Parte XIX

991 Words
Perseu sua carruagem e chegou à mansão de Severn, no dia seguinte. Já havia preparado o cheque e iria entregar ao velho. Adoraria ver o rosto contorcido de raiva de Severn. Sempre que se encontravam, um alfinetava o outro. Era um passatempo para Perseu e provavelmente para Severn. E agora, tinha mais um motivo para espezinha-lo. Ele desceu da carruagem, em frente à mansão de Severn, no horário combinado. Ainda era dia e ele adentrou os portões. Usou a aldrava da porta e espero. O mordomo tomou seu cartão de visita e pediu para que ele aguardasse no vestíbulo. Perseu nunca havia entrado naquela mansão. Seu pai não queria se envolver com ele. Era sobrinho e odiava aquele homem, mais que tudo no mundo. E conversando com ele, pode entender as relações que a família de Emily tinha com a dele. Perseu era parente, mesmo que distante dela. O que tornava tudo muito estranho. Ele não desejava ter qualquer tipo relação com uma prima, nunca passou isso por sua cabeça, mas por Emily, valeria qualquer sacrifício. Até mesmo seus princípios, que já eram escassos. Ele esperou, sentado em um divã de cor creme e avaliou as pinturas do lugar. Severn não deixava de esbanjar riqueza, mesmo não sendo tão rico quanto à família Derby. O mobiliário era da última moda, vindo de Paris, Perseu notou. Era dessa forma que Severn se vangloriava do seu poder e status, demonstrando sua força através daquilo que poderia comprar. E era muito comum essa prática entre seus pares, até mesmo entre os estavam falidos. Perseu pensava diferente. Se não lhe desse lucro, ele não faria nenhuma aquisição. Era tolice esbanjar tanto dinheiro com algo que não lhe dava o retorno desejado. E apenas tinha o teatro, pois já estava tendo um retorno, mesmo que pequeno, no momento. Como amava música, não poderia ter deixado de ter um lugar somente seu. Havia esperado para baixar o preço daquele imóvel, que havia pegado fogo anos atrás e ninguém parecia disposto a comprar um teatro em ruínas. E isso, desvalorizou o local. Para ele, era perfeito, pois não gastou tanto na compra. E agora, estava sendo um sucesso. Já havia exibido várias peças, óperas e cada libra que investiu retornavam para ele. - O que faz aqui? – Severn perguntou, ríspido, ao ver Perseu sentado em seu divã, muito a vontade. Perseu se levantou, para demonstrar ao menos educação. Se ele teria aquela conversa, não adiantava demonstrar desrespeito ao anfitrião. - Vejo que está em casa, Severn – Perseu diz, em tom zombeteiro – Seu mordomo disse que iria verificar se você estava. O que eu acho de fato curioso, por que se dão ao trabalho de verificar, se sabem que o seu empregador está em casa. Severn bufou. - Por Deus, Harris, você não veio aqui para questionar o trabalho da minha criadagem? Veio? Porque se sim, pode se retirar. Você é estafante. Perseu gargalhou, fazendo Severn ficar vermelho de raiva. Seu rosto enrugado parecia muito mais assustador assim, mas para Perseu, era uma visão que o divertia muito. - Oh, perdão, Severn – debocha Perseu – Eu realmente não deveria ser tão m*l educado em sua casa e questionar sua criadagem – ele provoca – Mas, não vim para isso, por mais que seja satisfatório critica-lo. - Seu insolente – trovejou Severn. – Suma da minha frente! Não sei por que deixaram você entrar. - Ah, não, não vai me expulsar assim – Perseu disse, sem se abalar – Eu preciso tratar um assunto. A sua família, no caso, sua filha. Severn arqueou a sobrancelha. - O que esse assunto lhe diz respeito? – perguntou ele, irritado. - Bem, soube de uma divida e vim quita-la – Perseu responde. Ele tirou do seu casaco n***o o cheque, estendendo-a Severn, que não tocou. Perseu colocou em cima de uma estante – Aqui está uma boa soma para que não incomode mais a família de Leblanc. - E o que te faz pensar que vou aceitar isso? - Severn pergunta, com desdém - Não quero e nem preciso do dinheiro. Quero meu neto! Perseu suspirou, já imaginava que isso fosse acontecer. - Se não aceitar, terei que tomar medidas legais para afasta-lo dele. E você não quer isso, quer? Severn suspirou. - Você não atua como advogado, Harris. Não pode fazer nada contra mim - ele retrucou. - Eu não, mas tenho meus meios e conheço muito bem a lei - ele contrapôs - Se há um meio de pagar a dívida, você não pode reclamar pela casa. E se tocar em Mikael, será acusado de sequestro. O que mancharia sua reputação? Não é mesmo? - Severn apertou os punhos - Nenhum juiz vai prendê-lo. Mas, eu farei seu nome ir a lama. E sabe que posso. Veja, na escala social, eu estou bem acima de você. - Moleque insolente, suma daqui! - esbravejou. - Não sem a promissória - Perseu diz. Severn saiu irado. Depois de um tempo, voltou ao vestíbulo. - Está aqui. Agora saia da minha casa e não volte a colocar os pés aqui - Severn diz, soturno - Se fizer isso, eu mato você. Perseu gargalha e pega a promissória, colocando a no bolso interno do casaco. - Espero que essa seja a verdadeira, Severn, para seu próprio bem - ele se afasta e Severn pega um vaso e atira contra Perseu. Errou a mira, acertando a parede - Errou dessa vez. Vai precisar melhor a pontaria. - Suma da minha frente! - gritou o velho. Perseu saiu, rindo. Ele sabia que, a qualquer momento, Severn morreria. E o título iria passar a ser de Mikael. Mas, compreendia que o medo de Emily era ver seu irmão sendo maltratado por Severn. O que de fato iria acontecer se o velho ficasse com o rapaz. O plano de Perseu agora estava concluído. Em posso da promissória, já desenhava o próximo passo do seu plano.
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