciência, não aguento mais isso - Ela fala - Agora ela está aqui investigando tudo, capaz de já imaginar que Antônio pode ou não estar vivo. - Não vamos se desesperar - Eu falo - Resolva isso , veja se ela vai te falar onde foi. Achei Maisa que você estava sobre controle dessa situação toda, mas estou vendo que nao. Não queira que eu comece agir sozinha, diga para Yan fazer o que tem que fazer. Eu desligo o telefone e respiro fundo, continuo dando a minha aula durante a tarde toda, quando saio da escola vou até a casa de Serena e bate na porta e rapidamente ela abre. - Serena, porque não foi na escola hoje? - Eu pergunto - Fiquei em casa fazendo bolos - Ela fala - Quer um pedaço? - Fazendo bolos? Faltou a aula para isso? - Eu pergunto - Estou repensando a minha vida e acho que vou desistir de tudo - Ela fala - Estou acabando com a minha própria vida - Eu a encaro - Você não pode fazer isso, precisa continuar continuar - Eu falo - Qqui. - Não amiga , quero recomeçar a minha vida longe de todos o problemas - Ela fala sorrindo - Aqui espero que goste do meu bolo. Eu pego o pedaço de bolo e ela se senta na frente comendo, ela tinha me escondido que estava investigando Fabiene e que tinha ido até lá. Ela sorria enquanto comia e eu sorrio para ela. Ela começa a me mostrar cidades que ela pensou em ir embora e até mesmo apartamentos e casas para comprar , escola que poderia estudar. - Você tem certeza disso? - Eu pergunto - Nunca tive tanta certeza de algo, não me interessa mais o passado de Antônio. Ele não vai voltar vivo, para que perder tempo da minha vida investigando? Eu fecho a porta após Maisa sair e me encosto contra a porta pensando em tudo, eu tinha que ser inteligente agora e esperta, tinha algo por trás dr tudo isso e provavelmente não iriam me deixar em paz se eu for somente embora, eu precisava descobrir descobrir e o porque eu estou no meio de numa história que se tornou totalmente macabra. Eu pego meu celular e apago todas as minhas fotos com Antônio e jogo fora a minha aliança dando descarga nela no vaso, eu tinha mostrado a foto para a mulher da imobiliária e a mesma me confirmou que aquele era o marido de Fabiene. Com que monstro eu me casei? E que vida eu levei? Eu me arrumo e saio para comprar algo para comer, vejo Maisa, Pedro, Yan e Caio sentados em uma mesa, Maisa faz sinal para que eu vá até lá e eu vou. - Boa noite - Eu falo - S eeu soubesse que iria sair de casa, eu tinha te esperado. - Resolvi aproveitar as últimas noites por aqui. - Últimas noite? - Yan me pergunta - Literalmente não não no morro como no Rio, eu vou embora. - Para onde? - Pedro pergunta - Eu ainda estou decidindo - Yan me encara - Mas o mais longe possível é o mais rapido. - Porque decidiu isso agora? - Yan pergunta - Eu disse a ela para ficar comigo mas ela não me custa. - Eu amo você amiga - Falo sorrindo para ela - Mas sinto que tenho que seguir a minha vida distante daqui. Eu sorrio para todos levando o copo de cerveja que Maisa tinha me oferecido até a boca e tomando ele, Yan me encara com um semblante quase impossível desvendar o que estava pensando, continuo sorrindo para todos. Depois me despeço e saio andando, compro uns pastel e vou para casa, eu tinha dado um jeito nas portas pra que ninguém ver que eu tinha quebrado, tinha colado papeis de parede quase iguais. Eu chego em casa, sirvo um suco de abacaxi e me deito no sofá olhando um filme, Lguem bate na porta e eu me levanto, abro e era Yan. - Que história é essa que vai embora? - Ele questiona.
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