Capítulo 9
Sadie
Lela e eu voltamos para a nossa pequena cabine no canto do clube. Ethan estava lá cuidando das bebidas enquanto uma bela loira estava sentada em seu colo. Ela sussurrava algo em seu ouvido, e ele olhou para ela e a agarrou em um beijo apaixonado.
Eu esperava que algum dia eu tivesse algo assim. Eu adoraria ter alguém para me envolver e cuidar de mim. Se ao menos eu pudesse encontrar alguém especial. No entanto, as demonstrações de afeto aqui eram bem interessantes.
Nathan era um cara legal, mas eu sabia que ele não era para mim. Provavelmente ele me via como uma “paixão da semana”. Já ouvi falar de sua reputação no restaurante, toneladas de casos de uma noite só e mulheres com raiva amaldiçoando o nome dele.
Ele era um ótimo amigo, e sempre confiaria nele como amigo. Provavelmente era melhor deixá-lo saber que iria vou me apaixonar por ele. Não sentia nenhuma paixão por ele. Nenhum daqueles arrepios como minha tia costumava falar.
Ethan olhou para cima e sorriu. — Meninas, gostaria de apresentar minha, quer dizer, namorada, Raylina. — Ele sorriu de orelha a orelha. Ela parecia igualmente entusiasmada e encostou a cabeça no ombro dele.
Lela começou a pular para cima e para baixo, dizendo: “parabéns” repetidamente. Eles se conheceram hoje à noite e já estavam levando isso a sério? Antes de sairmos da cabine, ele disse que estava solteiro. Acho que ele trabalhava rápido.
Sentei e bebi um pouco da minha bebida frutada, que estava quase acabando. Meu estado de embriaguez e confiança diminuíram rapidamente depois que me sentei. Lela estava conversando com Ethan e Raylina, e eu olhava ao redor do clube.
Um monte de homens e mulheres conversando, dançando, jogando sinuca e muitos deles se beijando. Essa cidade realmente não tinha problemas com a paixão.
Lela se aproximou de mim e disse: — Por que você não encontra um homem para dançar uma música lenta com você? A cada hora, eles fazem pelo menos uma ou duas músicas lentas. — Ela levantou e abaixou as sobrancelhas para mim.
— Preciso de mais bebidas para fazer isso. — Rimos e rapidamente tomei mais dois shots. Eu precisaria de toda a coragem líquida que pudesse obter. Só pediria a alguém se estivesse interessada, então eu sabia que minhas chances não eram tão altas de encontrar alguém, e até mesmo Lela sabia disso.
A sorte estava do meu lado nesta noite, porque vi um homem que fez meu coração disparar pela primeira vez na vida.
Ele estava sentado no bar, apoiando-se na mesa com o cotovelo, segurando um copo de licor âmbar na boca. Seus músculos eram visíveis através de sua camisa social preta justa, com as mangas dobradas até os antebraços. Tatuagens cobriam cada centímetro de suas mãos e pescoço.
Me perguntava por que não havia mulheres com ele. Certamente todos poderiam ver sua atratividade. Ele também parecia muito triste, muito deprimido. Isso por si só me atraiu. Eu queria consolar esse homem que nem conhecia.
Seu cabelo era escuro e tinha um topete duro do lado esquerdo da cabeça. Estava penteado para trás, quase dava para ver as marcas do pente. Sua mandíbula afiada e características masculinas se destacaram para mim como uma árvore florescendo no meio do inverno. Se ao menos eu pudesse ver seus olhos...
Lela estava ocupada conversando enquanto eu me levantava. Estava fazendo algo fora da minha personalidade normal e realmente tomando a iniciativa em algo. Nunca fui tão ousada, a ponto de ir falar com um homem, mas algo me atraía para ele, assim como no meu sonho com aquele homem misterioso.
Ele continuou sentado no bar, imóvel, e tomando goles de sua bebida. Eu quase conseguia ouvir o gelo se mexendo em seu copo enquanto me aproximava. Nem sequer pensei no que iria dizer. Minhas pernas estavam andando, e eu não tinha como desacelerá-las.
Um grande ventilador estava próximo e continuava a soprar em direção a ele e a mim. Arrepiei-me com o seu frescor.
Segurei a barra do meu vestido e vi que vários olhares masculinos, que reconheci do restaurante, estavam em mim. Quando finalmente tive coragem de falar, abri a boca e ouvi a voz mais odiosa vir desse homem maravilhoso.
Sem nem olhar para mim e continuando a olhar para o copo de licor enquanto falava: — v***a, afaste-se de mim e feche essa boca de prostituta antes que alguém enfie algo nela.
Os homens que estavam ao redor dele deixaram a boca cair, me olhando com pena. Meu coração foi esmagado. Isso sozinho faria com que eu me escondesse em um livro para sempre. Eu nem queria mais tentar algo tão ousado. Eu me pergunto se foi assim que Tobias se sentiu.
Meu mundo desabou instantaneamente. Ninguém jamais me tratou dessa forma, me diminuindo assim. Gostaria de dizer que tinha uma força interior, mas vindo de um homem com quem senti uma conexão, é claro que doeu. O orgulho que eu tinha foi enterrado na sujeira.
Sem hesitar, dei meia volta e corri para Rebecca. Jurei para mim mesma que não iria chorar até chegar à segurança da minha própria casa. Eu não deixaria que todos nesta pequena cidade soubessem que eu era uma vergonha patética.
O rosto de Rebecca empalideceu quando eu a abracei e chorei. Ela viu as lágrimas ameaçando escapar dos meus olhos. — Sadie — ela sussurrou no meu ouvido. — O que aconteceu? Você parece prestes a chorar.
— Por favor, me leve para casa. — Solucei. Nathan parecia bravo e frustrado. Provavelmente estava chateado porque eu queria ir para casa.
— Quem fez você chorar? — Ele rosnou. Ele rosnou! Como um animal! Algumas pessoas ao nosso redor nos olharam e pararam de dançar. Eu o olhei confusa e desarrumada. Estava honestamente com medo agora, ele tinha um demônio dentro dele ou algo assim?
— Não quero falar sobre isso, vou chamar um Uber. — Tentei sair correndo pela porta, mas Nathan segurou meu braço.
— Não, Rebecca e eu vamos te levar para casa. — Ele me puxou para um abraço, e eu o deixei. Estava tão envergonhada que só queria cavar um buraco e ser coberta e esquecida. Nem coloquem uma lápide nesse túmulo porque eu não quero ser lembrada.
O carro ficou em silêncio enquanto eu estava sentada lá, olhando pela janela. Lela ficou no clube com Marco e Ethan, já que eles poderiam levá-la para casa quando ela quisesse.
Saltei do SUV de Nathan e ambos me seguiram para dentro. As escadas até o meu quarto pareciam uma montanha interminável enquanto eu as subia. Os gritos lá embaixo diminuíam enquanto eu me enfiava debaixo dos lençóis com meu vestido e tudo.
A máscara de cílios que eu havia passado com cuidado agora estava borrada. A fronha estava aos poucos se tornando preta e creme por causa da minha base. Chorei no travesseiro enquanto meu coração se despedaçava em um milhão de pedaços.
Por que eu estava chorando mesmo? Eu nem conhecia esse homem. Não sabia o nome dele, nem qual era a dele, mas ser chamada por aqueles nomes horríveis feriu minha alma. Que tipo de pessoa falaria assim com alguém? Ninguém nunca falara palavras assim para mim, na verdade, ninguém nunca falou comigo antes na maior parte da minha vida e com toda a atenção nova ao meu redor nesta cidade, acho que minha barreira mental acabou de quebrar.
Rebecca abriu lentamente a porta e trouxe um copo de água. Ela se sentou na ponta da cama e acariciou meus pés que estavam debaixo das cobertas de algodão. Lela sussurrou: — Podemos falar sobre o que aconteceu?
Os soluços diminuíram e olhei para ela. Sentei-me e concordei, e ela pegou um rolo inteiro de papel higiênico, já que eu não tinha lenços. Nunca chorava, não era do meu feitio. Costumava ignorar as coisas, aprendi a ser um pouco dura sendo garçonete. As pessoas tinham dias ruins, entendia.
Mas isso foi algo a mais.
Em silêncio, contei minha história a ela. — Havia um cara no bar, eu o achei incrivelmente bonito e selvagem ao mesmo tempo. — Apertei o peito. — Me senti tão atraída por ele — respirei fundo. — Por alguma razão louca, senti que deveria ir falar com ele. Ele parecia tão triste e deprimido. Ele ficava olhando para seu copo e assistindo o gelo mexer dentro dele.
Rebecca continuou me olhando boquiaberta enquanto eu continuava a explicar. — Nunca vi seus olhos, mas tudo nele era muito cativante e envolvente. Lela disse que algumas músicas lentas estavam por vir, então pensei em convidá-lo para dançar. Não havia outras garotas perto dele, então pensei em tentar. — Fiz uma pausa. — Quando me aproximei dele, ele me chamou de v***a e de prostituta, e me mandou embora. Ele nem sequer olhou para mim. Eu nem sequer perguntei nada a ele. — Comecei a chorar de novo.
Nunca me senti tão magoada. Apenas uma frase, e aquele homem me arruinou. E ele nem sequer sabia quem eu era. E ainda por cima, várias pessoas me viram sendo rejeitada e tenho certeza de que seria assunto no restaurante na próxima semana.
— Sadie, me desculpe tanto. Eu não sabia. — Rebecca apenas me abraçou e me balançou para a frente e para trás. O primeiro conforto real além da minha tia, que senti com ela. Esperava poder continuar confiando nela e em Lela.
Eu queria sair da minha zona de conforto, e certamente fiz isso esta noite. Estava experimentando a vida como eu queria, mas não sabia que doeria tanto.
Rebecca ficou comigo durante a noite. Eu não pedi, e ela não disse. Ela simplesmente fez. Nathan finalmente saiu depois de muita insistência de Rebecca. Não precisava de nenhum cara ao meu redor no momento, especialmente me preocupar com Nathan e seus sentimentos.
Dormimos na mesma cama, Rebecca se recusava a sair do meu lado. Ela disse que ter alguém ali ajudaria a curar um coração partido. Não acho que meu coração estava partido, mas ela estava levando tudo isso muito a sério. Acho que era porque foi minha primeira paixão, uma paixão que durou talvez 45 segundos.
Lela estava dormindo. Eu podia ouvir os roncos dela, mas eu não conseguia dormir. Eu olhava para as vigas do meu quarto e, por um momento, esqueci que era meu aniversário. Não ganhei uma rosa vermelho-escuro hoje de manhã como costumava.
A mudança deve ter confundido quem tinha deixado-as. Talvez tenha sido Tobias ou um admirador secreto da minha cidade antiga.
Depois de mais alguns minutos de lágrimas e um travesseiro arruinado, decidi que amanhã seria um novo começo, um novo dia e tentar esquecer completamente este dia.
(...)
Nathan
Quando vi Sadie correr escada acima para o seu quarto, estava prestes a explodir. Ela era tão pequena e inocente, e algum i****a a fez chorar. Sadie não falava no carro. Eu sabia que ela estava segurando as lágrimas. Ela escondia bem os seus sentimentos.
Só queria abraçá-la, droga!
Rebecca foi atrás dela e a acalmou o suficiente para entender o que a fez chorar. Meu lobo estava louco para ir até lá em cima e apenas estar com ela.
Eu sabia que ela não era minha companheira, meu lobo até me disse isso. No entanto, ambos a queríamos. Não era luxúria ou desejo, ela era apenas perfeita. Havia uma aura ao redor dela. Ela nos deixou calmos, tranquilos.
Seu cabelo, seus olhos, e até a tranquilidade que ela traria a mim e ao meu lobo. Era como se eu estivesse bem descansado quando estava com ela. Eu a queria só para mim.
Rebecca me deixou ouvir através da ligação mental, e meu coração se apertou. Ela possivelmente encontrou seu companheiro. Isso me machucava profundamente. Xander estava uivando, ouvindo-a chorar. Os laços eram fortes, e ela era apenas humana. Não conseguia nem imaginar como ela se sentiria se fosse uma loba.
Isso prejudicava meus planos de ir devagar com ela. Ela poderia ter encontrado seu companheiro e eu teria que trabalhar rápido para mantê-la como minha. E se o companheiro dela mudasse de ideia e fosse atrás dela? Ou talvez ele nem tenha percebido que era ela. O clube tinha tantos cheiros, e ele nem mesmo olhou nos olhos dela.
A ideia de ele ir atrás de Sadie me deixava furioso.
Meus nós dos dedos ficaram brancos e minhas unhas quase perfuraram minha pele enquanto eu os fechava em punho.
— Você deveria ir, Nathan. Agora não é o momento. — Rebecca me falou mentalmente.
— Está bem, mantenha-a segura. Eu voltarei de manhã. — Respondi e saí correndo para a floresta. Era hora do meu lobo se soltar e ser livre.