## 📖 Capítulo 8: O Vício da Carne e o Nojo do Eco
### ♟️ POV: Ares
O camarote VIP da *L’Enfer* fedia a excessos. O cheiro de cocaína pura, fumaça de charuto e perfumes importados sufocava o ambiente, mas para os meus sócios e aliados do submundo, aquele era o cheiro do sucesso. Eu estava jogado no sofá de couro preto, com um copo de uísque puro na mão esquerda e o braço direito estendido sobre o encosto, onde uma modelo russa de pernas intermináveis tentava, desesperadamente, chamar a minha atenção.
Ela era linda. Tinha cabelos platinados, olhos claros e um corpo que qualquer homem naquela sala mataria para tocar. Ela estava se esfregando em mim há mais de uma hora, sussurrando promessas obscenas no meu ouvido, sedenta pelo dinheiro dos Vanderbilt ou pelo status de ser vista comigo.
Em qualquer outro dia da minha vida, eu já a teria levado para o banheiro ou para o hotel mais próximo, descontado o estresse do porto no corpo dela e a despachado com um cheque antes do amanhecer. Esse era o meu ritmo. Essa era a minha marca. O sexo sem nome, sem rosto, sem amarras.
Mas hoje, cada toque daquela mulher na minha pele me dava uma náusea profunda.
— Você está tão quieto hoje, Ares... — a russa sussurrou, a voz arrastada pelo álcool, enquanto deslizava a mão pelo meu peito, abrindo os dois primeiros botões da minha camisa. — Pensei que estivesse com saudades de Nova York.
Olhei para a mão dela no meu peito. Depois, olhei para o rosto dela. Nada. Nenhuma faísca. Meu corpo continuava frio, anestesiado.
Em vez das feições perfeitas e artificiais da modelo, a p***a da minha mente insistia em projetar a imagem de uma loira de cabelos bagunçados, encolhida no chão de uma cozinha barata, chorando de terror enquanto eu prendia seu queixo. Eu conseguia sentir o cheiro de sabonete barato da Elena. Eu conseguia ouvir o som do choro dela ecoando na minha cabeça, abafando a batida eletrônica ensurdecedora da boate.
*Que p***a está acontecendo comigo?* — pensei, a raiva travando a minha mandíbula.
Eu estava com ódio. Ódio por aquela garota simples ter invadido o meu sistema de um jeito que eu não conseguia deletar. Levantei-me do sofá de repente, derrubando a mão da russa, que me olhou assustada.
— Ares? — ela chamou, confusa.
— No escritório. Agora — ordenei, a voz fria e cortante.
Eu precisava provar para mim mesmo que ela não tinha poder sobre mim. Precisava expurgar o fantasma de Elena Vance do meu sangue. Peguei a modelo pelo braço com uma força desnecessária e a arrastei para o escritório privativo que eu mantinha nos fundos da boate. Tranquei a porta com um estalo violento.
A mulher sorriu, achando que a minha brutalidade era pura excitação. Ela se encostou na mesa de mogno, puxando o vestido curto para cima, expondo-se para mim.
— Eu sabia que você gostava de um jogo mais bruto... — ela ronronou.
Aproximei-me devagar, desabotoando a calça. Eu fui explícito. Fui cru. Usei o corpo dela com a selvageria que os meus demônios exigiam, empurrando-a contra a mesa de forma mecânica. A russa gemia alto, arranhando os meus ombros, entregando exatamente o show que todas as outras sempre entregavam.
Mas, no meio do ato, quando olhei para baixo e vi o rosto dela contra o couro da mesa, um estalo de nojo me atingiu em cheio no peito.
Não havia conexão. Não havia o fogo doentio. O sexo com ela era como mastigar vidro. Era vazio. Seco. Um eco patético. Minha mente deu um nó tão violento que o meu próprio corpo começou a falhar. Eu não conseguia terminar. A imagem de Elena, com seus olhos azuis arregalados, aterrorizada mas respondendo intensamente ao meu toque na noite anterior, piscou na minha frente como um aviso.
Parei o ato bruscamente. Afastei-me dela, ajeitando a minha roupa com as mãos trêmulas de pura fúria.
— Ares? O que foi? O que eu fiz de errado? — a russa perguntou, com os olhos arregalados de humilhação e confusão, ajeitando o vestido com pressa.
— Vista-se e suma — rosnei, a voz tão baixa e perigosa que ela empalideceu. — Pegue o que quiser com o gerente na saída. Só não apareça na minha frente nunca mais.
Abri a porta do escritório e saí pisando fundo, ignorando Viktor que tentava me passar um relatório sobre os russos no corredor. Eu não queria saber de armas. Não queria saber de dinheiro. Meu sangue estava fervendo.
Aquela loira maldita tinha me estragado para qualquer outra mulher. E eu ia fazê-la pagar por isso.
### 🕊️ POV: Elena
A mansão estava mergulhada em um silêncio sepulcral quando os faróis de um carro iluminaram as paredes do meu quarto de prisioneira.
Eu não tinha conseguido fugir. A governanta idosa, embora piedosa, tinha me avisado com os olhos cheios de lágrimas que os homens de Ares vigiavam cada centímetro do perímetro com armas automáticas escondidas sob os paletós. O medo por minha mãe e pela minha própria vida tinha me prendido àquela cama.
Ouvi o som de passos pesados subindo as escadas de mármore. Passos rápidos, descompassados. Diferentes do andar calmo e calculista que Ares costumava ter.
A porta do meu quarto não apenas se abriu; ela foi praticamente arrombada.
Ares entrou como um furacão de escuridão e luxo. O paletó dele tinha sumido, a camisa social branca estava completamente aberta e os cabelos loiros estavam desgrenhados. Mas o que me fez encolher contra a cabeceira da cama foi o cheiro.
Ele exalava álcool, uísque caro e... perfume de outra mulher. Um aroma forte, doce e vulgar de baunilha que não era o meu.
Meus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente. Uma onda de humilhação misturada com uma raiva possessiva que eu m*l conseguia compreender rasgou o meu peito. Ele tinha feito. Ele tinha saído da minha cama para ir para a de outra, exatamente como tinha prometido que faria para me machucar.
— O que foi, boneca? — Ares zombou, a voz barítona arrastada pela raiva enquanto caminhava até a borda da cama. Ele parecia um predador ferido, os olhos cinzentos brilhando com uma intensidade maníaca. — Sentiu meu cheiro? Sentiu o cheiro dela?
— Sai daqui... — solucei, cobrindo-me com o lençol, tentando me afastar dele. — Vai voltar para ela. Me deixa em paz!
Ares soltou uma gargalhada c***l, subindo na cama de joelhos e engatinhando na minha direção com a velocidade de um leopardo. Em um piscar de olhos, ele agarrou meus dois pulsos com uma única mão, prendendo-os acima da minha cabeça contra o colchão. O corpo dele, pesado e musculoso, esmagou o meu.
— Eu tentei — ele sussurrou contra o meu ouvido, o hálito quente de uísque me deixando tonta, enquanto sua outra mão livre entrava por baixo da minha camisa, apertando a minha cintura com uma força que deixaria marcas. — Eu juro por Deus que eu tentei t*****r com aquela v***a para tirar você da minha cabeça. Mas você me estragou, Elena. Você colocou uma p***a de um feitiço em mim.
Olhei para ele, em choque, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
— Você tem nojo de mim, mas o seu corpo... o seu corpo é o único que me serve agora — ele roçou os lábios dele nos meus, de forma brutal, sem carinho, mas com uma necessidade desesperada que me fez arfar. — Ela não significou nada. Nenhuma delas significa. Você é a minha única exclusividade, entendeu? E se eu não posso ter paz, você também não vai ter.
Quando a boca dele esmagou a minha em um beijo violento, carregado de fúria e possessividade, o medo que eu sentia foi completamente engolido por um desejo selvagem que me fez arquear as costas em direção ao toque dele. Eu odiava o monstro. Mas, naquele momento, eu percebi que estava tão presa ao vício dele quanto ele estava ao meu.