Hotel

1322 Words

Ela vai guiando com naturalidade, como se já tivesse feito aquele caminho mil vezes. — Segue reto… agora vira à esquerda… — diz, apontando com a mão, o olhar fixo na rua à frente, sem me encarar. A cidade vai ficando diferente à medida que avançamos. As ruas simples dão lugar a avenidas largas, bem iluminadas, com prédios altos, fachadas espelhadas, restaurantes caros, carros importados estacionados como se fossem coisa comum. Cada metro percorrido aumenta a sensação estranha dentro de mim, uma mistura de antecipação e desconforto, como se eu estivesse atravessando um limite invisível. Eu dirijo em silêncio. O motor ronrona baixo, constante. Meu coração, não. — Você vem aqui todas as noites? — pergunto, tentando soar calmo, mas minha voz denuncia a tensão. Ela demora alguns segundos p

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