Acordo com o som distante da cidade despertando. Um caminhão passando mais cedo do que deveria, um cachorro latindo ao longe, o barulho conhecido da casa ganhando vida. Por alguns segundos, fico de olhos fechados, sentindo o peso do corpo na cama, tentando identificar exatamente onde dói. Não é um cansaço físico comum. É outro tipo de desgaste. Um que fica atrás do peito, entre a fé e o medo. Levanto mesmo assim. A rotina não espera. Me arrumo com calma, como se cada gesto tivesse um propósito maior do que simplesmente vestir uma batina. Escovo os dentes, lavo o rosto, observo meu reflexo no espelho por alguns segundos a mais do que o normal. Meus olhos parecem iguais. Talvez um pouco mais atentos. Talvez um pouco mais cansados. — É só mais um dia, Gabriel — murmuro para mim mesmo. Na

