Ângela se afasta de mim devagar, como se precisasse ganhar fôlego antes de continuar. Ela caminha até a mesa grande no centro da sala, aquela mesa pesada, de madeira escura, polida demais, que parece ter ouvido muitas conversas que nunca deveriam sair dali. Puxa uma das cadeiras e se senta. Não cruza as pernas. Não ajeita o vestido. Pela primeira vez desde que a conheço, ela parece cansada de sustentar qualquer tipo de postura. Eu continuo em pé por alguns segundos, sem saber exatamente onde me colocar. Então puxo outra cadeira e me sento de frente para ela, mantendo uma certa distância, como se isso ainda pudesse me proteger do peso do que está vindo. Ela respira fundo. Uma vez. Duas. Na terceira, começa. — Você já sabe que meus pais são ricos — ela diz, com a voz mais baixa do que o n

