Parte VII

1569 Words
Os dias passam lentamente para Emily depois disso. Adam a visita quase todos os dias e a leva para passeios. Mas, nunca estão sozinhos. Flora ou Mikael fazem companhia ao casal, para evitar as fofocas sobre eles. E Emily nunca se lembrava de perguntar sobre a família do noivo e Adam não lhe falava sobre si. Sempre discutiam outros temas. Na semana seguinte, Emma sai para caminhar sozinha e vai até a livraria. Vasculha as prateleiras, procurando um livro que fale mais sobre a família Stanley, pois a carta não saia da sua cabeça. Ela não queria perguntar para sua mãe. Não queria deixa-la mais preocupada. - Senhor Fletcher - ela disse, indo até o balcão - Há algum livro falando sobre a família Stanley? Fletcher pensa, coçando seu queixo. - Não senhorita, não me lembro de ter algum livro sobre eles. Se puder me dizer do que se trata, quem sabe eu a ajude... Ele foi interrompido pela porta da frente se abrindo. O barulho do sino tocando abafou o final da sua frase. Um homem de cabelos castanhos, olhos azuis entra no local. Ele tinha um ar imponente e fazia todos ao seu redor olharem surpresos. A damas cochichavam sobre ele e os cavaleiros desejavam ser ele. - Milorde - cumprimenta Fletcher, um pouco nervoso. Emily dá um passo para o lado, irritada com a presença daquele homem. Ela se sentiu ultrajada por ele passar na sua frente. Afastou-se e continuou sua caçada ao livro da família Stanley. - Chegou o meu pedido, senhor Fletcher? - perguntou o cavaleiro, com superioridade. - Si...sim, Milorde. Eu volto em um instante - responde Fletcher, indo para os fundos da loja buscar a encomenda. O cavaleiro espera e vê Emily puxar alguns livros de uma prateleira, no fundo da loja. Ele a percebeu por seus cabelos negros e seu rosto angelical. Aproxima-se e a fita com interesse. - Nos encontramos de novo, senhorita Emily - ele diz. Emily se sobressalta, derrubando os livros no chão, chamando a atenção de outras pessoas que estavam na livraria. Ela fita os olhos azuis do homem, mas não o reconhece. Ele possuía um rosto belo, queixo quadrado e sobrancelhas escuras. Ela não se recordava de conhecê-lo, mas lhe parecia familiar. - Desculpe-me senhor, mas quem é você? - ela pergunta e se agacha para recolher os livros. Ele ri, achando graça do fato de ela não o reconhecer e também pelo fato de que todos o conheciam. Isso era bom para ele. Ele a ajuda a pegar os livros e a auxilia a recoloca-los na prateleira. - Eu me chamo Tristan Harris - ele diz, fazendo uma reverência - Nos conhecemos no baile de lorde Derby. Ela tem uma centelha de reconhecimento. - Então era o senhor que estava me observando? E que conversou comigo na mesa de bebidas? - ela pergunta, franzindo o cenho. - Exato. E não me esqueci do quanto à senhorita toca divinamente o violino - ele diz, chegando mais próximo dela. Emily fica desconfortável, pela aproximação e por olhar penetrante. Quer fugir da livraria e não estar em sua presença. As pessoas que estão no local escutam ávidas, para saber do que se trata a conversa. - Milorde, aqui está - Fletcher diz, voltando ao balcão. Ele presencia a cena do cavaleiro conversando com a senhorita Emily e fica preocupado. Aquele homem era um libertino e não seria bom ela estar tão próxima dele. - Senhor? - ele insiste. Tristan olha para Fletcher com raiva. - Queira me perdoar, senhorita - ele diz e vai até o balcão. Enquanto Tristan está pagando por seus livros, Emily aproveita e sai da livraria, com o coração acelerado. Sentia medo do olhar dele. E ele parecia muito mais importante do que havia se apresentado. Todos o chamavam por milorde. Era um aristocrata, com certeza, ela pensou. Estava trêmula e andou lentamente pelas ruas. Uma carruagem passou próxima a ela e o condutor parou os cavalos. A porta se abriu e lá dentro Emily pode perceber que era Tristan. - Senhorita, permita-me que eu a leve para casa - ele se propõe, com a amabilidade. Emily quer negar, quer correr daquele homem. Teme por sua vida. - Obrigada, senhor. Mas eu estarei bem a pé - ela recusa e começa a andar. O céu escurece e a chuva começa. Emily controla sua língua, pois deseja praguejar. - Insiste em recusar minha ajuda, senhorita? - Tristan diz, com tom magoado. Ela continua a andar e chuva ensopa seu vestido fino. A roupa fica colocada em seu corpo, mostrando suas curvas. A carruagem anda, conforme o passo dela. - Senhorita, irá adoecer assim. Seus pulmões ficaram fracos. Entre em minha carruagem, eu lhe suplico - ele pede mais uma vez. Emily, sabendo que será uma longa caminhada até sua casa, além de Tristan estar correto com a probabilidade de ela poder adoecer, aceita relutante. - Muito bem, eu aceito. Mas, saiba que estou noiva e não tenho nenhum interesse no senhor - ela diz, com veemência. Ele ri da afirmação dela. O condutor para a carruagem e Tristan abre a porta. Ela adentra com sua ajuda e senta de frente para ele. Ele bate no teto da carruagem e o veículo começa a andar. - Aqui, fique com isso - ele retira seu casaco preto e estende para ela. Emily faz uma careta e não o pega. Contudo, não consegue controlar os tremores pelo frio e por estar com as roupas encharcadas - Por favor, não me trate como se eu estivesse amaldiçoado. Ela aceita o casaco e coloca sobre seus ombros. O cheiro almiscarado dele impregna seu olfato. - Está buscando algo, na livraria, senhorita? - ele pergunta, puxando conversa. - Apenas um livro. Sobre as famílias nobres da Inglaterra - ela responde, fitando a janela. - Interessante. E qual família você buscava? Ela se sente incomodada pelas perguntas dele. - Senhor Harris, isso é um interrogatório? Ele gargalha. Gostava da forma petulante que Emily se portava com ele. - Hum, deixe-me ver - ele diz, tocando o queixo - E se for? Emily engole seco. Ele parecia amistoso, mas sua pergunta parecia uma advertência. Parecia lhe dizer que se o provocasse, ele responderia a altura. - Eu não gosto de interrogatórios, senhor - ela diz fitando-o com intensidade. Por dentro tremia, mas queria mostrar que não tinha medo. - Oh, sinto muito - ele finge se arrepender - Mas, eu gosto desvendar mistérios. E você, minha cara, é um mistério que estou disposto a desvendar. Emily morde a bochecha, contendo a raiva. Aquele homem se mostrava irritante. - Não sou em nada parecida com as damas que se relaciona meu senhor - ela diz, irritada - E não lhe dei o direito de me tratar assim. Ele dá de ombros e se recosta no banco preto e estofado. - Eu apenas estou tentando ser educado e a senhorita está alterada sem motivos - ele retorquiu, sem se abalar. Irritada, Emily deseja descer daquele veículo. - Pare a carruagem - ela ordena. - O condutor não vai parar, até chegar ao seu destino - ele diz. - Eu disse para parar. Quero descer - ela ordena, com a voz altera. Ele não faz isso, apenas a ignora. Emily se sente em pânico. Bate no teto, mas o condutor não para. Ela olha pelo visor de vidro as suas costas e tenta bater, para que o condutor a escute, mas não consegue fazer a carruagem parar. Ela tenta abrir a porta, empurrando a maçaneta e a porta se abre. Vê a paisagem em movimento e o chão de pedra. Reluta em se jogar. Seria uma queda f**a, pensou. - De fato uma queda h******l - ele comenta. - O quê? - ela exclama - Estava me ouvindo pensar? - Não, eu não leio pensamentos, senhorita Emily – n**a, em tom debochado - Pode fechar a porta e se acalmar? - ele pede, sem perder a paciência. Ela fecha, irritada. Sente-se acuada e se encolhe no canto da carruagem. - Vai me fazer m*l? – perguntou, sem fita-lo. - Se eu fosse fazer eu lhe diria? - ele rebate a pergunta. Ela n**a com a cabeça. - Chega de perguntas tolas – Tristan diz em tom cortante - Eu não vou lhe fazer nada. Não sei o motivo para tamanha histeria. - Eu não lhe conheço e não confio no senhor - ela se defende. Ele gargalha, irônico. - Eu sei, eu sei. Mas, apenas estou fazendo um favor - a carruagem para - Ah, chegamos! - Chegamos? - ela perguntou, incrédula – Mas...eu nem disse onde moro. A porta ao seu lado se abre. Emily vê sua casa e estranha o fato de ele saber onde ela reside. - Pode descer, senhorita - ele diz, a despertando dos seus devaneios – E veja como sou generoso, não lhe fiz nenhum m*l. Ela sente tom de ironia e cinismo em sua voz, mas resolve não rebater. Apenas assente e desce do veículo. A porta se fecha e a carruagem parte. O céu está claro novamente, como se não tivesse chovido. O chão aos seus pés está seco. Ela vê a carruagem n***a se afastar e pensa nos últimos acontecimentos. Primeiro não viu ninguém abrir a porta, segundo, aquele homem sabia para onde estava indo e terceiro, o casaco dele estava com ela.
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