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941 Words
Capítulo 3 RD narrando O carro parou em frente ao barraco no alto do morro que a gente chamava de Juízo — o lugar onde levávamos X9, vermes e qualquer um que ousasse pisar na bola com a gente. Abri o porta-malas e ela já veio me batendo. — Me solta! — ela gritou, se debatendo. Segurei as mãos dela com força e encarei firme. — Eu juro que vou fazer você viver um inferno. Agarrei seu braço e a arrastei até dentro do barraco, jogando-a sobre um colchão sujo no canto. — Demoraram — disse JK, dono do morro do Alemão, sentado ao lado da Fernanda, que tragava um baseado com a maior calma do mundo. — Essa é filha do Antônio? — Você conhece meu pai? — ela perguntou, surpresa. — Lembro de você pequena — ele respondeu, olhando-a de cima a baixo. — Que merda você fez da sua vida se metendo com o filho da p**a do Perigo? Ela desviou o olhar pra mim, como se quisesse alguma resposta, mas eu apenas soltei: — Tava indo pro Pará. — Eu já disse que não vou falar nada — ela retrucou firme, e nós caímos na risada. — A polícia tá te procurando em rede nacional, garota — Fernanda falou, soltando a fumaça. — Em qualquer lugar que você fosse, iam te achar. Querendo ou não. Iam te prender, te pressionar... até você abrir a boca. — Você sabe demais — eu disse, encarando-a. — E já falei: ou sai daqui morta, ou com o Perigo. — Vai demorar — comentou JK. — Ele foi preso, nem deu entrada ainda na penitenciária. — Ele pode ser morto pelos policiais — ela soltou, encarando a gente. — É melhor você torcer pra que não — falei, frio. — Porque, se for, eu mesmo acabo com você. — Olhei para Fernanda. — Amarra ela. — Não! — ela gritou, tentando recuar. — Não encosta em mim! Fernanda avançou e JK, com a arma em punho, cortou o escândalo: — Tenho respeito pelo teu pai, mas não tenho paciência com garota mimada. Você se envolveu com traficante porque quis. E sabia que não podia largar quando bem entendesse. Agora cala a boca e faz o que a gente mandar. Se tivesse procurado nossa ajuda, em vez de fugir, estaria tranquila agora. Fernanda amarrou suas mãos com força. — Vão me manter aqui até quando? — ela perguntou, irada. — Até a gente decidir que acabou — respondi. Saímos do barraco e fomos até a boca, onde PH nos chamou. — Olha só — ele começou —, nosso informante na polícia disse que alguém denunciou o Perigo, avisando que ele tava fora do morro. Pegaram ele dentro de casa. — Só pode ter sido a Malu — Fernanda disse na hora. — Não — JK balançou a cabeça. — Foi sim — ela insistiu. — A garota sofria horrores na mão dele. Na primeira chance, ia denunciar. E fugiu rápido demais. Não acham? Malu narrando Eles saíram, me deixando sozinha naquele buraco imundo. Gritei por ajuda, mas só ecoou no silêncio. Tentei soltar as cordas, mas estavam apertadas demais. — Merda! — berrei. — Eu te odeio, Perigo! Arranquei o colar que ele me deu e joguei longe. O lugar era escuro, fedia a mofo e tinha rato correndo no canto. — Sai, bicho nojento! — gritei, me levantando para espantar o animal. Depois de tudo que passei com o Perigo, ainda teria que aguentar ser prisioneira do primo dele. Algumas horas depois, a porta se abriu. RD entrou sozinho, com um sanduíche na mão. — Como tá sua estadia no nosso hotel cinco estrelas? — debochou. — Me tira daqui! Tem rato nesse lugar, eu não vou dormir aqui! — reclamei. — Com saudade do luxo que o Perigo te dava? — ele ironizou. — A gente acabou de descobrir que foi denúncia... foi você que entregou ele? — Não — respondi rápido. — Fugiu rápido demais do morro — ele disse, desconfiado. — Eu estava com ele dentro de casa, vi quando a polícia chegou. — E saiu como sem eles te verem? — Pulei a janela. A gente tava discutindo, eu fugi e, nessa hora, a polícia entrou. Ele sorriu de canto, segurou meu rosto com força. — Foi armação, né? Briga combinada, fuga combinada. Você fechou acordo com a polícia? Balancei a cabeça. — Sua p*****a desgraçada — ele rosnou, me jogando contra a parede. — Perigo é um i*****l por te manter viva. — Eu não fiz nada! — respondi. — Você acha que eu perderia tempo denunciando? Eu só queria fugir dele. Sei que se ele fosse preso, a polícia ou vocês viriam atrás de mim. Ele riu, sarcástico. — Achando que ia conseguir? O Perigo te caçaria até no inferno. — Vocês são todos covardes — rebati. — Acham que são fodões porque têm arma na mão, mas não passam de traficantes de merda. Ele sacou a arma e encostou na minha cabeça. — Repete, sua vagabunda! Repete! — Quero todos vocês mortos! — cuspi na cara dele. PH entrou, segurando o braço de RD. — Ei, ei! Não bate nela, depois o Perigo cobra. RD me largou no colchão. — Enquanto ele não volta, tu é minha responsabilidade. Se não morrer de fome e sede, vai ter sorte. — Covarde — murmurei. — No dia que você morrer, eu vou dançar em cima do seu corpo. — Cala a p***a da boca, garota! — PH gritou. — Não se preocupa — RD disse, me encarando com ódio. — Antes disso, eu te mato.
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