Fingindo Normalidade

992 Words

Acordo antes do despertador tocar. Meu corpo desperta primeiro que a mente, como se tivesse passado a noite inteira de prontidão. Abro os olhos devagar, encarando o teto do quarto, reconhecendo cada rachadura, cada sombra projetada pela luz fraca que entra pela janela. Por alguns segundos, quase consigo fingir que a noite anterior foi só um sonho pesado demais. Quase. Mas então a lembrança vem inteira, sem piedade. O impacto. A perseguição. O orfanato. A promessa silenciosa feita a Deus dentro do carro. Respiro fundo. — É um novo dia — murmuro para mim mesmo. — Um dia normal. Repito isso como um mantra enquanto me levanto, tomo banho, visto a batina. A água quente escorrendo pelo corpo ajuda a dissolver um pouco da tensão, mas não apaga o peso dentro do peito. Ainda assim, sigo cada pa

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