Percebi que aquele dia tinha um ritmo diferente desde o começo. Não era ansiedade. Não era pressa. Era uma calma estranha, quase solene, como se o tempo tivesse decidido andar mais devagar só para que eu pudesse prestar atenção em cada detalhe. Ângela me encontrou depois da missa da manhã. Me esperava do lado de fora da igreja, sentada em um dos bancos de pedra do pátio, usando um vestido simples, claro, que balançava com o vento leve. O cabelo preso de qualquer jeito, óculos escuros apoiados no rosto, um sorriso tranquilo quando me viu atravessar a porta lateral da igreja. — Achei que você nunca mais ia sair — ela brincou, se levantando. — Você sabe como é… sempre tem alguém que quer conversar depois da missa — respondi, sorrindo de volta. Ela assentiu, como se entendesse mais do que

