INT. CEMITÉRIO ANTIGO – MADRUGADA
A Sombra investe.
Rápida, fluida, como se fosse feita de fumaça e ossos esquecidos.
Os olhos vermelhos flutuam na escuridão como faróis do inferno.
O som que ela emite é como vozes sobrepostas, chorando e rindo ao mesmo tempo.
Damien se lança contra ela sem hesitar.
Espada na mão direita, pistola na esquerda.
A postura é de um soldado...
mas o olhar... é de alguém que está protegendo o que é dele.
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DAMIEN (ROSNANDO):
"Você não vai encostar nela.
Nem agora.
Nem nunca."
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*A Sombra desvia do primeiro golpe como uma cobra, mas Damien é rápido.
Ele gira a espada no ar e corta de baixo pra cima — a lâmina atravessa o torso da criatura.
Nada de sangue.
A sombra grita como se mil almas tivessem sido rasgadas.
BOOM!
Damien atira.
A bala atravessa um dos olhos flutuantes e ele desaparece por um segundo...
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Lilith, de joelhos, tenta invocar algo — uma memória, um feitiço, qualquer coisa — mas nada vem.
Só uma dor no peito.
Um eco de algo que ela não entende...
Mas o som do nome dela sussurrado com devoção vem à mente:
"Minha rainha... minha guerreira......meu amor."
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Damien continua lutando.
Ele começa a perceber:
a sombra se regenera.
Ela é um mensageiro.
Não pode morrer com aço ou bala.
Mas pode ser atrasada.
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DAMIEN (GRITANDO PARA LILITH):
"Corre!
Vai pra luz!
Eu te alcanço!"
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Lilith não obedece.
Ela se levanta, sangrando, olhos ardendo.
Algo dentro dela começa a brilhar — um poder adormecido
O desejo de lutar.
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LILITH (GRITANDO):
"Você não vai lutar sozinho de novo!"
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Damien olha pra ela por um segundo.
Algo pulsa no peito dele.
Uma lembrança?
Um eco ?
Mas é tarde demais.
A sombra se divide em duas formas menores.
Uma avança direto para Lilith.
Damien corre.
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CORTE RÁPIDO.
A ESPADA DE DAMIEN ATINGE A NOVA FORMA.
A BALA ATINGE A OUTRA.
E ELE GRITA:
"VEM COMIGO!"
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*Ele agarra Lilith nos braços, e ambos desaparecem na névoa.
A sombra se dissolve por um momento, gritando como um noivo traído.
Mas não morreu.
Só recuou.
E prometeu voltar.
INT. CASTELO VERMICULADO – REINO ESCONDIDO – NOITE
*A luz é vermelha, como se o próprio castelo respirasse sangue.
Colunas góticas cobertas de trepadeiras secas.
Tapetes rasgados.
Candelabros pingando cera como lágrimas.
No centro do salão, um trono de pedra n***a, adornado com ossos humanos polidos.
E nele...
O Vampiro Antigo.*
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O VAMPIRO ANTIGO
(pele pálida como a lua esquecida, cabelos longos como a noite, olhos dourados queimando com ódio contido)
Ele se ergue lentamente.
A presença dele enche o ar de peso.
Um rei esquecido por séculos...
mas nunca perdoado.
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Diante dele, a sombra retorna, rastejando pelas rachaduras do chão.
Ela se curva, como uma criança que falhou.
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VAMPIRO ANTIGO (voz grave, como trovão abafado):
"Você a viu?"
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A sombra treme.
As vozes dela sussurram juntas:
"Sim...
Ela vive.
Mas não lembra.
Ainda não..."
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VAMPIRO ANTIGO (cerrando os punhos):
"Ela devia estar comigo.
Eu esperei séculos, varri mundos, negociei com demônios por esse momento.
Ela...
era minha chave.
Meu trono.
Meu sangue."
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Ele desce do trono lentamente, os passos ecoando como sinos de funeral.
A sombra se encolhe, assustada, quase como se tivesse alma.
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VAMPIRO ANTIGO (com frieza, olhando para o vazio):
"E aquele maldito protetor...
Aquele verme..."
"Ele roubou o coração dela uma vez.
Não roubará duas."
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Ele ergue a mão, e uma taça n***a se materializa.
Dentro, um sangue espesso...
o sangue de Lilith, colhido do pacto antigo.
Ele bebe.
Os olhos brilham com lembranças:
Lilith em um trono dourado, com uma coroa egípcia.
Ele ao lado dela.
E depois...
o guerreiro entre eles.
A traição.
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VAMPIRO ANTIGO (para a sombra, com um leve sorriso c***l):
"Mande outro arauto.
Mas agora...
envie os cães com ele.
Lobos corrompidos.
Magia do fundo do Abismo.
Se ela não vir até mim...
eu a arrastarei de volta."
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*Ele ergue o braço.
A sombra se desfaz.
Um novo portal se abre – escuro, girando, gritando.
E de dentro... olhos aparecem. Dentes afiados, Lobos e vampiros perversos.