Um jovem delinquente.

1089 Words
 Já era perto da meia noite, a garrafa de whisky estava praticamente vazia, apenas uma luz fraca do poste iluminava a rua deserta, Henrique tinha resistência para bebida, por isso ainda não estava muito bêbado e toda aquela caminhada sem sentido o deixou enjoado, foi quando se encostou na parede de um prédio velho e começou a vomitar, se sentindo um i****a egoísta, afinal o que estava tão errado, que ele não conseguia ser feliz e nem se confirmar com a vida que tinha? Enquanto vomitava pensava: “Tantas pessoas passando fome, com uma vida horrível, sem saúde, sem nada e vivendo cada dia, enquanto isso eu tenho tudo e estou reclamando, eu sou um i****a!” - Você está bem? Perguntou a voz calma de um rapaz, Henrique limpou a boca e o encarou, paralisando logo em seguida, talvez por causa dos olhos verde claro ou seria culpa da feição jovial e serena, o cabelo claro? - Tudo bem? -perguntou novamente, Henrique levantou a cabeça, ficando mais alto que o rapaz e limpando a boca com o terno, o qual segurava na outra mão. - Sim, obrigado por perguntar. -o jovem usava um moletom muito largo com o símbolo de uma caveira na frente, uma calça vinho meio rasgada, segurava uma mochila e sorria, muito diferente de Henrique, não só na aparência, mas de longe se notaria que seus mundos eram totalmente opostos. - Já que está bem, será que o senhor cachaceiro poderia me ajudar em algo? -bastou aquela forma ousada de falar, para Henrique parar de admirar a aparência do jovem e se sentir ofendido, afinal era um homem de respeito na empresa onde trabalhava e em sua casa, mas ali na rua, não passava de mais um indivíduo aos olhos daquele ser ousado. - Eu não sou cachaceiro! -o rapaz encarou a garrafa na mão dele e sorriu de uma forma desafiadora. - Ok... Mesmo assim poderia me ajudar, por favor? -perguntou colocando um óculos estranho, de armação muito grossa, todo colorido e parecia ter alguns botões do lado. - O que quer? -o rapaz andou até um Galpão abandonado, do outro lado da rua. - Quero entrar nesse Galpão! -disse como se fosse a coisa mais grandiosa da terra, levantando os braços na direção do lugar. - Mas esse lugar está abandonado, não tem nenhuma utilidade, deve ter moradores de rua lá dentro, quem iria querer entrar ali? - Eu! Afirmou com um sorriso de gente louca, prestes a aprontar algo, definitivamente aquele galpão poderia parecer inútil, aos olhos de alguém que trabalhava em uma corretora de imóveis a anos, ou apenas servir para ser demolido e construir algo melhor em cima, mas para um aventureiro, aquilo poderia ser um paraíso. - Não. -Henrique saiu andando, mas parou pensando "Espera, essa é uma oportunidade única de fazer algo, que nunca faria na minha vida!" O pensamento repentino o fez parar e se virar de volta para o rapaz - Como quer que lhe ajude? - Veja! -o rapaz apontou para um portão de ferro muito alto e sem nada que pudesse usar para se apoiar. - Me ajude a pular. - Mas isso é invasão de propriedade. - Se quiser chame a polícia, depois que me ajudar! -ele colocou a mochila no chão, Henrique deu apoio com as mãos deixando sua garrafa de whisky de lado, para o deixar mais alto e conseguir pular, com facilidade o jovem conseguiu chegar ao outro lado. - Agora jogue a mochila senhor cachaceiro! - Já disse que não sou cachaceiro! Henrique encarou a bolsa, tinha uns chaveiros de personagens de desenho animado, que o fizeram rir, sentindo uma ligeira nostalgia dos bons tempos de criança, quando não iria parar e pensar antes de fazer alguma loucura como aquela, na época em que ria sem sentido e não se preocupava em ter dinheiro, ou bens materiais, seria ótimo poder ser a criança divertida do passado novamente, ele jogou a bolsa para o outro lado. - Obrigado! Por um pequeno buraco, Henrique viu ele indo para uma porta, pensou em ir embora, mas depois percebeu o tamanho do delito e da loucura que ajudou aquele rapaz a cometer, voltando a olhar para o buraco não viu mais o rapaz, então chegou a conclusão que se ele morresse lá dentro a culpa seria sua, movido por seus pensamentos confusos de um adulto comum, Henrique pulou, como era mais alto, conseguiu se agarrar no topo do portão, mas quando foi pular, não teve a mesma desenvoltura do rapaz e caiu em cima de seu braço. Com um pouco de dor no ombro, Henrique levantou e começou a olhar ao redor, aquele lugar era realmente bem grande. - Garoto! Chamou indo em direção a uma a******a, na porta de ferro, com dificuldade por causa de seu tamanho, Henrique passou pelo pequeno buraco, dentro do galpão, tudo estava escuro, exceto por uma luz no meio, ele logo percebeu que era o rapaz, com um pouco de medo por estar em um lugar completamente desconhecido e escuro correu até ele. - Você por acaso é caçador de fantasmas, pois é só o que vai encontrar aqui! - Você decidiu se juntar a mim, venha, acho que aquela porta da acesso a outro galpão. -disse animado, quase saltando de empolgação. - Não, esse lugar está um breu, nós dois estamos correndo risco de morrer, vamos embora. -o aventureiro o encarou, como se não visse perigo algum no lugar, ou talvez não se importasse com qualquer perigo ali presente. - Nunca tive medo da morte, pode ir embora se quiser, não há necessidade de se preocupar com um estranho. -o rapaz continuou andando em frente, Henrique foi atrás dele, pois mesmo que quisesse, não iria conseguir voltar sozinho na escuridão sem cair. - Já estou envolvido demais nessa sua aventura! Eles continuaram andando, até que sentiram o chão balançar e pararam, quando Henrique decidiu dar mais um passo, querendo sair dali o mais rápido possível, o chão caiu e eles escorregaram para um andar abaixo, o rapaz ficou em cima de Henrique, que caiu na lama. - Que droga!!! -gritou Henrique, enquanto o jovem ria. - Como pode rir numa situação dessas?! - É justamente por estar nessa situação, que estou rindo. -ele encarou Henrique, que o olhava incrédulo e levantou. - Você é louco! - Obrigado! -o rapaz abriu a mochila e tirou algumas latinhas de tinta. - Um pichador, sério que passou por tudo aquilo só para pintar uma parede qualquer? - Não, passei por isso porque eu quis e minha noite não teria a mesma graça, se eu tivesse decidido ficar em casa fazendo qualquer outra coisa.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD