cap 16 eu fico

1251 Words
Isabelly Narrando O som já tava mais baixo, a fumaça do churrasco quase não subia mais, e o céu começava a ganhar aquele tom laranja de fim de tarde. A galera espalhada pelas cadeiras, uns já indo embora, outros mais pra lá do que pra cá. Eu tava sentada num canto, mexendo no copo quase vazio, quando senti o sombra chegando de novo. Sombra - Vai dormir lá em casa ou vai meter o pé? - a voz do sombra veio firme, daquele jeitão dele que não deixa espaço pra muita enrolação. Eu respirei fundo, tentando manter a pose. Isabelly - Acho que eu vou pra casa hoje.. Ele me encarou, com aquele olhar meio desacreditado. Sombra - Tu sabe que cê quer... só tá cheia de nó na cabeça. Relaxa, não tem que provar nada pra ninguém não. Fiquei em silêncio por uns segundos. E por mais que eu tentasse parecer decidida, ele tinha razão. Eu queria ficar. Queria sim. Mas minha cabeça tava cheia de "e se", de medo, de culpa, de tudo junto. Só que ele era o sombra... E ele tinha um jeito de olhar que desmontava qualquer defesa minha. Sombra - Vamo ali então - ele disse, já dando meia volta como se soubesse que eu ia o seguir. Levantei devagar, sentindo meu peito apertado e confuso. Antes de ir com ele, procurei a Alessandra com o olhar. Ela já tava perto do portão, com o Joãozinho esperando ela do lado de fora. Corri até ela. Isabelly - Tu vai mesmo? - perguntei, meio na esperança dela ficar mais um pouco. Alessandra - Vou, miga. Amanhã eu abro a loja, né? Mas ó - ela segurou minha mão com carinho, olhando bem dentro dos meus olhos -, faz o que tu tiver vontade. Para de viver com medo do que os outros vão achar. A vida não espera ninguém, Isa. Se for pra se arrepender, que seja de ter vivido... não de ter se podado. Fiquei sem fala por uns segundos. Aquelas palavras bateram fundo. A Alessandra sempre foi direta, mas daquela vez parecia que ela tinha lido minha alma. Alessandra - É minha amiga, tu é nova, bonita, tem um coração que sente muito... então sente mesmo. Não se sabota, não. Só vai. Ela me deu um beijo na bochecha e sorriu, como quem já sabia o que eu ia fazer. E foi embora com o Joãozinho, deixando só o silêncio e o peso das escolhas no ar. Quando voltei, o sombra ainda tava ali perto do portão, encostado, mexendo no celular. Assim que me viu, abriu aquele sorrisinho de canto, como se dissesse "sabia". Eu só balancei a cabeça e suspirei. Isabelly - Tá. Eu fico. Ele não falou nada, só virou de costas e foi andando na frente, confiante. E eu... fui atrás. Talvez fosse errado. Talvez fosse cedo. Mas naquele momento, só uma coisa fazia sentido: eu queria. E pela primeira vez em muito tempo, ia deixar meu coração falar mais alto. Sombra - Vamo lá pra minha outra casa - ele falou fechando a porta atrás da gente, com aquele jeito dele que não dá espaço pra muita pergunta. Isabelly - Oxe, mas essa não é a sua casa? - perguntei sem entender nada, franzindo o cenho. Sombra - É uma casa que eu uso pra dar festa e essas p***a aí - respondeu já indo na direção do carro e destravando com o controle. Ele deu a volta com calma e entrou no banco do motorista. Sombra - Quer passar na sua casa pra pegar alguma roupa? - ele perguntou me olhando daquele jeito que parece que vê até o que eu não tô mostrando. Isabelly - Por favor? - respondi e nem precisei falar mais nada. Ele entendeu. Pedi pra ele parar um pouco antes da minha casa, só por precaução. Entrei com cuidado, a casa tava em silêncio. Aparentemente, ninguém. Subi no meu quarto voando, peguei uma lingerie mais arrumadinha, meu pijama novo, uma troca de roupa e minha escova de dente com umas coisinhas de banho. Quando eu tava saindo do quarto escutei uma voz.. Mãe - Vai pra onde, hein? - escutei a voz da minha mãe na porta. Eu travei na hora. Isabelly - Vou dormir na casa de uma colega minha - tentei disfarçar o nervosismo olhando pra ela. Mãe - Colega? Isabelly, você vigia, hein - falou com aquele olhar de quem saca tudo. Isabelly - Tô te falando, mãe... Mãe - Não vou ficar em cima, mas eu sei que tem coisa aí - ela disse, mas no fim, me deu um beijo na cabeça. Isabelly - Te amo, mãe - abracei ela rápido e já fui descendo as escadas ligeira. Entrei no carro e o sombra só me olhou com aquele sorrisinho de canto. Conforme ele foi subindo o morro, a mão dele pousou na minha coxa e ficou ali, fazendo um carinho tão leve e gostoso que o meu estômago dava umas voltas esquisitas. Chegando, ele colocou o carro na garagem, pegou minha mochila da minha mão e foi na frente, já abrindo a porta. Sombra - Fica à vontade aí, casa tua também - ele falou passando pela porta, e eu entrei. E que casa! Linda demais. Não era gigante, mas era moderna, aconchegante e tinha uma energia boa, sabe? De lugar bem cuidado. Sombra - Quer alguma coisa pra comer? Pra beber? - perguntou me olhando. Isabelly - Não, fica tranquilo... quero não - respondi meio tímida, mas sincera. Sombra - Se quiser, não precisa ficar com vergonha, não – ele falou enquanto subia as escadas. Fui atrás. O quarto dele... gente do céu. Que quarto era aquele? A cama parecia de hotel, TV enorme, ar-condicionado ligado no grau certinho, persiana que fechava sozinha. A decoração era toda clean, muito mais chique do que eu esperava. Sombra - Vou tomar um banho rapidão – ele falou me encarando. Assenti com a cabeça e sentei na beirada da cama, peguei o celular e fiquei mexendo ali. Ele não demorou muito e saiu do banheiro só de samba-canção. Sem camisa. Com as entradas marcando.. misericórdia. Aquilo ali era covardia com qualquer cristã. Sombra - Pode tocar se você quiser - ele falou vindo se jogar do meu lado, rindo. E eu soltei uma risada verdadeira, dessas que escapam sem querer. Isabelly - Vamo ver quem vai querer tocar daqui a pouco - falei me levantando pra pegar minhas coisas e ir pro banho também. Tomei banho rapidinho, lavei meu cabelo pra tirar o cheiro de fumaça e deixei secar naturalmente. Coloquei minha lingerie branca e por cima o baby doll branco também. Não era pra impressionar ninguém, mentira que era sim. Passei um creme nas pernas, um body splash só pra garantir o cheiro, porque eu amo dormir cheirosa, e fui desligando a luz do banheiro pra voltar pro quarto. Ele me encarou como se tivesse me vendo pela primeira vez. Isabelly - Pode tocar se você quiser - falei imitando ele, o que fez ele rir alto. Sombra - Com certeza eu vou querer tocar. Vem cá - ele disse batendo a mão no colchão todo empolgado. Isabelly - Falei brincando - falei rindo e deitei do lado dele. Ele já veio cheirando meu pescoço. Sombra - Ficou cheirosinha pra mim – sussurrou no meu ouvido. E eu só consegui soltar uma risada fraca, porque se ele continuasse assim eu não sabia quanto tempo ia durar essa noite, não.
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