Check-mate
Sentada em um quarto escuro, iluminado apenas pela tela azulada do computador, Isabela fazia a sua arte, gostava de trabalhar a noite, nada de vozes ou interrupções, somente o som calmante das suas unhas batendo no teclado.
Ela não era livre, mas também não era mais prisioneira do que havia sido durante os últimos dez anos da sua vida.
A morte de Júlio a arremessou em um poço profundo de depressão e angústia, mas as mãos fortes de Luca as tiraram de lá.
Agora estava ali, no coração de um império digital, o reinado de Luca de Santis, seu alvo, o homem que havia ousado desafiar o demônio.
Até se tornar prisioneira de Luca ela trabalhava por justiça, seus dedos montavam armadilhas para expor crimes de grandes nomes da política, mas agora não, ela havia se tornado uma prisioneira de luxo, trabalhava para limpar os rastros do rei do crime italiano e salvá-lo de ser mais uma vítima da máfia.
Os dedos bailavam sobre o teclado, o olhar estático na tela, os dados sendo reescritos um a um, como uma mágica da qual apenas ela era capaz de tirar da cartola.
A adrenalina pulsava nas veias como uma droga a fazendo mudar o mundo sentada na poltrona de madeira e couro de Santis.
De repente, o clique metálico chegou aos seus ouvidos, o cursor na tela parou por alguns instantes, ela parou, o coração gelou.
Era ele! Sabia que era! O perfume, a presença, o poder. Mesmo que não olhasse ela saberia, qualquer pessoa poderia sentir.
Ele estava ali, uma força indomável que se impunha com cada passo. Ela prendeu a respiração, a cadeira que estava sentada girou com força.
Fingiu não se incomodar, mas a pele arrepiou.
— O que acha...
Não terminou a frase, os olhos de Luca pareciam possuir o fogo de mil almas, fixos nos dela como se pudesse ler cada pensamento que ela tinha, cada vez que se tocou desejando os braços fortes de Santis em torno dela, das partes daquele corpo que queria ver e o terno impecável cobria.
Luca segurou seu queixo, os lábios dele roçaram nos dela e a hacker sem perceber abriu a boca oferecendo passagem para o que queria, mas não ousava admitir.
— Eu decido quando você fala, Isabela. Sou seu dono, mas foi você que pediu por isso, invadiu o meu mundo, não foi.
Isabela respirou fundo, tentou manter a postura altiva que sempre teve. Ela sabia o que ele era capaz de fazer, mas também sabia que não iria se submeter sem luta, nem a ele, nem a ninguém!
Antes que ela pudesse pensar em uma resposta, Luca deslizou a mão para sua nuca, um leve sorriso apareceu no rosto sombrio do rei do crime.
— Vou te mostrar quem manda aqui, e você, você não tem escolha.
Ela sentiu o arrepio percorrer cada parte do seu corpo, o rosto a poucos centímetros do dela. O cheiro quente e intenso, tudo naquele homem a desarmava, a deixava frágil, vulnerável. A respiração acelerou. Ela odiava!
Provavelmente na mesma medida que ele mexia com cada parte dos seus instintos mais primitivos, partes dela que ainda estavam vivas, hormônios, células, sangue. Desejo! Era isso, ainda estava presa, mas agora, com ele, com seu pior inimigo ela também estava vida e isso a deixava em pânico.
— Vai jogar o meu jogo, bela e nele eu sempre venço, sei mexer as peças, controlar os movimentos.
Girou novamente a cadeira da mulher a fazendo encarar o computador e então com a boca colada no seu ouvido, Luca continuou.
— Sei entrar fundo, mas também gosto de brincar na superfície. Sei fazer um jogo forte, assim como consigo ser suave. Controlo as minhas jogadas e protejo a rainha para enfim.
Nesse momento, antes do final da frase ele deslizou apenas as pontas dos dedos pelo decote da camisola de Isabela, ela sentiu o ar ficar quente, quis desesperadamente que ele colocasse a mão dentro da peça fina de seda que ele mesmo havia-lhe presenteado, então, Luca terminou a frase e saiu do quarto.
— Check-mate, Bela.