Parte XVIII

1566 Words
Quando se está desesperado, sempre se toma atitudes irrefletidas. Se Emily estivesse mais calma, poderia ter pensando em uma opção melhor. Contudo, ela confiava em Perseu. Quando ela precisou, ele estava próximo dela. E acreditou que poderia contar com ele para isso. Não pensou em Adam, que como seu noivo, poderia lhe ajudar. Mas, em Perseu, que era seu amigo e parecia desinteressado dela. E Adam, por não estar casado com ela, não teria essa obrigação de lhe ajudar, apenas poderia por um dever moral. E a situação deles não era a melhor. Ela havia se recusado a vê-lo e ele, por estar magoado, não a procurou mais. Emily acreditava que seria injusto pedir aquele favor a ele. Não poderia fazer isso. Emily desembarcou da carruagem em frente às escadarias do teatro e pagou o condutor. Subiu, em desespero. Não sabia se encontraria Perseu aquela tarde no teatro, pois não tinham um ensaio marcado. Rezou para que ele estivesse lá, pois se não, teria que procura-lo em sua residência, o que geraria mais boatos. E ao adentrar no anfiteatro, agradeceu aos céus, pois ele estava se despedindo de um grupo de músicos. Quando ele a viu, ficou estático. Observou a fisionomia de Emily, que parecia tensa. Seus cabelos estavam arranjados de uma maneira displicente, como se ela estivesse com pressa para chegar a algum lugar, ele notou. Ele desceu do palco e se aproximou dela. - Emily, que surpresa vê-la essa tarde – ele diz, cortes – A que devo sua visita? Ela engoliu seco, tentando reordenar seus pensamentos. - Milorde, podemos conversar em particular? – ela pede. - Por favor, sem formalidades – ele pede e oferece seu braço – Vamos até meu escritório. Aqui pode me chamar de Perseu, tudo bem? Somos quase família. Ela assente. Eles caminham até os bastidores, que ficavam atrás das cortinas do palco. Ele a leva pelo corredor, com vários camarins e entra em uma porta com uma placa escrita: direção. Ele abre a porta e eles adentram. Era uma sala decorada com duas poltronas de couro marrom, uma escrivaninha, algumas estantes de livros e uma janela para fora, onde era possível ter a visão de outros prédios próximos. Ele a convida para sentar e senta atrás da escrivaninha, em sua cadeira acolchoada. - Então, Emily, gostaria de um chá, um café? – ele pergunta. - Não, obrigada – ela recusa. Eles ficam em um silêncio incomodo. Perseu estava gostando de tê-la ali, bem próxima dele. Aquilo era um prazer para ele, que desejava cada instante ao seu lado. Pensava em como acabar com seu noivado e como toma-la para si. Mas, sabia ser paciente. Iria esperar Adam dar um passo em falso. E tudo caminhava como ele desejava. Ele sabia que Adam estava afastado de Emily. Tinha seus informantes para saber cada passo que dela e de seu irmão. Aquilo estava sendo muito mais fácil do que esperava. E era visível o desespero dela. Se ela havia recorrido a ela, era porque confiava nele. E isso significava que seus planos estavam de acordo com o esperado. - Emily, eu estou realmente preocupado com seu silêncio – ele diz, em tom jocoso – Não tenha medo de falar. Eu sou seu amigo, lembra? Emily assente. - Bem, eu não pediria se não fosse importante. Eu estou me sentindo muito m*l por fazer isso – ela começa, hesitante. - Não se sinta. O que precisar é só me dizer – ele diz. E a hesitação dela só aumentava sua curiosidade. - Bem...Perseu...eu – ela gagueja – Eu não sei como lhe dizer. E ela tenta explicar. O que Perseu escuta era algo muito interessante. Não fazia ideia de que isso estava acontecendo dentro da família dela. Sabia no parentesco com Severn, mas não imaginava que o velho não quisesse ajudar a família e ainda ameaçava a tirar a casa deles, caso não entregasse Mikael. Aquilo era muito interessante. - Isso é muito triste – ele diz – Sabia que Severn era c***l, mas não achava que seria assim com sua mãe. Pobre Flora. Ela assente, sentindo-se derrotada. - Não sabemos o que fazer...e eu pensei que você poderia nos ajudar – ela diz, com receio de ele ficar ofendido. Perseu já imaginava que Emily fosse pedir isso. O que era melhor ainda. Se isso chegasse aos ouvidos de Adam, o compromisso que tinham seriam rompido. Era lógico que iria ajuda-la. - É claro. E como posso auxilia-la? – ele pergunta, tentando instiga-la a pedir o dinheiro para pagar Severn. Ela ficou rubra de vergonha. Não sabia como lhe pedir isso e ele sabia perfeitamente que ela ficaria dessa maneira. - Eu...bem...- ela balbuciou. - Não se preocupe, eu compreendo – ele diz, a acalmando – Eu mesmo irei resolver isso para você, Emily. Não se preocupe. - Obrigada – ela diz, se sentindo mais confiante – Eu poderia ir com você? - Não, de maneira alguma, Emily – ele recusa – A coisas que você não precisa ver. E estar na presença dele não será agradável, isso posso garantir. Ninguém irá levar seu irmão, eu prometo. Ela se levanta, ao mesmo tempo em que ele. Ele se aproxima, para leva-la até a porta, mas ela o abraça. Por um momento, ele se sente sem jeito. Seu gesto era inocente, sem segundas intenções. Nenhuma dama o abraçou assim, além de sua mãe. As outras apenas o desejavam de uma forma carnal. Emily o tratava com carinho, naquele abraço e estava lhe agradecendo através daquele gesto fraternal. Ele não sabia o que fazer. Não sabia se deveria retribuir. A única coisa que pode fazer foi envolver seus braços nela e retribuir o afeto, também. O que o deixou estranho por dentro. Ele sentiu o aroma de jasmim emanando dela. E ele beijou seus cabelos, sentindo-se tremulo, por um instante. Ela não o soltou por ele ter feito isso. E para ele, parecia que Emily estava em seus braços uma eternidade. Ela levantou seu queixo, com um olhar agradecido. - Eu agradeço muito sua ajuda, Perseu – ela diz. Ele toca seu rosto, embevecido pela beleza dela. - Não se preocupe, Emily – ele diz – Você não vai mais precisar ter medo de Severn. Eu sei muito bem lidar com pessoas como ele. Ela assente e se afasta. Ele sente um vazio por ela ter se desprendido de seus braços. Emily lhe sorriu, sentindo-se estranha ao mesmo tempo. Não sabia se fora certo abraça-lo, pois era uma mulher comprometida, mas ao fazer isso, apenas pensava o quanto estava agradecida por ele. E percebeu, em seu intimo, o quanto gostava dele. - Bem, espero que não se fira – ela diz – E não sei como vou lhe pagar isso. Como não tenho esse dinheiro, posso trabalhar de graça para você, minha vida toda. Que tal? Ele ri. Emily era tão honesta, ele pensou. Tão pura e casta, que isso o chegava a assustar. Ele tomou sua mão, depositando um beijo cálido no dorso nu dela. Ele notou que ela não usava luvas. Era tão singela, sua Emily. E se assustou ainda mais por pensar nela como sua. Sim, ele pensou, ela é minha. - Emily, não se preocupe com dinheiro – ele lhe assegura, soltando sua mão – Eu não preciso me preocupar com isso. Pense nisso como um presente, está bem assim? Ela estava relutante em aceitar aquilo. - Por favor, eu preciso pagar você, de alguma forma – ela pediu. - Então, me pague com sua amizade – ele sugere – Seja minha amiga e tudo será perdoado. Ela riu. - Acho bem difícil minha amizade pagar o que está fazendo por mim – ela diz – Mas, sou eternamente grata e tenho uma divida para com você. E não descansarei, enquanto não compensa-lo. Ele apenas pensava que, no momento certo, ela poderia compensa-lo. Ele a desejava tanto que somente poderia compensar, se ela o deixasse ama-la. E constatar isso, o deixava ainda mais assombrado. Emily estava entrando em sua mente e em seu coração de uma maneira que jamais sentirá em toda sua vida. Em primeiro momento, ele apenas desejava arruinar a felicidade do seu irmão perfeito. E também, desejava Emily de uma forma lasciva, sem qualquer intenção honrosa. Mas, a cada dia que passava ao seu lado, mais se sentia envolvido por sua doçura. Não sabia o que lhe acontecia, mas não iria permitir que Adam a desposasse. Ela seria sua, em breve. E ninguém iria se colocar em seu caminho. - Não se preocupe Emily – ele insiste – Agora, vá para casa. Não comente nada com ninguém da nossa conversa. Está bem? Isso não seria bom para sua reputação. Ela assente, agradecida. - Se não puder dizer nada a Adam, eu agradeço. Eu não sei o que ele pensaria disso – ela pede, se sentindo muito envergonhada. Sabia que era errado esconder isso, mas era para o bem de Mikael. E quanto pudesse protegê-lo, faria isso. Perseu assente. Em um momento ou outro, faria isso vir a público, sem se comprometer. Não poderia perder aquela oportunidade de mostrar a Adam que ele era o escolhido. Mesmo Adam se mostrando tão virtuoso, Emily havia escolhido ele, não ao seu noivo. O que era gratificante para ele. Emily partiu, deixando Perseu com seus pensamentos. Agora, precisaria ter uma conversa com Severn, que seria muito interessante para ele.  
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