A espera

720 Words
📖 Almas de Fera Capítulo 102 – A Espera Os portões do palácio fecharam-se lentamente atrás da comitiva do Reino dos Leões. O som ecoou pelos jardins. Zaira permaneceu imóvel na varanda. Mesmo depois de Kael desaparecer no horizonte, ela continuou a olhar para a estrada. Como se esperasse vê-lo voltar a qualquer instante. A brisa da manhã fez os seus longos cabelos ruivos balançarem. A cauda, normalmente tão expressiva, permanecia caída atrás dela. Selene saiu silenciosamente para a varanda. Não disse nada de início. Apenas ficou ao lado da filha. Alguns minutos depois, pousou delicadamente uma mão sobre o ombro dela. — Ele vai voltar. Zaira sorriu muito de leve. — Eu sei... Mas havia um aperto no seu peito. Era a primeira vez, desde tudo o que acontecera no templo, que Kael estava longe dela. Sentia falta da presença dele. Da voz. Do cheiro. Da segurança que encontrava sempre que ele estava por perto. Selene percebeu. — Queres tomar o pequeno-almoço? Zaira abanou lentamente a cabeça. — Ainda não... A rainha não insistiu. Sabia que, por vezes, a filha precisava apenas de alguns minutos para organizar os próprios pensamentos. Algum tempo depois, as duas regressaram aos aposentos. As criadas já tinham preparado uma refeição leve. Frutas frescas. Pão acabado de fazer. Queijo. E a carne preparada especialmente pelo curandeiro para garantir que Zaira recebia toda a nutrição de que precisava. Ela sentou-se devagar. O ventre já era tão grande que precisou de ajustar a cadeira antes de conseguir encontrar uma posição confortável. Soltou um pequeno suspiro. — Está cada dia mais difícil... Selene sorriu. — Os pequenos estão a crescer. Zaira pousou a mão sobre a barriga. Nesse instante... Sentiu um pequeno movimento. Depois outro. Ela sorriu automaticamente. — Bom dia para vocês também... Selene observou a cena com carinho. — Eles parecem muito ativos hoje. Zaira riu baixinho. — Acho que sim. Enquanto comia, fazia pequenas pausas. O ventre parecia pesado e obrigava-a a manter uma postura muito cuidadosa. Mesmo assim, terminou praticamente toda a refeição. O curandeiro, que acabava de entrar, sorriu satisfeito. — Excelente. Zaira olhou para ele. — Nunca pensei que fosse receber elogios por terminar o pequeno-almoço. Todos riram. O ambiente voltou a ficar leve. Mais tarde, Selene convenceu a filha a caminhar um pouco pelos jardins. Duas guardas reais acompanhavam-nas a uma distância respeitosa. Zaira caminhava lentamente pelos caminhos de pedra. De vez em quando, parava apenas para respirar fundo ou descansar alguns segundos. As flores estavam completamente abertas. O perfume das rosas espalhava-se pelo ar. Ela fechou os olhos. — Tinha saudades disto... Selene sorriu. — O jardim também tinha saudades de ti. Zaira passou a mão por uma flor branca. Durante alguns instantes, esqueceu todas as preocupações. Esqueceu o templo. O medo. As batalhas. Era apenas uma futura mãe a passear tranquilamente. Mas, ao regressarem aos aposentos, uma águia mensageira pousou na varanda. Trazia um pequeno pergaminho preso à pata. Uma das guardas retirou cuidadosamente a mensagem e entregou-a a Selene. Ela abriu o selo. Sorriu. — É do Kael. Os olhos de Zaira iluminaram-se imediatamente. — Ele escreveu? Selene entregou-lhe a carta. As mãos de Zaira tremiam ligeiramente enquanto a abria. As palavras eram curtas, mas bastaram para lhe aquecer o coração. "Cheguei em segurança ao Reino dos Leões. As reuniões começaram imediatamente, mas não deixei de pensar em ti um único instante. Espero que estejas a descansar e a comer bem. Prometi que voltaria depressa e continuo com a intenção de cumprir essa promessa. Dá um beijo aos nossos pequenos por mim. — Kael." Quando terminou de ler, Zaira levou a carta ao peito. Um sorriso sincero apareceu-lhe no rosto. Selene aproximou-se. — Estás mais tranquila? Zaira assentiu. — Muito. Ela voltou a ler a carta mais uma vez. E depois outra. Como se cada palavra diminuísse um pouco a distância entre eles. Ao cair da noite, já deitada na cama, colocou cuidadosamente a carta sobre a mesa ao lado. Acariciou o ventre arredondado. — O vosso pai chegou bem... Nesse momento, sentiu um pequeno pontapé. Ela soltou uma risada. — Acho que vocês também ficaram felizes. Lá fora, as estrelas iluminavam o céu. E, embora Kael estivesse longe, Zaira adormeceu com a certeza de que ele faria tudo para regressar antes do nascimento dos seus filhotes. Continua...
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